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Imaginar Macau em Lisboa

Konstantin Bessmertny. “Confiança, energia e complexidade de espírito não são conceitos aplicados rotineiramente na pintura dos nossos dias. Esta informação é chave para entender a explosão da forma e a ironia do conteúdo. Ao mesmo tempo que somos atraídos para o mundo dos personagens retratados, tudo se torna num paradoxo conceitual proveitoso debatendo a história e as suas identidades.”

James Chu Cheoc Son. “Isto não é esperteza ou ‘fofura’ estética e não há expectativa para um evento prenunciado. Este é um verdadeiro ‘melodrama’ de Macau tanto icónico como irónico. Esta é uma cidade onde bandeiras são partilhadas e participam de muitas situações. Onde a sensação de ter uma insígnia comum feita por escolhas da história é um ‘duplo pensar’ com um forte significado.”

Peng Yung. “Pele jovem dentro duma atmosfera que sugere vulnerabilidade. Uma mensagem de dor aparece lentamente, arranhada nas costas, repetindo a mesma súplica até que cobre todo o corpo. Uma subjectiva ameaça terminal inspira o trabalho que escolhe interrogar um cenário muito íntimo. A mistura crucial e o ritmo do vídeo resultam numa exploração de sensibilidade.”

É a maior exposição de sempre de artistas do território em solo português. “Acessórios Imaginários” inaugura hoje no Museu do Oriente, em Lisboa. O comissário da mostra, José Drummond, olha o trabalho de cada um dos criadores.

São três gerações de artistas e várias formas de expressão, da pintura à fotografia e à vídeo arte. “Acessórios Imaginários”, exposição que abre hoje no Museu do Oriente, em Lisboa, é a maior mostra de sempre de trabalhos artísticos locais em Portugal, organizada pela Fundação Oriente e pela Art For All. Mostra quase 40 trabalhos de 20 artistas.

“Como fazer sentido do aparentemente interminável fluxo de miasma de néon brilhante que parece cobrir a vida aqui e agora? Como é que a arte contemporânea comunica através disso? E é sobre o quê? Representa a percepção histórica de 500 anos de cultura mista? Ou anda simplesmente pela rua a recriar imagens de desconhecidos? São apenas representações de casas antigas? Ou é chamativa para os novos casinos? Será que rompe com as fronteiras? Os temas e estilos são coerentes?”, questiona o comissário José Drummond no texto que apresenta a mostra. “Acessórios Imaginários” reúne nomes como Mio Pang Fei, Ung Vai Meng, Carlos Marreiros, Tong Chonh, Fortes Pakeong Sequeira ou João Vasco Paiva, para citar apenas alguns com diferentes idades e áreas de intervenção.

“A transnacionalidade é evidência de globalização e de dissociação e associação entre dissemelhantes culturas e territórios. Em Macau o imaginário artístico é pródigo nesse factor, e traduz, de modo curioso e intenso, este fenómeno de identidades mistas, de forte envolvimento com mais do que uma nação, de parentes e amigos em diversos contextos, locais e internacionais”, prossegue Drummond na prosa que tenta reunir todo o espectro de formas de arte que viajaram até à capital portuguesa.

Em “Acessórios Imaginários” sugere-se o panorama natural da cidade, onde “pequenas realidades” e “grandes efeitos” definem a cultura quotidiana. “Espectáculo e simulação nunca estão longe da superfície de um lugar como Macau”, acrescenta. Consequentemente, as luzes brilhantes e a velocidade da vida contemporânea ampliam metaforicamente esta identidade do imaginário.

“Acessórios Imaginários” não pretende capturar apenas a percepção do mundo onde os trabalhos foram feitos, mas também como esse mundo mudou de significado ao longo do tempo. A arte contemporânea de Macau sublinha os conflitos de uma cidade transnacional gradualmente evoluindo para uma identidade vaga com questões múltiplas. “E trata-se de uma questão pessoal? Incomparavelmente pessoal. Esta é a maneira como os artistas imaginam os seus próprios acessórios numa pequena ‘terra prometida’ e parecem encontrar empatia nisso.”

A mostra conta ainda com trabalhos de Alice Kok, Bianca Lei Sio Chong, James Chu Cheoc Son, James Wong Cheng Pou, João Ó, Kent Ieong Chi Kin, Konstantin Bessmertny, Silviye Lei Ieng Wei, Lio Man Cheong, Noah Ng Fong Chao, Peng Yung, Coke Wong Ka Leong e Xin Jing, bem como do próprio José Drummond. Fica em exibição até 12 de Junho.

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