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A vida em 48 horas

Resultou em cinco trabalhos vencedores na competição anual organizada pelo Centro Cultural. O desafio de produzir um vídeo de cinco minutos em dois dias foi aceite por Andrea Gonzaléz e Maxim Bessmertny – realizadores a estrear.

Maria Caetano

Andrea González e Maxim Besmertny estão entre os vencedores deste ano da competição 48 horas a abrir, um evento paralelo do Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Macau, organizado pelo Centro Cultural como estímulo às produções por novos talentos na área do cinema.

Para as equipas que concorrem, o desafio consiste em ter apenas dois dias completos para criar um vídeo de cinco minutos. O tema deste ano era “Live” (viver), foram 63 os inscritos e 37 os projectos entregues dentro do prazo.

“Living Inside a Box” foi o trabalho final entregue por Andrea González. A jovem de 18 anos reside desde Outubro do ano passado em Macau. Na produção, ajudaram os pais, artistas ao serviço da companhia Cirque du Soleil, e as filmagens decorreram na casa da família.

Uma produção “caseira” que resultou numa espécie de reflexão em torno da noção de entretenimento e da imagem que cada um projecta de si próprio. “Passei muito tempo a pensar na ideia, durante o qual não fiz nada. Não queria produzir nada de muito óbvio”, conta a realizadora estreante.

“Há três personagens no meu vídeo. Uma delas, a única coisa que faz é ver televisão. As outras duas vivem dentro da televisão. Há duas realidades. Notamos que a personagem que assiste à televisão está a envelhecer. Os outros não, porque vivem numa realidade completamente diferente”, descreve.

“As personagens que vivem dentro da televisão existem apenas com um propósito de entreter. Vivem plenamente quando a televisão está ligada, tornando-se auto-conscientes de que a existência deles depende de alguém os estar a observar”, acrescenta.

Foi a primeira vez que participou numa competição deste género. “Foi algo de muito desafiante, e ao mesmo tempo enervante. Nunca tinha feito algo assim com um prazo. Mas foi muito divertido”, admite.

Maxim Bessmertny, 22 anos, diz que tem uma “paixão pelo filme” e planeia estudar Cinema. “É o que me dá inspiração e é realmente o método mais belo de dar expressão”, afirma. Produziu “Live” em conjunto com Kelsey Wilhel, Luis Leung, Abbi Grace Mitchell Morley e Wong Ching Sin.

“O tema era ‘Live’ e nós decidimos fazer um filme sobre vida e morte, representado através de um jogo de xadrez.” A inspiração é assumida de o “Sétimo Selo” de Ingmar Bergman, onde a morte e a vida também competem sobre um tabuleiro de jogos.

“Tínhamos muito pouco tempo. A ideia começou com o xadrez e a partir daí a desenvolveu-se com um protagonista e um antagonista a jogarem um contra o outro, sem se saber directamente quem são. Apenas sugerimos a ideia”, descreve.

“Usámos poucos meios. Não íamos fazer um blockbuster de Hollywood. Também tivemos muitos problemas técnicos”, conta. O vídeo filmado com uma câmara digital para fotografia e “todas as pessoas tinham várias tarefas”. “Mais que 48 horas, filmar 480 horas seria bom”, espera o jovem realizador, para quem o futuro será, provavelmente, o da imagem em movimento.

Entre os trabalhos vencedores estiveram também “I am looking at you when you are looking at me”, de Remus Ng, “live”, de Choi Ian Sin, e “Never Live”, de Tom Ho.

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