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Marco Polo na dança de abertura

A Pietragalla Compagnie, de França, tem honras de abertura no Festival de Artes deste ano, que começa hoje. O espectáculo é uma reinvenção ao jeito de conto de fadas da vida do explorador italiano Marco Polo. Os coreógrafos explicam-se.

Hélder Beja

Marie-Claude Pietragalla e Julien Deroault, bailarinos e coreógrafos, são as coqueluches da peça que hoje, às 20h, abre o Festival de Artes no Centro Cultural (CCM). “Marco Polo: A Viagem Imaginária” é um espectáculo que junta dança clássica e contemporânea, representação e efeitos multimédia – tudo para trazer até aos nossos dias a história desse mercador e explorador veneziano que viveu nos séculos XIII e XIV.

“A especificidade desta peça e da Pietragalla Compagnie em geral é que trabalhamos com artistas que vêm de horizontes diferentes. Há pessoas que vêm do universo clássico, como nós, do universo contemporâneo, do mundo do hip-hop ou da ‘street dance’. Há também os artistas de circo e os praticantes de artes marciais”, começa Julien Deroault, para explicar a multiplicidade de correntes que compõem a vintena de artistas que asseguram o espectáculo.

Deroualt é o homem que veste a pele de Marco Polo nesta peça criada pelo famoso estilista italiano Pierre Cardin, propositadamente para os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Mas os detalhes históricos não foram o lado mais valorizado na construção desta “Viagem Imaginária”.

“A ideia, quando partimos para esta história, era criar uma espécie de conto de fadas”, mais do que retratar fielmente as viagens do aventureiro transalpino, refere Deroualt. “Aquilo que pretendemos com Marco Polo é ir ao encontro de outras culturas. Com esta viagem interior – que de certa forma é uma viagem imaginária – e com estas personagens podemos perguntar-nos sobre o fim da História. O encontro com o outro e com outra cultura enriquece quem o descobre. Mas é preciso descobrirmos quem somos”, acrescenta o artista.

Os bailarinos que integram o colectivo sabem todos muito bem quem são. E são bastante diferentes entre si. “Ainda que seja o tema a estruturar a coreografia de um modo global, as individualidades são muito fortes. De certo modo, é como se esta fosse uma companhia composta apenas por solistas”, avalia o coreógrafo. “Cada um tem o seu próprio universo e as suas características. Trabalhamos com intérpretes que propõem, que investigam, que de certa maneira se reinventam a si e ao espectáculo. É muito mais fácil trabalhar assim.”

Rotas modernas

A lenda de Marco Polo viaja séculos para se transformar numa produção ‘hi-tech’. O interesse está em olhar para o que hoje se sabe desse período e transpor o possível para o século XXI, mesmo com recurso a imagens animadas e a uma espécie de décor virtual com a assinatura de um homem [Christophe Rendu] que trabalhou com Luc Besson no filme de animação “Arthur et les Minimoys”.

“Vê-se que é um pouco ao estilo ‘Mad Max’, uma coisa completamente futurista, onde todos os bailarinos se transformam em robots”, prossegue Julien Deroault. Em França, a imprensa escreveu que o espectáculo é uma espécie de bailado manga. “Gosto muito dessa expressão, porque manga é uma forma de cultura asiática que influenciou muito a cultura ocidental.”

Mais uma vez é o encontro de culturas a marcar o passo. Marie-Claude Pietragalla explica o porquê do espectáculo: “Escolhemos este tema especialmente pela China, por essa reunião entre o Ocidente e o Oriente. Marco Polo percorreu a rota da seda da seda e atingiu a China, onde ficou por longos anos”.

Depois de ter estreado no Continente, “Viagem Imaginária” seguiu caminho até França e também já foi mostrado na Veneza natal de Marco Polo, na famosa Praça de São Marcos. A coreógrafa nota que, quando as estruturas funcionam bem, é fácil montar produções deste género. “A nossa companhia funciona bem. Permite-nos ir acompanhando a evolução da criação.”

Depois de Macau, a Pietragalla Compagnie regressa à Europa antes de viajar para a Tunísia, país onde começaram os movimentos de revolta hoje conhecidos como ‘revolução de jasmim’. “Será o primeiro espectáculo de dança depois da revolução. Simbólica e artisticamente é importante poder responder presente a este país em plena reconstrução”, orgulha-se Marie-Claude Pietragalla.

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