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“Queremos fazer um grande festival em Macau”

Jeff Greene, presidente do Festival Internacional de Cinema Digital de Macau-China, espera que a edição deste ano supere a que em 2010 inaugurou o evento. De 1 a 3 de Novembro, a RAEM serve para juntar Hollywood ao Continente.

Hélder Beja

Lembra-se do chefe da tribo índia, no filme “Danças com Lobos”, dirigido e protagonizado por Kevin Costner? Pois bem, entre 1 e 3 de Novembro o actor Wes Studi, que o interpreta, estará em Macau para o Festival Internacional de Cinema Digital de Macau-China. A mostra, com sede no Venetian, vai para a segunda edição, mas no ano passado teve pouca projecção. Este ano, o responsável máximo pelo evento, Jeff Greene, quer subir a parada.

Para isso conta com um leque de convidados já confirmados (lista disponível em www.macaodigitalcinema.com) e com nomes que ainda podem vir a surgir – talvez mesmo uma grande estrela de Hollywood. Não se pode dizer que Wes Studi seja um astro enorme do cinema norte-americano, mas as participações em filmes como “Last of the Mohicans” e “The New World” fazem dele uma figura sobejamente conhecida. Não é, no entanto, nenhum dos títulos já citados que fazem com que este homem que já participou em mais de 50 obras venha ao território. Wes Studi estará em Macau devido a “Avatar”.

O filme de James Cameron, considerado um passo importante no uso da tecnologia 3D, estará em destaque, tal como tudo o que rodeia esta nova maneira de fazer filmes.

“Passo muito tempo na China a tentar que os filmes que ajudo a produzir cheguem aqui, e isso fez com que ficasse com um bom conhecimento da indústria de cinema chinesa. A ideia foi criar um evento algures na China, que facilitasse o contacto entre profissionais de Hollywood e do Continente”, explica o co-produtor do documentário “Chennault and the Flying Tigers”, feito em parceria com uma empresa do Continente e que conta a história dos pilotos norte-americanos que combateram pela China durante a II Guerra Mundial.

O evento – que recebeu a bênção das instituições que tutelam o cinema no Continente – já foi apresentado em Pequim e na RAEM esperam-se três dias “intensos” de palestras e workshops. “Macau oferece um certo nível de possibilidades que talvez não seja possível encontrar noutras cidades chinesas. Primeiro, porque é fácil chegar aqui. Depois, é um lugar um pouco mais aberto culturalmente para que se possa fazer um evento deste género”, prossegue Greene.

Mas voltemos aos convidados, porque há mais a ter em conta. A cara de Steven Poster não será conhecida da maioria – porque normalmente se esconde atrás da câmara – mas o homem é o director de fotografia de “Donnie Darko”, “Rocky V” e do recente “The Box”, com Cameron Diaz, e também estará em Macau para partilhar conhecimento.

Entre os nomes já revelados, o outro destaque é Gabor Csupo. O húngaro há muitos anos a trabalhar nos Estados Unidos da América “é um dos nomes mais importantes da animação nos dias de hoje”, conforme o classifica Jeff Greene. Csupo é também produtor musical e realizador, tendo assinado obras como “Bridge to Terabithia”, para a Walt Disney, e “The Secret of Moonacre”, para a Warner. Mas o destaque na carreira deste criador multifacetado é a supervisão artística de vários episódios da série de culto “The Simpsons”.

“Tivemos a primeira edição no ano passado e conseguimos trazer o maior grupo de profissionais de Hollywood que alguma vez participou num festival de cinema chinês. Realizadores, produtores, directores de fotografia e vários especialistas. Agora podemos repetir a fórmula a uma escala maior, com estes e outros nomes. A ideia é fazer um simpósio à maneira americana, uma coisa relaxada”, garante Jeff Greene.

Gala de caridade

Além das várias sessões previstas para os três dias de festival – que terá também uma componente de feira de tecnologia, com a apresentação de várias câmaras de filmar e outro material – está prevista uma gala de caridade para colher fundos que apoiem o combate contra a sida, bem como para assistir os portadores da doença.

Será exibido o filme “Till Death Do Us Part”, de Changwei Gu, que conta uma história de amor numa aldeia do Continente onde a sida se propagou a quase toda a população. A obra tem dado que falar, ainda mais porque o documentarista Zhao Liang decidiu filmar “Together”, peça documental que parte de alguns dos membros do elenco de “Til Death Do Us Part”. O que um conta em ficção, o outro aprofunda em realidade – e juntos têm despertado muito interesse internacional. Espera-se que ambos os cineastas chineses possam marcar presença em Macau e ajudar a recolher donativos que serão distribuídos pela instituição de caridade que carrega o nome do actor Jackie Chan.

“A ideia da iniciativa é angariar fundos mas claro que isso, tal como o sucesso do festival, dependerá sempre das pessoas de Macau. Queremos aproximar a população deste evento”, continua Jeff Greene, que também conta com o incentivo do Governo da RAEM.

O responsável revela ainda que está previsto que, a cada ano, se distinga um cineasta local pela sua produção, como “forma de reconhecer os talentos locais e de chamar a comunidade.”

“Queremos fazer um grande festival em Macau, que cresça todos os anos. Nesta região do mundo ainda não há nada que se compare a Cannes ou a Toronto. Claro que Macau nunca será Hollywood, mas tem potencial”, remata Greene.

 

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