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Escultura no velho tribunal

Maria Caetano

É uma das poucas exposições de escultura que o território acolhe. “Fazendo a civilização”, mostra de artes contemporâneas de autores de Macau e do Continente, é inaugurada esta tarde no edifício do antigo Tribunal Judicial de Base, na Praia Grande, pelas 18h30.

Os artistas com obra patente são Qu Guangci, Jing Xiang Wenling Chen, Hui Cao, Li Hong Jun e Wei Li, artistas destacados que chegam do lado de lá da fronteira, e Wong Ka Long e Konstantin Bessmertny, da casa. James Chu é o comissário da exposição que coube ao Instituto Cultural organizar.

Na nota sobre o conteúdo da mostra – peças escolhidas uma por uma por Chu – fala-se de um denominador comum, a ideia da civilização e as suas ideologias. “Algumas destas perspectivas, podemos dizer, são chinesas, mas ao mesmo tempo são também universais. A China progride muito rapidamente e a maioria destes artistas está baseada em Pequim, a capital”, diz James Chu. “São vários artistas, cada um deles de um contexto diferente”, acrescenta.

Não são obras criadas de propósito para esta exposição, nem tampouco impõem o fio condutor da mostra. O comissário admite que é o espaço que as contextualiza como um todo no título “Fazendo a civilização” – um antigo tribunal, que um dia será biblioteca.

“As obras dos autores são o principal. Mas considerei o lugar da exposição, que lhe confere um significado muito especial. Quando falamos de civilização, falamos da criação de regras, interdições – é por isso que temos exércitos, polícias, leis”, explica.

E é a justiça que vigia os povos. “Os tribunais têm o juízo sobre as disputas, são quase como uma entidade superior na civilização, ainda que as civilizações pressuponham entendimentos muito diferentes. Cada país tem o seu entendimento, daí os conflitos, devido às diferenças entre as civilizações”, adianta.

“Fazendo a civilização” foi “um título para começar a trabalhar”, para coligir os autores e as peças que a organização queria mostrar a Macau, onde o acesso do público a obras de escultura – e contemporâneas – é bastante limitado.

A escultura não é considerada uma arte menor, diz Chu. Mas é cara, exige espaço e muitas condições que não existem. “Envolve um processo muito complicado. São precisas grandes áreas de trabalho, exigem muitos assistentes e técnicas diferentes. Depois é necessária uma fábrica que reproduza o molde.” E, daí, há poucos autores a trabalhar esta expressão das artes plásticas.

Por outro lado, organizar exposições desta natureza também não é tarefa suave. “Exige espaço de armazenamento, empacotamento com qualidade e transporte, seguros, profissionais para lidarem com as peças. Não é como a pintura”, justifica o comissário.

A mostra que inaugura hoje pretende impor novidade. “As pessoas de Macau merecem ver coisas diferentes – refiro-me a algo que seja bom”, diz, lembrando que “a escultura contemporânea chinesa tem conhecido óptimos progressos – aliás, não apenas na China, mas em todo o mundo”. “Porque é que não mostramos algo diferente?”, lança.

 

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