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Veneza quer acertar

No ano passado Quentin Tarantino bem teve de ouvir crítica e espectadores: como era possível que o realizador de coisas como “Reservoir Dogs”, “Kill Bill” e “Inglourious Basterds” pudesse entregar o Leão de Ouro a “Somewhere”, filme de Sophia Coppola que é um bocejo com estilo, como que a dizer ‘vejam como é difícil ser bonito e famoso’? A resposta chegou nas mais variadas formas, mas houve uma que se sobrepôs: Tarantino é amigo, muito amigo da filha de Francis Ford Coppola.

Este ano, com Darren Aronofsky (“Black Swan”) a presidir ao festival, há mais um norte-americano a fazer-se com força à estatueta da 68ª edição de Veneza. George Clooney e o seu “The Ides of March” tiveram honras de abertura na quarta-feira. Trata-se de um filme com elenco de arromba – o próprio Clooney, o ascendente Ryan Gosling, os talentosos que ficam a dever à beleza Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman; e ainda senhoras como Evan Rachel Wood e Marisa Tomei – que disseca as campanhas presidenciais dos EUA, com claras alusões ao que foi a cavalgada épica de Barack Obama até ao lugar maior da política mundial.

A fita de Clooney está a concurso e tem muita companhia, a começar pelo novo Cronenberg. “A Dangerous Method” conta nada mais que o encontro entre Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Jung (Michael Fassbender).

É mais um projecto que põe lado a lado uma das duplas cineasta-actor mais bem sucedidas do cinema contemporâneo – juntos, Cronenberg e Mortensen assinaram nos últimos anos obras como “A History of Violence” e “Eastern Promises”. Desta feita, Keira Knightley é a presença feminina destacada no elenco.

Muita escolha

Roman Polanksi, tantas vezes polémico, regressa à direcção e também está a concurso no festival. “Carnage” vagueia entre a comédia e o drama, com Jodie Foster, Kate Winslet, John C. Reilly e Christoph Waltz (o tal da grande interpretação em “Inglourious Basterds”) às turras no ecrã.

Outro dos filmes apontado como favorito à vitória é a adaptação ao cinema do clássico de espionagem de John le Carré “Tinker, Tailor, Soldier, Spy”, editado em 1974. Tomas Alfredson foi o homem que conduziu o projecto, escolhendo para os principais papéis os actores Gary Oldman e Colin Firth.

Entre os muitos pontos de interesse da mostra que vai até dia 10 deste mês, destaca-se ainda “Shame”, novo título de Steve McQueen, artista que no final da década de 1990 venceu o Prémio Turner e que em 2008 decidiu estrear-se na realização, com o filme “Hunger”. Depois da Irlanda do Norte, do IRA e dos conflitos armados, McQueen voltou a recorrer ao actor Michael Fassbender para esta história de aventuras sexuais de um trintão e de como é a aprendizagem de ter de voltar a viver com a irmã mais nova.

“Wilde Salome”, de Al Pacino, e “Contagion”, de Steven Soderbergh, juntam-se ao novo filme de Madonna, “W.E.”, e a uma homenagem a Nicholas Ray numa lista extensa de obras que serão exibidas.

O cinema português não está em competição no Festival de Veneza, mas nem por isso deixa de marcar presença. Na secção Horizontes, Gabriel Abrantes mostra “Palácios da Pena” e Teresa Villaverde apresenta o filme “Cisne”. H.B.

Hong Kong sempre presente

Como na larga maioria das mostras internacionais de renome, este Veneza 2011 conta com filmes da região vizinha. “Life Without Principle”, de Johnnie To, leva o cantonês às salas da Europa cinéfila e fala de um tema transversal à RAEHK e à RAEM: o dinheiro. Pelo trailer (e também pelo título) percebe-se que “Life Without Principle” fala sobre o poder do dólar contra os escrúpulos, o peso da conta bancária contra o peso da consciência. To, um dos realizadores de Hong Kong mais queridos no Ocidente, estreia o segundo filme este ano, depois de “Don’t Go Breaking My Heart”. Antes, foi alimentando a carreira e solidificando o estatuto de mestre dos filmes do género de acção com títulos como “Mad Detective”, “A Hero Never Dies” e “Running on Karma”. A outra participação de Hong Kong na mostra está a cargo de Ann Hui, com “A Simple Life”. O filme conta com a estrela Tommy Lau no papel de protagonista. Lau é, também nesta ficção, uma figura mediática e importante do meio cinematográfico, que acaba por acompanhar a velhice da mulher que trabalhava para a sua família e o criou. É um filme sobre a passagem do tempo e os últimos anos de existência, em antagonismo com um homem (Lau) que está na flor da vida. Finalmente, de Taiwan chega a Veneza a obra “Seediq Bale”, de Wei Deshen.

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