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Teatro sobre o Estreito

As artes dramáticas de Macau, Hong Kong, Taiwan e Continente mostram-se ao público local em Dezembro. O território acolhe o Festival de Teatro Chinês, com nove espectáculos e uma grande conferência.

 

Maria Caetano

 

Os palcos locais recebem, em Dezembro próximo, nove companhias teatrais da região, no Festival de Teatro Chinês que, pela segunda vez em 15 anos, tem lugar no território. A última organização local ocorreu em 2002, com dimensões razoavelmente mais pequenas. Desta vez, prepara-se uma espécie de grande convenção do drama, com artistas e académicos de Taiwan, Hong Kong, Continente e Macau.

“Temos 15 anos de história”, assinala Lawrence Lei, o presidente da comissão preparatória do festival, também director da escola do Conservatório de Teatro de Macau. O evento realiza-se desde 1996, com organização rotativa pelas quatro regiões participantes. Desta vez, coube ao Instituto Cultural e ao Instituto de Teatro Chinês de Macau prepararem a semana de espectáculos, e seminários académicos sobre artes performativas, que decorrem entre os dias 14 e 20 de Dezembro.

Entre as nove companhias teatrais, há cinco que são de Macau, escolhidas de acordo com a originalidade dos textos que vão à cena e com a qualidade do desempenho dos grupos, segundo Lei. Há ainda duas companhias do Continente – Pequim e Shenyang –, uma de Hong Kong e outra de Taiwan.

“São escolhidos os melhores para cada festival”, garante o presidente da comissão preparatória do festival, que cobre desde textos de teatro experimental a clássicos do drama chinês, passando por êxitos de bilheteira como o que abre o evento, a 14 de Dezembro.

O Tainaner Ensemble estreia-se em Macau com “K24” (lê-se “caos” em mandarim), um caso sério de longevidade e fôlego dramático nos palcos de Taipé. A comédia, inspirada no texto “Romeu e Julieta” de Willliam Shakespeare e encenada ao estilo de uma série televisiva, já vai com uma duração de seis horas, com a adesão do público a ditar o seu desdobramento em duas novas partes.

“A peça foi criada em 2004, mas foi tão popular que, no ano seguinte, criaram uma segunda parte – que ficou igualmente famosa. Assim, em 2006, criaram uma terceira parte. Resulta que agora têm seis horas de peça, foi acumulando”, conta Lawrence Lei.

A duração não parece intimidar o público taiwanês, mas a audiência local terá acesso a uma versão concentrada da história. “As pessoas não se vão embora porque é uma obra muito cativante. Tem receitas de bilheteira espantosas. Para Macau resumiram a peça em duas horas”, explica.

Seguem-se, nos dias 15, 16 e 17, três peças de grupos locais: a companhia de teatro Hiu Kok, com “A Strange New Neighbour”, a Comuna de Pedra, com “Beyond the Misty Air”, e a Cooperativa Zero Distance, com “Ten Years”. Já no dia 19 de Dezembro, o Teatro de Repertório da Juventude de Macau apresenta “The Legendo of Lyra”, e a 20 de Dezembro, actua o grupo Teatro Horizonte, com a peça “Taboo Games for Youth”.

“Queremos apoiar todos, incluindo não apenas os grupos com maior experiência, mas igualmente os mais jovens que têm grande qualidade”, diz Lawrence Lei, também director da Hiu Kok, sobre a selecção local. “As artes dramáticas de Macau estão a tornar-se mais profissionais”, acredita.

De Pequim, chegam “Sunrise” do dramaturgo Cao Yu, já falecido, um dos nomes mais reputados da dramaturgia chinesa e também um dos principais promotores do teatro moderno no país. A peça clássica, de 1936, é levada ao palco pelo grupo dramático do Exército de Libertação Popular.

Uma outra companhia, da Escola de Artes Performativas da Universidade Normal de Shenyang, narra a vida de Cao num texto da autoria do director artístico do Teatro de Repertório de Hong Kong, Anthony Chan, “Cao Yu’s Last Soliloquy”.

Já de Hong Kong, a 17 de Dezembro, vem o Alice Theatre Laboratory com “Seven Boxes Possessed of Kafka”.

O programa de espectáculos é acompanhado de uma conferência sobre as artes teatrais, que vai ter lugar no Centro Cultural de Macau e reúne mais de quatro dezenas de oradores.

“Criámos uma plataforma para que académicos de diferentes países, cidades, se sentem juntos e troquem ideias sobre as artes dramáticas chinesas.” Os participantes são de Macau, Hong Kong, Continente, Taiwan, Estados Unidos e Japão e as informações relativas aos seminários serão publicadas no próximo mês, de acordo com a organização.

Erik Kuong, produtor cultural, estava em 2002 entre o público do Festival de Teatro Chinês que se realizou em Macau. Agora integra a organização.

“É muito maior este ano. Há a parte dos espectáculos, mas também a parte mais académica. Estamos a tentar que esta secção seja mais aberta ao público, que não se limite a ter algumas pessoas que lêem umas comunicações numa sala. Pedimos a críticos e organizações que se juntem a nós, assim como os artistas. Isto tem real valor, permite que se conheça melhor o que se faz na região”, defende.

“A ideia é explorar o que podemos fazer juntos”, diz, defendendo a necessidade de partilhar recursos e competências “para encontrar um público maior e mais diversificado”.

 

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