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Histórias de amor chegam a Hong Kong

As seis narrativas de amor em Macau que resultaram no “Macau Stories II – Love in the City”, da autoria de cineastas locais, vão chegar ao território vizinho, através Festival de Cinema Asiático de Hong Kong. E pode vir aí uma terceira leva de curtas-metragens.

 

Macau é o pano de fundo para seis histórias de amor que agora chegam a Hong Kong. O filme “Macau Stories II – Love in the City”, feito de vários segmentos e promovido pela Associação Audiovisual CUT, foi seleccionado para a oitava edição do Festival de Cinema Asiático de Hong Kong.

“Ficámos todos muito entusiasmados e felizes quando o nosso produtor nos deu a notícia”, diz uma das realizadoras envolvida no projecto, Elisabela Larrea. “É o primeiro filme de Macau que participa num festival de referência como este.”

Larrea faz arte do grupo de seis realizadores que contribuíram para o produto final: um filme de 90 minutos composto por seis narrativas. “Macau tem muitas histórias e muitos realizadores. Gostaríamos muito de desenvolver mais a indústria de cinema local. Sermos reconhecidos assim, a nível internacional através do festival, é um grande incentivo para nós.”

Já Fernando Eloy, outro dos realizadores do projecto, diz não ter ficado surpreendido com a distinção. “Sinceramente já estava à espera. Acho que todos trabalharam bem e não havia nenhuma razão para o filme não ser seleccionado.”

O “Macau Stories” é um projecto da autoria da associação local de audiovisual CUT. Nesta segunda edição foram seis os jovens realizadores convidados a participar no projecto, com curtas-metragens de 15 minutos passadas em Macau. No primeiro filme, o fio condutor era menos claro e prendia-se apenas com a forma como os cinco realizadores viam o território. Em “Macau Stories II” acrescenta-se o amor à equação – é obrigatório que esta temática nobre da ficção esteja presente, sempre com Macau no horizonte.

Além de Larrea e Eloy, participaram também os cineastas Mike Ao Ieong, Jordan Cheng, Tou Kin Hong e Harriet Wong.

Um amor de outro mundo

Fernando Eloy não se preocupou muito em representar directamente a RAEM, mas diz que ela será reconhecível na tel O seu filme conta “a história de uma mulher de meia-idade que acha que o amor já não é possível, até ao dia em que é desafiada a pôr isso em causa”, explica o realizador. “Não é o facto de se poder apaixonar ou deixar de se apaixonar, mas sim se é altura de voltar a ter encontros com homens”, explica.

O argumento de Elisabela Larrea entra mais no campo da fantasia. “A minha história é sobre um rapaz que vive num terraço de um prédio para escapar à confusão da cidade”, conta. A vida do jovem sofre uma reviravolta quando ele conhece uma rapariga vinda de outro planeta. Apesar das diferenças que os separam, os dois apaixonam-se. Mas algo vem perturbar o romance: “Havia uma televisão no terraço e a rapariga, que tem poderes especiais, confere-lhe a capacidade de pensar”. É a mesma televisão que depois tenta influenciar a jovem alienígena e abandonar o terraço.

Larrea explica que o enredo é metafórico. “Ela vive um dilema que está relacionado com a forma como vemos o amor. Algumas pessoas estão mais presas ao dia-a-dia, aos factos e às coisas, e acabam por tornar-se indecisas em relação ao que é a essência do amor.” Com uma ponta do véu levantado, a realizadora adverte: “Se quiser saber como a história acaba terá de ver o filme”.

Por agora isso não é possível. As datas ainda não estão confirmadas mas a Associação Audiovisual CUT espera que o filme chegue às salas de Macau em Dezembro.

Financiamento e formação

Em comparação com o território vizinho, a realização cinematográfica em Macau ainda está pouco desenvolvida. Qual o motivo para haver tão pouca produção local? Falta de financiamento, ideias, formação, pessoas? “Falta tudo isso”, diz Fernando Eloy. O realizador põe especial ênfase no financiamento: “Acho que para a área dos filmes independentes devia haver um esquema claro de apoio da parte das entidades oficiais, que não existe neste momento”.

Elisabela Larrea acredita que a maior falha é ao nível da formação. “Durante os castings tivemos muita dificuldade em encontrar actores. Muitas pessoas podem ter já estado em contacto com a teoria mas a prática, no que toca a filmes, é completamente diferente.” Isto não quer dizer que os locais não se interessem pelo cinema. “Sentimo-nos muito encorajados porque muitas pessoas se demonstraram muito entusiasmadas e quiseram participar.” Quer a nível da produção, quer da representação, Larrea acredita que “seria bom ter mais workshops e coisas desse género”.

Ambos os realizadores dizem que é muito provável que se venha a realizar um “Macau Stories III”, no qual estariam disponíveis para participar.

O Festival de Cinema Asiático de Hong Kong realiza-se entre 18 de Outubro e 18 de Novembro e vai abrir com o filme “Life Without Principle”, do cineasta de Hong Kong Johnnie To. “Macau Stories II – Love in the City” faz parte da categoria “Asian Wide Angle”, onde estão contemplados outros dez filmes. I.S.G.

 

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