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Muito folclore e jazz crioulo

É o que traz a edição deste ano do Festival da Lusofonia, no que toca a actuações. A cantora Carmen Souza é o nome de maior destaque no cartaz que enche o Carmo, de 20 a 23 de Outubro.

 

Maria Caetano

 

A Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa decorre de 20 a 30 de Outubro, e o fim-de-semana de festa – o chamado Festival da Lusofonia – está marcado para entre 21 e 23 de Outubro, junto às casas-museu da Taipa, como é habitual. É no palco do Carmo que se ouvem os sons que embalam quem corre as tasquinhas de sabores trazidos pelas associações locais representativas dos países e territórios que falam português ou visita as tendinhas de artesanato.

A montra cultural da lusofonia – para responder à vontade de festa das respectivas comunidades envolvidas, numa ponte com a China e numa piscadela de olho ao visitante – soa este ano a uma cacofonia de nomes musicais pouco promovidos: Acapaná, Patubatê ou Netos de Gumbê são exemplos. Carmen Souza, Cordas do Sol, João Seria & Banda Fama, Wuchene, Saarang & Cotta Family, Dima Balos, e ainda um grupo artístico de Jilin, compõem o resto do cartaz.

Mas apesar de pouco populares junto do grande público, os grupos escolhidos são representativos do folclore das comunidades lusófonas representadas – a orientação que parece presidir ao programa da semana cultural e que conta apenas com uma única excepção, com nome firmado nos palcos internacionais.

Carmen Souza, representante portuguesa de ascendência cabo-verdiana, segue os trilhos do jazz e da soul, com inspiração crioula. Entram os ritmos da morna, do batuque e da cola sanjon.

A artista, natural de Lisboa, começou a cantar profissionalmente aos 17 anos num coro de gospel. Actualmente, e já com 13 anos de carreira, é um dos nomes fortes junto da crítica especializada de world music quando o assunto são as novas sonoridades do arquipélago cabo-verdiano.

Em 2005, Carmen Souza lançou “Esse ê nha Cabo Verde”, álbum que a catapultou para os principais palcos do género a que se dedica. Entre estes, o Festival de Jazz de Monterey, nos Estados Unidos, e o North Sea Jazz Festival, da Holanda.

O músico David Sylvian vê na cantora e compositora a “simplicidade enganadora” de um “híbrido acessível” – o composto musical world-soul-jazz que é “música para o século XXI”, segundo o vanguardista autor inglês, citado na página electrónica que apresenta o trabalho de Souza.

A artista está actualmente em digressão pelos Estados Unidos e Canadá. Em cerca de duas semanas estará em Macau. Carmen Souza é o nome que encerra o Festival da Lusofonia, a 23 de Outubro (domingo), no anfiteatro do Carmo, e actua também a 26 de Outubro (quarta-feira) no Leal Senado.

 

Cola, maracatu e mais

 

A representação oficial de Cabo Verde estará no entanto a cargo do grupo Cordas do Sol, conjunto de seis músicos formado em 1994 que segue a linhagem tradicional da música cabo-verdiana. Os músicos, representados pela editora francesa LusAfrica, lançaram recentemente o álbum “Lume d’Lenha”.

De Brasil, chegam os Patubatê, grupo de samba electrónico onde a percussão é uma performance à imagem de Stomp e outros tantos que seguem o género, transformando “sucata em instrumento musical”. É música também de muitos bits, de maracatu, funk e afro, e com uma certa consciência ambiental. O conjunto formado por Fernando Mazoni, Fred Magalhães e DJ Leandronik é adepto de uma “musicalidade sustentável”.

Acapaná são mais um grupo representativo do folclore lusófono – desta feita de Angola. A banda, cujos membros são oriundos da província de Huíla, foi fundada em 1984 e advoga na música a defesa dos hábitos e costumes da cultura angolana.

Em representação de São Tomé e Príncipe estará o músico João Seria, mais conhecido como “o General”, acompanhado dos membros de Banda Fama. O historial do músico disponível na Internet diz-nos que, na década de 1980, esteve no conjunto África Negra, e mais tarde noutro chamado Banda da Ilha.

Já a cultura de Moçambique é dada a conhecer no Festival da Lusofonia através do grupo de danças tradicionais, os Wuchene, e os territórios de Goa, Damão e Diu são representados pelo grupo Saarang e Cotta Family. De Timor-Leste chega o grupo Dima Balos e da Guiné-Bissau os Netos de Gumbê. A China é representada por um grupo artístico de Jilin.

Além dos espectáculos marcados para o anfiteatro das casas-museu da Taipa, que decorrem entre os dias 21 e 23 de Outubro, haverá também actuações no Largo do Senado e no Largo do Mercado do Iao Hon, bem como uma mostra gastronómica com chefes convidados dos países e territórios representados na festa, e dez expositores de artesanato montados na zona do Carmo – uma das novidades desta edição.

Nas artes plásticas, estarão em exposição obras da artista timorense Maria Madeira e da artista da Guiné-Bissau Manuela Jardim.

 

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