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“Temos uma espécie de papel em branco”

Está praticamente tudo por fazer no campo das artes. A Art For All mantém o objectivo de criar um mercado que assegure a sobrevivência de quem cria. James Chu, o presidente, diz que é indispensável estar em Pequim.

Maria Caetano

 

– A AFA deu no ano passado início ao Salão de Outono, não apenas como meio de mostrar os artistas, mas também na tentativa de criar uma plataforma comercial, de estabelecer um mercado de arte. Quais foram os primeiros resultados?

James Chu – No ano passado tínhamos 110 obras de 30 artistas e vendemos um décimo dos trabalhos – julgo que 11 peças. É apenas o início. O mais importante é construirmos uma relação com os compradores locais. Claro que alguns são turistas. Recordo-me que no ano passado recebemos alguns turistas de Washington que compraram, embrulharam as obras e levaram-nas. Com esta plataforma, podemos esperar qualquer tipo de visita – é difícil prever. Mas ao criarmos esta oportunidade, haverá cada vez mais pessoas que têm conhecimento do que fazemos e que poderão querer adquirir trabalhos não apenas durante a exposição, mas também depois dela.

– Os resultados são essencialmente locais ou o salão também consegue ter impacto noutros locais, como Hong Kong, conseguindo projecção para os artistas locais?

J.C. – Não, estamos mais concentrados no mercado local. Estamos a começar e Hong Kong já desenvolve há tantos anos um mercado de arte, com tantos artistas diferentes. Não vejo razão para que venham comprar obras de artistas aqui em vez de o fazerem em Hong Kong, onde há mais de 100 galerias, profissionais e garantias muito melhores – há muito mais escolha. É essa uma das razões para que Hong Kong não seja ainda o nosso alvo principal.

– O primeiro passo é construir um mercado local. O que é que é preciso fazer? É possível criar um circuito de vendas que não dependa apenas de pequenos compradores particulares?

J.C. – Se olharmos de forma realista para o ambiente de Macau, constatamos que não há muitos artistas. Este ano temos 30 artistas e até poderemos ter mais, 40, 50. Mas olhemos para a China. Somente Pequim tem 100 mil artistas com obras, estilos e preços diversificados. Em Macau é tudo muito limitado. Se estivermos interessados em pintura de paisagem, por exemplo, quantas peças poderemos encontrar? E que tipo de preços é que vamos encontrar ou variedade? A realidade é que ainda é preciso levar a que os artistas façam mais. Sabemos que muitos artistas locais têm potencial mas não têm oportunidade. Se o mercado nunca ganhar forma, irão continuar a trabalhar em freelance e à base das suas pequenas economias para sempre. Não é saudável. Se os artistas apenas puderem contar consigo próprios, fazem uma ou duas coisas e no dia seguinte desistem. Nesta etapa, o que pretendemos é fazer com que mais artistas estejam envolvidos na produção e que as obras sejam diversificadas. Mais tarde será possível não ter apenas compradores individuais, mas também empresas. Voltando à questão anterior, não fomos bem-sucedidos a aceder ao mercado de Hong Kong, mas chamámos a atenção de muitas consultoras de lá, que adquirem obras de arte para hotéis e para aparthotéis. Os artistas de Macau têm agora, pelo menos, a oportunidade de apresentar propostas. E, se querem entrar num mercado maior, têm de se esforçar mais e de ser mais competitivos. Mas na AFA nem todos estão à procura do mercado: há quem dê aulas ou trabalhe em museus. Gostam de criar as obras, mas vender não é para eles uma grande questão. Mas claro que é o nosso objectivo. Só que temos uma espécie de papel em branco e sentimos que podemos fazer muito mais neste campo. Se fosse em Hong Kong, não precisávamos de fazer nada.

– Este ano o Salão de Outono conta com 37 artistas, mais do que no ano passado. O que é que há de novo?

J.C. – No ano passado tivemos a primeira edição e convidámos artistas. Este ano decidimos convidar os artistas do ano anterior, mas também abrimos candidaturas durante um mês para qualquer interessado. Recebemos mais de 40 candidaturas, com mais de uma centena de obras. O nosso júri, com quatro membros – eu, José Drummond, Konstantin Bessmertny e Wong Ka Long –, escolheu 106 trabalhos. Algumas peças também foram recomendadas por Carlos Marreiros e nós reconhecemos a qualidade dos trabalhos.

– Os artistas foram capazes de renovar as obras relativamente à exposição do ano passado?

J.C. – Depende um pouco. Diferentes artistas têm diferentes estilos. Alguns prosseguem nos caminhos de sempre, outros tentam coisas novas. Alguns artistas mais estabelecidos mantêm o rumo, como por exemplo Lai Ieng, que nos enviou três das suas aguarelas mais recentes. Konstantin Bessmertny, nos anos recentes, tem mantido uma série de telas de pequena escala inspiradas no cinema. Pakeong Sequeira também mantém os desenhos e exibimos o motociclo que desenhou há um ano para a Feira Internacional de Macau, porque não a mostrámos em mais lado nenhum. Há casos especiais como o de Wong Ka Long, um jovem escultor, que desta vez dá a conhecer um interesse secreto pela pintura a que se dedica já há alguns anos – uma série inspirada em figuras de animação, que desconhecíamos de todo. Foi uma surpresa interessante.

– Olhando para o conjunto da exposição, o que é que esta nos diz dos artistas de Macau? Há características comuns?

J.C. – Há uma grande diversidade. Por exemplo, na fotografia, de João Ó a José Drummond, passando por Peng Yun, vemos diferentes conceitos e um tipo diferente de imagens. Não consigo dizer que haja algo em comum. Mas na pintura, posso dizer, aprecio muito a ingenuidade na forma como os artistas trabalham – num bom sentido, claro. Sobretudo este ano, em que podemos encontrar trabalhos que nos remetem para o universo das figuras de animação. É algo de muito interessante. Incluímos alguns jovens artistas, recém-formados pela universidade, ou que concluíram os cursos e há pouco tempo regressaram a Macau.

– Há, por exemplo, casos como o de Fortes Pakeong Sequeira, que ganhou alguma notoriedade ao ir com a AFA a algumas feiras de arte regionais. Agora tem uma exposição em Hong Kong. É fácil fazer este percurso?

J.C. – Macau é ainda um caso especial. Somos pequenos e há poucos artistas. As pessoas interessam-se por nós porque não nos conhecem. Querem ver como é a arte contemporânea de Macau. Reconhecem as características dos casinos, mas não sabem o que fazemos ao nível da arte. A nossa delegação em Pequim, no bairro 798, ajuda realmente. A verdade é que não importa o quanto nos esforçamos em Macau e se temos um grande talento, uma vez que não há media internacionais de arte aqui – ninguém sabe o que estamos a fazer aqui, não funciona. Mas em Pequim é uma constante, quase todos os media internacionais estão lá representados, recebem continuamente as nossas informações e podem conhecer os trabalhos presencialmente. Em qualquer uma das exposições que tivemos em Pequim recebemos cobertura de, pelo menos, 30 órgãos de comunicação da China e de outros lugares. Isso significa que as oportunidades se multiplicam. Em Macau, temos apenas alguns jornais locais, nenhum tem dimensão internacional. Mesmo que não se concretize em vendas, Pequim ajuda muito a promover os artistas de Macau.

– A galeria de Pequim foi reconhecida como uma das 100 melhores galerias da China. É à partida algo importante, pode garantir maior publicidade para a AFA e para os artistas que esta representa. Mas parecendo algo importante, será efectivamente algo com um impacto importante?

J.C. – Teoricamente é algo muito grande. Em Macau, não há quem faça trabalho de galerista e tenha experiência. Em Hong Kong, há galerias há 50 anos e há profissionais de todo o mundo a gerir esses espaços – se tiverem esse tipo de reconhecimento, é considerado normal. Mas, para Macau, que nem críticos de arte tem, é algo realmente raro – daí que seja uma grande coisa. Mas foi uma questão de sorte. Isto porque Macau tem esta característica especial de suscitar a curiosidade. Tenho a certeza que há muitas galerias de Pequim que estão a fazer melhor trabalho que o nosso, porque conheço as pessoas. Mas são apenas mais galerias da China, o que não lhe dá tanto destaque. Somos um pouco mais famosos porque as pessoas querem saber o que está uma galeria de Macau a fazer em Pequim, o que não significa que sejamos melhores. Sinto que esta pode ter sido a primeira e a última vez. Se não nos aperfeiçoarmos, nunca mais vamos ficar numa posição tão elevada – no 69º lugar em toda a China. Há mais de mil galerias no país… Somos mesmo a 69ª melhor? Entendo que não. Estamos a falar de coisas diferentes. No que diz respeito aos padrões artísticos, ao nível da galeria, não somos assim tão bons porque estamos apenas a representar artistas de Macau. Sabemos em que parâmetros nos movemos e não podemos estar sempre a exibir Mio Pang Fei, Konstantin, Mio Pang Fei, Konstantin… Podemos ter Mio Pang Fei, Carlos Marreiros, James Chu, Tong Chong, etc. São diferentes tipos de artistas com níveis diferentes, mas são todos de Macau. E é essa a nossa missão. Mas para atingir os padrões internacionais, o nível de Macau ainda é baixo.

– O que é que a galeria tem de fazer para atingir esse nível mais elevado?

J.C. – Temos de fazer com que os artistas locais continuem a produzir e com mais qualidade, que melhorem os seus próprios padrões. Não podem estar sempre a fazer a mesma coisa. Se não melhorarem, ninguém os poderá ajudar. Por outro lado, há aspectos que têm que ver com a forma como se organiza uma exposição, com aquilo que é possível retirar em termos educativos de uma exposição. Por vezes, não é necessário ter os quadros mais fabulosos ou a melhor tecnologia, as obras podem ser muito simples e terem uma mensagem que enche a exposição. É o que se chama de fase educacional: a mostra não influencia tanto por causa do nível das obras mas pelo sentido latente. É isso que podemos melhorar. Normalmente, em Macau, quem organiza uma exposição limita-se a pendurar um quadro na parede, pôr a iluminação, e já está. Mas isso não é comissariar uma exposição. É organizar uma actividade, o que é uma realidade bem diferente. Para atingir um nível internacional, temos de melhorar também neste aspecto. Por fim, há também a parte administrativa e de vendas. Há muita margem para melhorar, mas o problema é que não há orçamento para isso e estamos muito limitados em termos de recursos humanos. Temos duas pessoas em Macau e outras duas em Pequim para organizar 24 exposições por ano, o que é uma grande carga de trabalho. Precisamos, pelo menos, de três pessoas cá e de três pessoas lá, para que o pessoal possa ter férias. Nas vendas é mais difícil melhorar, mas há que tentar. Já conhecemos alguns compradores em Pequim. Podem não ser grandes coleccionadores, mas vêm ter connosco de tempos a tempos para ver o que há de novo que lhes interesse.

– A principal missão da AFA é a de representar os artistas locais. Mas no futuro a galeria poderá representar artistas de outros lugares além de Macau?

J.C. – Ainda não. É demasiado cedo. Não temos sequer pessoal suficiente para lidar com os nossos próprios artistas, quanto mais artistas de outros lugares. Seria muito mais complicado e exigiria muito cuidado. Para um descuido que resultasse numa obra estragada não teríamos dinheiro de indemnização, e caso houvesse algum problema legal com um contrato isso poderia significar o nosso fim.

– No que toca à organização de exposições, são essencialmente dois os comissários das mostras da AFA, o James Chu e José Drummond. É difícil encontrar pessoas com este interesse e esta capacidade em Macau?

J.C. – Estamos a encorajar alguns artistas. Não é fácil, mas tentamos que artistas diferentes comissariem pelo menos uma exposição por ano, se sentirem que são capazes. É o que têm feito Tong Chong, Alice Kok e Wong Ka Long. No plano anual de 2012 vamos tentar entregar pelo menos uma exposição a cada artista. O mais importante não é, no entanto, ter um comissário. Temos de ter uma equipa administrativa que os possa apoiar. Enfrentamos sempre o mesmo problema de não ter orçamento suficiente para pagar um salário atraente, o que faz com que as pessoas entrem e saiam com facilidade. Estamos sempre a formar pessoal novo. E sem um apoio estável, os comissários não conseguem trabalhar. São as duas pernas de um corpo. Ganhámos alguma estabilidade, com três funcionários que já estão connosco há mais de um ano. Têm experiência e sabem automaticamente acompanhar as coisas.

– O Instituto Cultural e o Instituto de Formação Turística lançaram recentemente um programa de gestão cultural. Vai ser benéfico ter esse novo pessoal formado?

J.C. – Certamente, é um primeiro passo. Mas não basta. É necessário haver formação profissional, que é algo que nós fazemos todos os dias sem que seja suficiente. Não posso estar todos os dias a ensinar dois trabalhadores. Seria bom que houvesse formação de tempos a tempos, e não como agora acontece, por um período curto. Julgo que é possível organizar workshops com profissionais do exterior a cada dois meses ou, por exemplo, organizar visitas de estudo a lugares próximos para que o pessoal possa ver como são geridos os espaços. Mas, essencialmente, o que está a fazer é a financiar as chamadas organizações não lucrativas. E no fundo isso é aquilo de que mais precisamos: dinheiro. Realmente ajuda muito que os funcionários possam ter um melhor salário e que não precisem de procurar outros trabalhos. Nós não conseguimos competir com os casinos, nem nunca vamos conseguir.

– Macau tem uma rede muito apertada de ligações. É difícil manter os critérios quanto à qualidade das obras de arte que são exibidas?

J.C. – Temos de o fazer. Se não insistirmos em critérios somos apenas como qualquer departamento da Administração que desperdiça dinheiro. Actualmente, limitam-se a fazer programas infantis, porque é a coisa mais fácil de fazer. Ninguém vai desafiar o que estão a fazer. Se alguém não estiver satisfeito, basta oferecer-lhe um doce. A sociedade não vai crescer se os departamentos da Administração continuarem apenas a organizar actividades.

– Mas a educação artística infantil é importante? É uma das promessas que o Governo tem feito relativamente às escolas e, eventualmente, é daí que vai partir um público apreciador das artes.

J.C. – Toda a gente reconhece que é muito importante. O Governo fala nisso há vários anos, mas até aqui não faz nada, absolutamente, zero. Ao nível universitário, quase não existe. Há o curso do Politécnico, mas, reconheçamos, tem apenas um programa de formação de professores de Artes Visuais. Quem queira estudar pintura a óleo, escultura, o que quer que seja, não tem por onde escolher. É preciso sair de Macau. As universidades de Macau limitam-se a fazer cursos que pretendem ser interessantes e nos quais a cada seis meses se muda de assunto. Não se vêem bons resultados. Depois, ao nível do ensino primário e secundário, estão continuamente a realizar consultas para uma reforma. Mas, se até aqui sublinham a importância da criatividade, não há nada que reflicta essa preocupação nas mudanças curriculares. Os alunos têm cada vez mais trabalhos para casa, têm horários de trabalho ainda mais longos que os nossos. Começam às 8h na escola e fazem trabalhos de casa até às 21h ou 22h, cinco ou seis dias por semana. Têm aulas de pintura ou de música uma vez por semana. O que é que isso tem que ver com a criatividade? Como é que criatividade dos alunos se pode desenvolver nas actuais circunstâncias? É uma desilusão. O dinheiro nunca é problema e o que não falta são professores na China. Porque é que isto acontece? Não percebo.

– Actualmente, tem “Affairs to Remember”, uma exposição a solo na AFA de Pequim. É algo que já não fazia há bastante tempo e reúne uma série de trabalhos seus produzidos em diferentes períodos. Houve alguma razão para que o fizesse agora?

J.C. – Para ter a minha primeira exposição individual em Pequim precisava de ter um número de trabalhos suficiente e com a qualidade que exijo. Não queria matar a minha chamada reputação artística. Fui convidado, com alguma regularidade, para exposições em Xangai, Shenzhen, etc. Também estive este ano na Bienal de Veneza. Entendi que os trabalhos que produzi para essas ocasiões eram suficientemente bons para uma exposição. Antes de nos mudarmos para o 798 estávamos num espaço muito maior, grande demais para os meus trabalhos, e ia parecer muito pobre. O novo espaço é muito mais adequado para os trabalhos que quis exibir: a série do 11 de Setembro, a “Washing Legs”, “A Short Ride”, com o táxi de Xangai e a “Five-storey Mansions”. Combinadas, são obras que representam bem o que tenho feito nos últimos anos ao nível da instalação.

– Está envolvido em muitas tarefas na AFA. Em termos pessoais, em que tarefa é que está agora mais envolvido? Na pintura, na instalação?

J.C. – Este ano foi bastante duro para mim. Não criei tanto como no ano anterior ou como nos anos mais recentes. Mudámo-nos para o 798 e o nosso programa passou a ter mais exposições. Tivemos 24 – aliás, 25, quando incluída a da Feira Internacional de Macau. Ter uma exposição a cada duas semanas não permite que paremos, é um trabalho interminável. Como não recebo nenhum salário da AFA – somos todos voluntários – preciso de despender muito tempo em trabalhos de design para ganhar dinheiro para sobreviver – não apenas eu, mas também a minha família. E ainda tenho o empréstimo da casa (risos), que é o pior. É muito difícil arranjar tempo para criar, mas felizmente consegui concentrar-me na série do 11 de Setembro que inicialmente ia ser apresentada no Albergue. Não produzi muitas obras novas, mas consegui concentrar-me nestes conceitos. O quadro do Salão de Outono é um dos trabalhos em que estive a trabalhar durante quase um ano – ou pelo menos oitos meses. Tenho outras coisas mais pequenas, mas ainda não estão prontas. Mas tenho muitas ideias novas – o meu cérebro ainda não morreu. Já tenho vários projectos em mente para o próximo ano, caso tenha tempo.

– No seu percurso, já esteve ligado à política também. Foi candidato às eleições para a Assembleia Legislativa. Gostaria de voltar a candidatar-se? Ainda tem algo a fazer nesse sentido?

J.C. – Entendo que qualquer pessoa tem algo a fazer na política. No outro dia falava com amigos, que não nasceram em Macau como eu. Um é português, o outro russo, mas ambos vivem em Macau há mais de 20 anos. A conclusão é que quem vive há tanto tempo em Macau não se pode considerar um estrangeiro. Quem aqui vive tem o direito e a obrigação, a responsabilidade de se envolver e, pelo menos, contribuir com o conhecimento que tem no campo em que trabalha. No meu caso são as artes. Se vejo algo que não me parece estar bem devo dar a minha opinião, expressá-la, contribuir com um ângulo diferente para abordar as questões. Muitas vezes pensa-se em Macau que quem fala demais tem problemas por ser uma terra tão pequena. Mas essa é a voz da geração dos meus pais. Actualmente, as pessoas recebem informação de microblogues a cada segundo. Estamos em 2011 e não podemos ficar agarrados ao que pensava a geração passada. As pessoas são espertas o suficientes para analisarem diferentes opiniões. A minha é apenas uma. O importante é acarinharmos a liberdade de expressão. Não sei se um dia Macau ficará impossibilitada de falar. Essa seria a verdadeira tragédia e eu certamente deixaria de viver aqui. Mas já que existe esta liberdade, temos de a acarinhar. Quanto à possibilidade de voltar a participar nas eleições, a nossa equipa não a vê como um jogo – a questão não está em jogar para ganhar. A ideia é vermos de que forma podemos contribuir, o que podemos fazer na Assembleia Legislativa ou mesmo fora dela. É possível chamar a atenção da sociedade para novas questões. Julgo que fomos bem-sucedidos com o nosso programa. Muitos candidatos não tinham sequer um poster, quanto mais um programa, o que não era justo para os eleitores. Outras pessoas seguiram-nos e, pelo menos, entregaram um pedaço de papel com alguns tópicos. Satisfaz-me que muitas das perguntas que foram feitas nos últimos dois anos na Assembleia estivessem no nosso programa de campanha. É bom, é sinal que o estudaram. E é por isso que vale a pena participar.

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