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Conversas com amigos à esquina

José Drummond, Álvaro Rosendo e Edgar Massul expõem juntos. São amigos de outros tempos e reúnem obra numa galeria de Lisboa a partir da próxima semana.

Maria Caetano

José Drummond, com Álvaro Rosendo e Edgar Massul, expõe uma nova série de trabalhos em Lisboa a partir da próxima semana. O artista vai apresentar-se no Espaço Avenida 221, na capital portuguesa, numa mostra colectiva de caminhos individuais que é apresentada pelo seu comissário, o historiador e crítico de arte João Pinharanda, como um encontro de amigos que tiveram percursos artísticos em comum durante as décadas de 1980 e 1990.

A nota de apresentação fala ao público de “três amigos à aventura”, de “monólogos dialogais onde a amizade se sobrepõe a qualquer programa conceptual a três”. Drummond volta a andar em torno do feminino e da questão da visibilidade numa série fotográfica intitulada “The Ghost”. Rosendo anima uma série de imagens fotográficas em cinco sequências de vídeo. Massul expõe “objectos meditativos” próximos da natureza.

“Recent Works” é a proposta que assenta, além da amizade, na “ideia de regresso de cada um deles à concepção e produção de objectos de arte contemporânea”, segundo descreve o comissário.

“Expusemos juntos, mais do que uma vez, mas foi na tal ‘esquina dos anos 80 com os anos 90’ [expressão usado por Pinharanda], sendo que por isso esta exposição tem esse condão de voltar a levar para a sala expositiva algo que não acontece há quase duas décadas”, conta Drummond.

A mostra, diz, tem obras que apontam em sentidos diferentes, sem que deixe de haver uma relação possível. “No fundo é uma colectiva que nasceu pela conversa, mas são também três individuais, sendo que no espaço de exposição acabam por conceptualmente funcionar de modo autónomo quase como monólogos. Os espaços de ligação que vão do trabalho de uns aos outros acabam por uni-los numa possível conversa”, afirma.

“The Ghost”, a nova série produzida pelo artista, consiste em duas fotografias de grande formato e 12 de pequeno formato. “São trabalhos a preto e branco, reflexivos, onde jogo com particular efeito com as noções de luz e sombra, afinal a base da fotografia, e que perseguem as mesmas preocupações anteriores relativas à visibilidade e invisibilidade”, descreve o autor.

Sobre as mesmas, João Pinharanda explica que se trata de “fotografia intimista e secreta onde o corpo feminino desenha delicadamente as diferenças entre luz e sombra, o corpo e o desejo, marca o frágil tempo da relação entre o modelo e o voyeur”.

Álvaro Rosendo, por seu turno, exibe “sequências fotográficas que agora foram animadas para vídeo acabando por se transformar em imagens em movimento”, apresenta Drummond sobre aquele que classifica como “um dos fotógrafos de referência dos anos 1990”.

Já Edgar Massul “é como se desejasse abolir o tempo e oferecer-nos uma realidade permanente: dois toros de madeira que a terra lançou ao mar e o mar rejeitou sobre a terra protagonizam o eterno e desequilibrado confronto do poder (toro fino) e do saber (toro grosso)”, explica Pinharanda. São, segundo Drummond, “objectos meditativos que têm uma grande relação com a escultura e com a instalação, mas também com a natureza e os seus materiais”.

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