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A nova vida de Tintin

Pedro Galinha

Era uma ideia antiga de Steven Spielberg e com Peter Jackson – o homem por detrás do sucesso da trilogia Senhor dos Anéis – a coisa fez-se, a piscar o olho ao público norte-americano. E assim, depois de 35 anos, Tintin voltou a ter vida própria. Mas será que ressuscitou da melhor forma?

Alguns fãs deste clássico da banda desenhada europeia dizem que não. Mas outros, também eles fiéis ao traço do belga Hergé, o criador da personagem, dizem-se agradados com a aventura em 3D que chegou às salas de cinema, este ano, pela mão de Steven Spielberg.

Interpretações à parte, a longa-metragem “As Aventuras de Tintin – O Segredo do Licorne” deixa definitivamente para trás a ideia de um argumento original de Spielberg para devolver o famoso jovem repórter à acção. Ou seja, contraria o primeiro impulso do realizador que, depois de adquirir os direitos da obra, em 1984, avançou para um projecto próprio que (felizmente?) não chegou a ver a luz do dia.

Outra das características deste filme tem que ver com o facto de Spielberg ter condensado duas histórias do universo Tintin. São elas “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” (1940-41) e “O Segredo do Licorne” (1942-43).

Isto quer dizer que a história acompanha o sempre curioso repórter, o fiel amigo canino Milu e o Capitão Haddock na busca de um tesouro que, em tempos, pertenceu a um antepassado do marinheiro. Mas pela frente vão ter um inimigo de peso: o misterioso Mr. Sakharine.

Quem vê o filme tem ainda a oportunidade de visitar, na companhia dos três aventureiros, o norte de Marrocos via deserto do Sara ou através da exótica cidade de Bagghar. Dois locais que servem de pano de fundo à aventura que mostra um Tintin com mais músculo do que aquilo a que estamos habituados. E, quase como uma espécie de Indiana Jones, vemo-lo a suplantar os inimigos com golpes dignos de um brutamontes. Golpes esses que, talvez em demasia, preenchem grandes sequências de combate, sejam elas num barco, em alto mar, ou em terra firme.

Se, na globalidade, podemos considerar que o filme cumpre com o objectivo a que se propõe – entreter –, não nos podemos esquecer que existem algumas fragilidades e momentos menos felizes. Por exemplo, quando a dupla de detectives Dupont e Dupond entra em cena.

Para o futuro, está já pensada uma trilogia que, no segundo filme, irá retomar a história iniciada em “O Segredo do Licorne” e trilhar caminho através de  “O Tesouro de Rackham o Terrível” (1943).

 

As Aventuras de Tintin – O Segredo do Licorne

Steven Spielberg, 2011

 

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