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Para um fado maior

Se as previsões se confirmarem, na próxima semana o fado passa a ser património imaterial da Humanidade. A candidatura portuguesa caiu bem junto do comité de peritos da UNESCO. Em Bali, na Indonésia, a comissão das Nações Unidas responsável pela avaliação dos projectos já está reunida. A decisão é esperada na próxima terça-feira.

Em Macau, há optimismo entre quem aprecia fado e junto daqueles que fazem do género musical a sua vida. É o caso de Paulo Valentim: “As minhas expectativas são boas e parece-me que será um objectivo que vai ser conseguido este ano, porque o trabalho que foi feito até agora é meritório, é de grande dedicação”.

O guitarrista refere-se aos esforços desenvolvidos pelos mentores da candidatura – Câmara Municipal de Lisboa e Museu do Fado – e aos seus ‘embaixadores’, que desde Junho de 2010 têm vindo a trabalhar para que o fado entre na lista do património imaterial reconhecido. Hélder Fernando, jornalista e radialista que tem no fado um dos estilos musicais que mais aprecia, destaca igualmente o valor do projecto apresentado: “Pelo que à distância posso observar, foi conduzido com a maior competência e dignidade por pessoas reconhecidamente ligadas a esta música e que ao fado deram a melhor parte das suas vidas. É assim que se cuida do passado para garantir o futuro.”

O optimismo de Paulo Valentim em relação ao sucesso da candidatura de Lisboa é fundamentado com o facto de, nas últimas décadas, o fado ser “um dos produtos de exportação cultural mais importantes de Portugal”. “Fiz nestes últimos 20 anos uma carreira internacional, estive nas melhores salas de espectáculos do mundo, e realmente o fado é uma coisa admirada, respeitada e muito querida por muitos povos”. Mas não é só esta “abrangência” que faz com que o guitarrista esteja confiante: “O fado, o tango, os blues e o canto napolitano são cantos de porto de mar – é isso que os une. Se o tango já ascendeu a esse estatuto, é provável que o fado também o venha a ter”.

Se no dia 29 houver boas notícias para Portugal, terão importância sobretudo simbólica, considera Valentim. “O entendimento do fado é geracional, porque cada geração interpreta o fado de diferente maneira. Hoje o fado sofre fortíssimas influências de outros tipos de música. Muitos daqueles que compõem e tocam por vezes deixam-se influenciar por outras raízes culturais. Se uns consideram que há evolução, outros entendem que há distorção.” O músico prefere não entrar nessa discussão, mas não deixa de dizer que a aceitação do fado como património da Humanidade terá pouco impacto concreto, “até porque Portugal, pela sua tradição e a forma como vive estas coisas, acaba por nunca ter capacidade para passar desta imagem”.

Hélder Fernando olha para a questão de forma diferente. “Não somente musical, mas também poético, o fado nas suas múltiplas características que tanto o enriquecem, é um dos mais importantes valores patrimoniais da cultura portuguesa”, vinca. “Já sendo reconhecido mundialmente esse seu valor no universo das chamadas culturas do mundo, a formalidade selada por uma estrutura como a UNESCO, apenas vem confirmar, e acaso dar maior visibilidade, a importância cultural, muito para além de simbólica, deste excepcional símbolo de Lisboa, afinal símbolo unitário da identidade de um povo”.

Guitarrista e amante de fado vão estar atentos às notícias que chegarão de Bali na próxima terça-feira. I.C.

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