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Um incêndio de arrepiar

Pedro Galinha

Nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2011, “Incendies – A Mulher Que Canta” é um dos filmes canadianos mais aclamados pela crítica e quem o vê parece concordar com isso. Mas vamos por partes.

A partir da peça homónima de Wajdi Mouawad, o realizador Denis Villeneuve decidiu contar a misteriosa e violenta história de Nawal Marwan (Lubna Azaba). Uma mulher árabe residente no Canadá e mãe de gémeos – Jeanne (Mélissa Désourmeaux-Poulin) e Simon (Maxim Gaudette) –, que escondeu dois segredos aos filhos.

O enredo segue, por isso, a história dos dois irmãos que diante da leitura do testamento da progenitora que acabara de falecer descobrem que viveram, durante anos, numa mentira. E a verdade só seria encontrada se cumprissem duas tarefas estipuladas pela mãe: descobrir o paradeiro do pai que, afinal, não tinha morrido, e encontrar um irmão que ambos desconheciam.

Por esta altura, o revoltado Simon não fica entusiasmado com a ideia. Mas, apesar de tudo, decide juntar-se a Jeanne que, desde o primeiro momento, decide partir numa jornada rumo ao Médio Oriente para desvendar a misteriosa vida da mulher que pensava conhecer.

Dada a complexidade do argumento, o realizador de “Incendies – A Mulher Que Canta” opta por organizar as diversas histórias que cruza ao estilo Iñarritu. Isto é, nos tempos que se sobrepõem às cenas dos dois irmãos ou aos flashbacks que reconstituem a vida de Nawal Marwan, no Líbano e na Palestina, Villeneuve optou por dividir o filme em capítulos, colocando separadores – de gosto discutível – que vão aparecendo a vermelho, à medida que o tempo passa.

Ainda assim, o filme do canadiano acaba por resultar na perfeição, até porque soube conjugar um conjunto de factores que vão além da realização. Por exemplo, o som é trabalhado de forma cuidada e a direcção de fotografia pauta-se por duas opções estéticas distintas. Por um lado, nas sequências passadas no Canadá, é dado um tom mais leve e frio às imagens. Por outro, nos planos captados no Médio Oriente, surgem no ecrã cores avermelhadas e quentes capazes de embrulhar da melhor forma as cenas de guerra.

Em suma, “Incendies – A Mulher Que Canta” é um filme que, apesar de não inovar em termos técnicos, vale pela história que apresenta. E, além de ser muito mais do que um produto de simples entretenimento, é também a prova de que o fim de uma vida no cinema pode dar origem a uma excelente história.

Incendies – A Mulher Que Canta

Denis Villeneuve, 2010

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