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Longa vida aos reis

Daqui para a frente, o que se vai escrever não é mais do que um convite à audição de um dos álbuns mais marcantes da década de 80 do século XX. Não! Não estamos a falar de um disco daquelas bandas com longos cabelos loiros e calças de cabedal justas porque esses anos – os 80 – consagraram nomes como os New Order, The Fall, Pulp, Stone Roses e, claro, The Smiths.

Pegamos, então, em “The Queen is Dead” e regressamos às primeiras semanas de 1986. Nessa altura, o mercado discográfico internacional desesperava pelo terceiro álbum dos britânicos (pronto desde Novembro do ano anterior). Tudo porque um conflito entre a editora Rough Trade e a banda atrasou a edição daquele que ficou para a história como o melhor disco de Morrissey, o carismático frontman dos The Smiths, e companhia. Companhia essa que, além de Andy Rourke (baixista) e Mike Joyce (baterista), “só” contemplava ainda Johnny Marr, o talentoso guitarrista que inventou dezenas e dezenas de geniais melodias que, depois, eram inscritas com palavras inteligentes, carregadas de ironia e provocação, e de um alcance poético maior.

Cabe tudo isto num só disco? A resposta, espero, está já nos seus ouvidos. Mas se ainda não ficou convencido, sugiro que comecemos por viajar neste “maravilhoso mundo do que de melhor se fez na pop” com a canção que dá nome ao álbum.

“The Queen Is Dead” é daquelas músicas-manifesto em que dá para topar o que vem a seguir, até porque o próprio crescendo de que é feita sugere isso mesmo. Aqui, não é só Marr e Morrissey que se destacam. Tanto a bateria como o baixo encaixam perfeitamente numa música cheia de humor onde o protagonista conhece a rainha que lhe diz: “Eh, I know you and you cannot sing”.

Depois, senhoras e senhores, à sarcástica “Frankly, Mr. Shankly” – mais ritmada do que a faixa anterior, oferece uns Smiths diferentes daquilo a que nos habituámos a ouvir – segue-se “I Know It’s Over”, pouco recomendável para quem saiu de um desgosto amoroso há pouco tempo. É que, aqui, Morrissey canta, em tom depressivo, lamentos sobre um amor perdido que roça a pieguice, mas que qualquer alma com coração já sentiu.

O tom melodramático até prossegue com “Never Had No One Ever”, só que depois tudo muda com “Cemetry Gates”. O sol voltou a brilhar? Parece que sim e, de maneira descomprometida, Morrisey e restantes compinchas voltam a um registo diferente, o que nos faz pensar que este “The Queen Is Dead” é como a meteorologia: hoje está sol, mas amanhã chove torrencialmente.

Com isto na cabeça chegamos à gigante “Bigmouth Strikes Again”. Está lá tudo: força, ritmo, palavra e até Joana D’Arc. “The Boy with the Thorn in His Side” é o hino que se segue e, mais pop do que isto, não há. Simples e orelhuda, abre caminho para “Vicar in a Tutu” – outra incursão humorada de Morrissey – que não faz antever o que se segue.

Chegámos a “There Is a Light That Never Goes Out”? Sim, chegámos. E, por aqui, apetece ficar. Porquê? Porque talvez seja a mais bonita canção de amor alguma vez composta.

“Some Girls Are Bigger Than Others” fecha, de forma decepcionante, um disco marcado não só pela genialidade, mas também pelo “início do fim” dos Smiths. Coisa para levar pouco a sério porque, diante de tal obra, podemos dizer que estes tipos são imortais. E a prova está aqui: 25 anos depois, “The Queen Is Dead” continua a ser obrigatório.

Pedro Galinha

 

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