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34 anos depois, sintonizem-se nos Television

Pedro Galinha

“Leave Home” e “Rocket to Russia” dos Ramones, “Never Mind the Bollocks” dos Sex Pistols e o primeiro álbum dos Clash têm em comum uma data: 1977. Nesse ano, as três bandas editaram álbuns que, cada um à sua maneira, ficaram na história do punk. Mas não foram os únicos, já que quatro jovens de Nova Iorque quiseram também mostrar ao mundo aquilo que iam fazendo com uma bateria, duas guitarras e um baixo, ainda que menos ruidosamente.

Falamos dos Television de Tom Verlaine, Richard Lloyd, Fred Smith e Billy Ficca que, juntos, formavam um dos grupos mais interessantes da cena nova-iorquina da década de 70 do último século.

Ao lado de nomes como Talking Heads, Patti Smith Group e Blondie, os rapazes foram trilhando o seu caminho e, em 1977, lançam o primeiro álbum, intitulado “Marquee Moon”. Um registo discográfico que, com o tempo, foi recolhendo críticas favoráveis e inúmeros fãs, especialmente provenientes do clube CBGB, em Nova Iorque, uma espécie de mini Meca da música punk e rock de então.

Sobre este disco há muito a dizer. Desde logo porque inclui uma obra-prima musical que se ergue em mais de dez minutos. “Marquee Moon” – faixa que dá titulo ao álbum – é complexa, cativante e espelha todo o virtuosismo dos músicos. Aliás, existe até a teoria de que Richard Hell, conhecido músico nova-iorquino que foi um dos fundadores dos Television, não chegou mais longe na banda (foi substituído por Ficca) porque era incapaz de tocar na perfeição o tema incluído na lista das 100 melhores canções com guitarra da Revista Rolling Stone (2008).

Mas a história deste álbum começa a escrever-se antes. Na primeira faixa, “See No Evil”, as guitarras viciam até chegarmos a um solo de Lloyd que, se fosse hoje, dir-se-ia dos Strokes. Quanto a “Venus” e “Friction”, apetece dizer o mesmo que ficou anteriormente descrito (menos a autoria dos solos que, agora, são da responsabilidade de Verlaine), já que as cordas – baixo e guitarras – são de uma mestria pouco habitual e a voz do líder dos Television arrasta-se entre as melodias, sem perder a elegância que marcou o percurso do grupo.

Depois, há ainda “Elevation”. Mais misteriosa do que as suas antecessoras, aqui podemos ver algum do valor como letrista do vocalista nova-iorquino nascido Thomas Miller, mas que adoptou o apelido Verlaine em honra ao poeta francês de mesmo nome.

Segue-se a contemplativa “Guiding Light” que nos remete para paisagens menos urbanas do que aquelas em que imaginamos o quarteto, ao mesmo tempo que sugere uma produção diferente (as teclas aparecem por cá). “Prove It”, segundo single do álbum, oferece um riff de guitarra do outro mundo, enquanto o baixo se assemelha a uma brincadeira de criança que nos faz correr, neste caso com os ouvidos, atrás dela. E, claro, o solo é também de uma assinalável qualidade técnica, assim como a letra que conta a história de um detective do filme “The Long Goodbye” (1973).

A fechar, os Television brindam-nos com “Torn Curtain”. Canção pouco consensual entre os fãs que, apesar de fugir um pouco à matriz mais representativa da banda, arranca de muitos somente a palavra “incrível”.

 

Marquee Moon

Television, 1977

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