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O ano que não foi do 3D

Sem tempo para fitas, eis os dez mais

Pedro Galinha

Mais um ano e a tendência mantém-se. Alguns filmes do circuito comercial surpreendem os espectadores, mas é da cena indie, onde os orçamentos reduzidos também são protagonistas, que nos chegam as grandes surpresas de 2011. No menu que se segue, servimos oito filmes e dois documentários. Faltam “Meek’s Cutoff”, “Incendies – A Mulher que Canta”, “Submarine” e o português “48” porque, apesar de se terem estreado nas salas de cinema deste ano, já haviam rodado nos festivais de 2010. Estão fora, mas são igualmente obrigatórios.

“Sangue do Meu Sangue” | João Canijo

O filme português mais visto do ano é uma tragédia humana que não deixa de tratar o amor por tu. João Canijo e seu o elenco brindam o telespectador com um argumento sobre as mulheres-coragem que se sacrificam pelos filhos, sem esquecer aquelas que são apenas mães de substituição. A força dos actores e das respectivas personagens moldam a narrativa que mostra Rita Blanco numa interpretação memorável.

“La Piel que Habito” | Pedro Almodóvar

O mais recente registo cinematográfico de Pedro Almodóvar é uma bizarra, incorrecta e perturbadora história sobre a identidade humana, sobre auto-percepção e, em última instância, sobre o irresistível desejo de moldarmos os outros à nossa imagem. António Banderas é Robert Ledgard, um gélido cirurgião com uma abordagem liberal às questões éticas que vive com a obsessão de criar pele humana artificial.

“Weekend” | Andrew Haigh

Tudo começa numa sexta-feira à noite, em casa de machos. No entanto, um dos convivas, depois de uns quantos copos, decide investir numa ida a um clube gay. A busca serviria apenas para saciar o desejo de uma noite, mas Russell acaba por encontrar Glen. Amor à primeira vista? Talvez. Com drogas, álcool e uma incessante procura pela identidade de ambos. “Weekend” fala de excessos. “Weekend” fala de amor.

“We Need to Talk About Kevin” | Lynne Ramsay

Neste filme que não reúne consensos, mais uma vez vemos uma interpretação magistral de Tilda Swinton como Eva, mãe de Kevin. Baseado no romance de Lionel Shriver, a trama deste thriller psicológico mostra o drama materno de quem não consegue relacionar-se com um filho algo problemático na gestão de emoções e que acaba por perpetrar um massacre. Há sangue, perguntas no ar e artifícios técnicos para todos os gostos.

“The Artist” | Michel Hazanavicius

Não é erro. Neste ano, há também um filme mudo gravado a preto e branco que está a dar que falar. “The Artist” junta Jean Dujardin e Bérénice Bejo num romance passado algures entre 1927 e 1932. Quanto aos ingredientes da história, tudo está centrado nos diferentes momentos que as trajectórias profissionais das duas personagens principais apresentam: ela em ascensão, ele em clara decadência.

“Moneyball” | Bennett Miller

“Moneyball” bem pode ser considerada uma das boas longas-metragens sobre desporto que foram lançadas nos últimos anos. Em traços gerais, o filme narra a história verídica de um manager de uma equipa de basebol (Brad Pitt) que ao lado de um jovem funcionário, economista de formação, desenvolve um método inovador de gestão do plantel. Tudo se baseia em estatísticas e, mesmo alvo de críticas, o sistema criado é seguido até ao fim.

“Sound of My Voice” | Zal Batmanglij

Não há respostas fáceis neste “Sound of My Voice”. Muito por culpa da história que molda o filme. Desde logo, ficamos a saber que dois jovens cumprem um qualquer ritual de iniciação em algo. Tomam um meticuloso banho que vemos através de uma boa sequência de planos fechados, aparecem de olhos vendados e, depois, entram numa cave. Tudo tresanda a perigo. Convencido?

“Martha Marcy May Marlene” | Sean Durkin

Paranóias e ansiedade q.b. fazem parte de “Martha Marcy May Marlene”. Um filme que coloca Elizabeth Olsen em bom plano, já que a actriz de 22 anos interpreta a frágil Martha, cujo comportamento insano conduz quem a rodeia ao desespero. Entre a realidade, o sonho e o martírio, esta longa metragem valeu o prémio de melhor realizador a Sean Durkin no festival Sundance. A banda sonora é divinal.

“The Interrupters” | Steve James

Um dos belos documentários de 2011 tem como cenário a problemática cidade de Chicago. Partindo dessa realidade, Steve James e o aclamado Alex Kotlowitz pegam num grupo de pessoas com passados conturbados, mas já reabilitadas. Em vez da violência que praticavam, empregam todas as forças para afastar a comunidade de problemas. Tudo isto ao longo de um ano de gravações cruas que, por vezes, parecem ser mais do que reais.

“How to Die in Oregon”| Peter D. Richardson

No estado norte-americano de Oregon, o suicídio assistido é encarado como uma morte com dignidade. Existe mesmo uma lei, desde 1994, que o permite – mediante parâmetros – e é sobre isto que fala “How to Die in Oregon”. Para os mais sensíveis, a cena inicial não é fácil de digerir. Um doente terminal toma uma dose letal de Seconal e morre em frente à câmara. Violência gratuita? Ou a única hipótese de libertar a alma?

 

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