Uncategorized

Revista ao cabo de um ano

Serial Kissing

Carlos Picassinos

Haveria “The Killings”, “Community”, “Rubicon”, certamente “The Good Wife” ou, é verdade, “The Wire”, “Mad Men”, “The Walking Dead”, “Terra Nova”, “V”, “Pan Am”, “Playboy”. Mas estas outras séries são as que nos fizeram sentar no sofá durante um ano e devolveram profundidade ao ecrã. Vimos tudo, lemos tudo, acreditámos em tudo, chorámos e também odiámos, e amámos, as filhas da putice e as juras de paixão eterna. Depois deste beijo, nunca mais fomos os mesmos. O amor é um gajo estranho.

“Game of Thrones”

As apostas eram baixas mas a estreia da adaptação televisiva da obra de George R. Martin acabou por contornar o pessimismo inicial. Uma trama que não cedeu aos twists improvisados de uma miríade de outras séries, “Game of Thrones” convenceu logo no início da sua estreia na Primavera passada pela construção da trama e pela espectacularidade técnica. Mas não só. O recurso a uma imponente paisagem natural forneceu-lhe o derradeiro aport que arrebatou audiências.

“Breaking Bad”

Será que estamos perante uma série da relevância de “Os Sopranos”, “The Wire” ou “Sete Palmos de Terra”? Por enquanto, trata-se apenas de “Breaking Bad”, a quarta temporada, que salvo algum cataclismo há-de ambicionar a um lugar nos altares da American Movie Classics. Mais depurada de humor negro e ancorada num retrato-verdade da miséria humana, é uma questão de temporadas antes de se tornar na next big thing.

“Homeland”

O melhor episódio de todos os episódios do ano? Um palpite, “The Weekend”, o número sete da primeira série de “Homeland”, da Showtime, a estrela da reentré nos Estados Unidos. Em redor da paranóia securitária e dos mitos e fantasmas contemporâneos da política norte-americana, na linha de “24” e “Rubicão”, arrancou com 12 episódios na primeira temporada que só auguram uma escalada na qualidade da segunda.

“Boardwalk Empire”

Uma produção impecável que, aparentemente, garantiria um êxito assinalável. Certo? Certo e, no entanto, o argumento não convencia totalmente. Faltava-lhe um golpe de asa, uma alma que a série acabou por conquistar na segunda temporada graças a uma arquitectura construída ao milímetro e que redundou naquele épico grand finale.

“Downton Abbey”

Porque as produções europeias não desistiram do campeonato, eis uma série (da britânica ITV) que se tornou irresistível para os seus seguidores. Daí o galardão do maior número de nomeações para os Globos de Ouro. Apesar do tom telenovelesco latente desde o início, o certo é que o engenho dos argumentistas, e o charme do ambiente e guarda-roupa de época, conseguiram entregar-lhe um substrato que a tornou a trama irresistível. No dia de Natal, foi emitido um episódio de duas horas que os criadores garantiam seria “o mais dramático até agora visto” no Reino Unido.

“Fringe”

Merecia entrar na lista? À terceira temporada, o élan de Fringe não assegurava qualquer continuidade. E, no entanto, a série moveu-se. A mudança de cenário reconquistou a vitalidade que parecia perdida e ei-la no ranking das mais vistas e seguidas do ano. Afectada pelas renovações do elenco, Fringe entra segura (até quando?) e com um novo dinamismo na quinta e última temporada. Isto se os criadores cumprirem os planos iniciais.

“Justified”

“You’ll neve leave Harlem alive” jurava a canção que encerrava a primeira temporada de “Justified”. A série merece, de pleno mérito, um lugar nos dez mais do ano. Se, em Janeiro, já o carácter justiceiro e algo fordiano do marshal tinha seduzido aquela América sem lei a leste do rio Pecos, a segunda temporada da série catapultou a estética western de “Justified” para os primeiros lugares das preferências. Porque, na verdade, Raylan Givens não é um mau carácter. É, apenas, um homem imperfeito.

“Friday Night Lights”

E a propósito de alma americana, aqui está Friday Night Light, glosa sobre a identificação extrema de um pequeno povoado dos Estados Unidos com a sua equipa de futebol, desenho  sociológico das entranhas dessa América do Bible Belt tantas vezes excluída do glamour das séries de televisão. Isto não é apenas futebol, como diz o treinador Taylor. Isto é como essa mesma América consegue (ou não) extirpar os seus demónios. Vencedora de dois Emmys.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s