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Rui Rocha, o poeta

Depois de ceder ao desafio de amigos, o director do IPOR apresenta, no próximo dia 23, “A Oriente do Silêncio”. Um livro de poesia, dividido em seis capítulos, onde emerge a admiração pela beleza e pelo despojamento da natureza.

 

As tradições poéticas orientais fascinam Rui Rocha. “Talvez por raízes filogenéticas”, confessa, pouco tempo depois de inaugurada a conversa sobre o seu mais recente livro, “A Oriente do Silêncio”.

“Sinto-me à vontade numa poesia menos discursiva, mais subliminar. É o silêncio que configura o sentido de uma frase e, nesse exercício, é interessante perceber toda a lógica de uma visão poética do mundo”, começa por explicar o autor que admite também a sua “admiração sublime” pelos elementos naturais. “A narrativa poética, no Oriente, tem muito que ver com a natureza. Aliás, os poetas orientais são poetas da natureza e produzem um discurso muito ligado a coisas modestas.”

Com este “bom acidente”, que será editado pela Esfera do Caos no próximo dia 23, o presidente do Instituto Português do Oriente (IPOR) estreia-se, pelo menos mediaticamente, na poesia.

“O livro não estava perdido na gaveta. Estava, sim, muito bem guardado. Simplesmente por interesse de algumas pessoas que tiveram a possibilidade de avaliar – e até por descuido meu – o que tenho escrito, consideraram que tinha qualidade para ser publicado. Isso causou-me alguma preocupação porque, de facto, não me agradava particularmente a visibilidade daquilo que eu escrevia. Mas, enfim, já estou conformado com a ideia”, revela Rui Rocha.

Na nova obra, dividida em seis capítulos independentes entre si, há duas referências a artistas de eleição do presidente do IPOR. Primeiro, ao pintor Wang Wei que tem “uma grande ligação às questões do quotidiano de Macau, numa perspectiva da poesia chinesa”. Depois, ao poeta-maior de Portugal. “É um discurso poético sobre a forma de Fernando Pessoa ser Fernando Pessoa. Neste caso, um pouco mais Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis.”

Sem adiantar a possibilidade de editar outros livros de poesia – “já estão escritas outras coisas” –, o autor revela o desejo de publicar uma versão chinesa da obra: “É capaz de ser interessante, até porque, em Macau, a relação dos poetas falantes de português e dos falantes de chinês é difícil. Não se entendem porque não falam a mesma língua. Não são interlocutores culturais”.

Rejeitando “conceito complexo” de inspiração, o autor de “A Oriente do Silêncio” apenas crê que todo o ser humano “exprime uma cosmo-visão”, através das formas mais diversas. “Alguns até exprimem não exprimindo. Creio que todos nós somos escritores, somos poetas. Somos músicos sem pauta, sem folhas brancas, por vezes com uma eloquência e profundidade que muitos que escrevem não a têm”, atira.

 

Porquê a poesia?

 

“O pintor quando pinta não sabe por que é que pinta. Sente vontade de o fazer. E, de certa forma, foi o que aconteceu. Houve vontade de exprimir alguns sentimentos, algumas visões sobre o mundo”, justifica Rui Rocha. Mesmo assim, nega que a leitura do livro possa ser o passaporte para a sua intimidade. “Não acredito que a arte, seja ela qual for, transmita a maneira de ser, a personalidade” porque “a vida do poeta é sempre muito ambivalente e o ser humano é muito complexo”.

Por isso mesmo, impõe-se um distanciamento na análise de uma obra. O mesmo que aponta ser necessário ter quando se lê Ezra Pound, “que era fascista”, ou Saramago, “um estalinista”. P.G.

 

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2 thoughts on “Rui Rocha, o poeta

  1. Estimado Rui Rocha,
    Que alegria e que prazer terei em ler este livro de poesias.
    Estando geograficamente bem a oeste do “Oriente do Silêncio”, já estou ansiosa por mergulhar nessa leitura, onde acredito, o silêncio muitas vezes fala mais alto, e une universos tão próximos e tão distantes.
    Parabéns pela publicação.
    Ana Clotilde

  2. Prezado Rui,

    desde o Brasil, o cumprimentamos.
    Já enviei uma mensagem mas não obtive resposta, daí, estou reiterando os abraços e cumprimentos pelo seu site, pelo conteúdo e excelentes imagens. Fizemos uma proveitosa e demorada visita.
    Parabéns.
    Gostaríamos muito de incluir vc. num projeto de Poesia que estamos coordenando, de âmbito internacional, que vai acontecer entre 10 e 22 de maio próximo no Brasil e em países de língua portuguesa, por toda sua atuação e seu trabalho na área.
    Trata-se de projeto simples, espontâneo, não envolve recursos financeiros, porém, é realizado com leituras e/outras ações em torno da Poesia; e, basicamente, com contatos pela internet; caso lhe interesse, dê retorno e vamos conversar a respeito. Vc. seria o organizador local e o projeto pode ser realizado em seu contexto pessoal ou profissional, como queira.
    Responda pelo meu e-mail pessoal: m.rmoura@yahoo.com.br e trocaremos ideia sobre o asssunto.
    Fortes abraços nossos e responda com a possível brevidade.
    Maria Regina Moura
    Maricá/Rio de Janeiro/ Brasil

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