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O regresso dos salvadores

Pedro Galinha

 

O ano de 2011 ficou lá para trás, mas vale a pena regressar a ele. É cedo e já devíamos ter a cabeça no novo ano – uma verdade, indiscutível. Só que em matéria de lançamentos discográficos a coisa ainda vai demorar até pegar. Por isso, pegamos no duo The Black Keys e no último álbum da banda norte-americana: “El Camino”.

Para quem gosta de rock, estes gajos não são só pose. Até podem calçar umas botas em bico de quando em vez e usar casacos de cabedal ou camisas aos quadrados. No entanto, é a música que interessa e a herança que nos deixam tem sido construída desde 2002, altura em que gravaram o primeiro longa duração, intitulado “The Big Come Up”. O augúrio foi mais do que bom e, depois, conhecemos “Thickfreakness” (2003), “Rubber Factory” (2004), “Magic Potion” (2006), “Attack & Release” (2008) e “Brothers” (2010). Este último, valeu-lhes prémios e o devido reconhecimento que já mereciam. Mas vamos a “El Camino”.

Co-produzido por Danger Mouse, o último álbum da banda de Dan Auerbach (guitarra/voz) e Patrick Carney (bateria) mostra novamente a influência de sonoridades norte-americanas de outros tempos. Ou seja, há rock ‘n’ rol e soul neste pedaço de genialidade que abre com “Lonely Boy”. Canção pujante com direito a um vídeo hilariante. A ver.

Depois, os Black Keys servem-nos “Dead and Gone”. Aqui, há dedo de Brian Burton. Perdão. De Danger Mouse. Segue-se “Gold On the Ceiling” que nos leva a exclamar uma qualquer asneirada feia, não para insultar estes tipos. É que, aqui, há um delicioso solo de guitarra – q.b. distorcida – teclas, claro está, à Black Keys e toda uma produção cuidada que, no fim, lembra-nos o glam dos T-Rex.

Com “Little Black Submarines”, a voz de Dan Auerbach molda-se à guitarra acústica de uma forma pouco comum no reportório do grupo proveniente de Akron, no estado de Ohio. Podia parecer um tanto ao quanto folk, mas lá para o meio a coisa ganha força com o som a ser rasgado por uma tremenda guitarrada com direito à não menos poderosa bateria de Patrick Carney.

Em “Money Maker”, Dan diz-nos “I wanna buy some time/ But don’t have a dime”. Prova de que as letras do duo continuam simples, descomprometidas e, quase sempre, com a sua dose de piada à mistura com lamentos de amor. É o que acontece, por exemplo, em “Run Right Back”. A miúda que serve de inspiração foi a pior coisa que o viciou. Mas, mesmo assim, é impensável deixá-la.

“Sister” faz-nos viajar, uma vez mais, ao tal universo glam de que já falámos – sempre com direito a bater o pé – e “Hell of a Season” regressa ao estilo “Lonely Boy” que abre o disco. “Hell of a Season”, “Nova Baby” (apresenta uma bela linha de baixo) e “Mind Eraser” completam “El Camino” que pode muito bem ser o seu passaporte para a felicidade. Pelo menos durante a audição das onze faixas que compõem o registo mais coeso dos Black Keys, desde que iniciaram a carreira, em 2001.

Por exemplo, em comparação com “Brothers”, vencedor de Grammys, há logo algo que podemos antever: do estúdio para os palcos, as canções do novo álbum não devem perder força. Um dos handicaps de algumas músicas do disco anterior.

O foco sobre os blues, recorrente até então, é também menos marcante e os membros da banda assumem que no mais recente álbum, editado nos primeiros dias de Dezembro último, as melodias prevaleceram sobre as letras. Pormenores, diríamos. Porque estamos a falar dos Black Keys. Os tais que bem poderiam ser considerados de salvadores do rock ‘n’ rol, no século XXI.

 

El Camino

The Black Keys, 2011

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