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A Ásia que habita Portugal

Desde Maio de 2008 que o Museu do Oriente, em Lisboa, oferece aos seus visitantes a oportunidade de entrar numa pequena parte da Ásia. China, Japão, Índia ou Tailândia são alguns dos países representados num espólio que não esquece a ligação portuguesa a Macau.

Pedro Galinha

A Lisboa que habita as margens do Tejo não respira apenas o que Portugal tem de mais tradicional e distintivo. A provar isso mesmo está o Museu do Oriente, localizado na zona de Alcântara. Ali, a importância da valorização dos testemunhos quer da presença portuguesa na Ásia, quer das distintas culturas asiáticas ganha a dimensão que tantos reclamam.

“O público tem aderido muito bem às actividades do museu. Entendemo-lo como um ser vivo, não como um depósito de colecções em vitrinas. As duas colecções principais são muito apreciadas, bem como o modo como são apresentadas. E até a própria arquitectura do edifício que, como é sabido, foi transformado de armazém frigorífico em museu”, explica João Amorim.

O director-coordenador do Museu do Oriente garante que “o acervo permite uma boa rotação de peças e colecções”, uma das razões que pode estar por detrás do sucesso do espaço: “Desde a abertura, em Maio de 2008, temos uma média de mais de 90 mil visitantes por ano. E em 2011 crescemos cerca de cinco por cento”.

Neste momento, o serviço educativo garante visitas guiadas à exposição permanente “Presença Portuguesa na Ásia” e à colecção Kwok On de arte popular asiática que, a partir de hoje, terá parte do espólio exposto na Casa Garden.

Da programação do museu constam também exposições temporárias “para divulgação das artes visuais do Oriente”. “Temos em exibição a exposição ‘Brinquedos e Jogos da Ásia’, organizada a partir da nossa colecção e reforçada com empréstimos de coleccionadores, que já recebeu milhares de visitantes, justificando o seu prolongamento até Março de 2012”, esclarece João Amorim.

Desde o início de Dezembro, o Museu do Oriente também oferece a possibilidade de visitar “Tinta da China – Pintura Chinesa Contemporânea”. Uma exposição organizada em colaboração com a Associação de Artistas da China.

Para trás, em 2011, ficaram ainda as exibições de “Acessórios Imaginários”, de artistas de Macau, organizada com a AFA e comissariada por José Drummond, “Olhem para Nós! A Nova Geração de Jovens Artistas Chineses”, co-organizada com a Associação Internacional de Cultura da China, e “Encomendas Namban – Os Portugueses no Japão da Idade Moderna”.

Num sem-número de actividades, há ainda espaço, tempo e recursos para potenciar um centro de documentação. “Além de ter um vasto espólio sobre a cultura asiática e a presença portuguesa no Oriente, à disposição de estudantes, investigadores e público em geral, promove também palestras, workshops, como por exemplo de caligrafia chinesa, e uma festa do livro”, esclarece o responsável do museu.

O centro dispõe também de uma “interessante colecção de fotografias de Macau e de uma importante colecção de audiovisuais, onde se destaca um núcleo de mais de um milhar de discos de ópera cantonense, com gravações de cantores famosos da primeira metade do século XX”.

O Museu do Oriente, que ao longo dos anos foi acolhendo conferências e cursos, recebe regularmente espectáculos, muitos deles relacionados com o Oriente. Casos de grupos de dança e marionetas chinesas, aos quais se juntam ainda apresentações de música moderna de Macau e Hong Kong.

Mudar as mentalidades

Numa altura em que muitos portugueses olham para o Oriente como uma região de oportunidades, João Amorim não tem dúvidas de que o museu pode proporcionar uma espécie de pré-estágio para quem apostar na mudança. “O Museu do Oriente proporciona, sem dúvida, essa possibilidade. Existe uma grande curiosidade do público português em relação à cultura e às realidades actuais da Ásia. O museu tenta dar resposta a esta procura de conhecimento”, esclarece o director-coordenador do espaço. P.G.

Macau na agenda

João Amorim não descarta a possibilidade de ter Macau na agenda das actividades do museu. “Continuaremos a projectar e a levar exposições, e temos em estudo várias propostas de cooperação com os museus de Macau para intercâmbio de exposições”, adianta sem grandes pormenores. No entanto, reitera total abertura para consolidar a colaboração que existe com Portugal: “O Museu do Oriente está disponível para acolher as propostas que, em matéria de exposições ou de outras áreas culturais, o território nos queira propor”.

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