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Simplesmente Bon Iver

“For Emma, Forever Ago” (2008) já antevia o que Justin Vernon poderia fazer: grandes canções. Não é, pois, de estranhar que o último álbum de Bon Iver, agora em formato banda, seja um dos grandes de 2011. Mas com as devidas novidades.

Lê-se por esse mundo dos “três W’s” que, depois da edição do primeiro disco, Vernon não conseguia pegar na sua guitarra acústica e fazer aquilo que melhor sabe. Ao interregno criativo, seguiu-se a colaboração pouco provável com Kanye West e o trabalho com o supergrupo Gayngs, que junta nomes dos Megafaun, The Rosebuds e Solid Gold.

No meio de tudo, o americano lá encontrou um rumo e já com material escrito decidiu abrir as portas do seu mundo a alguns músicos, entre eles o saxofonista Colin Stetson e o guitarrista Greg Leisz. E foi com eles, e mais uns quantos, que a obra se fez, resultando em “Bon Iver”.

Em termos sonoros, há mais cuidado com a orquestração dos temas, até porque vivem de guitarras, teclas, vibrafones, violinos, banjos, pratos, palmas, belos coros e até sintetizadores. A componente electrónica tem, por isso, uma palavra a dizer, num disco em que se plasmam uma série de influências pop, folk e rock dos idos anos de 1980.

Síntese de tudo isto é “Calgary”. Um regalo de quatro minutos e 11 segundos que transpira honestidade. A todos os níveis. E só peca por não se prolongar para todo o sempre, o que nos obriga a premir, vezes sem conta, a tecla “play”.

Antes deste hino, há outras viagens pelas paisagens do universo Bon Iver. Em “Perth”, canção inaugural do disco, a intensidade da percussão ganha contornos de parada militar. Depois, segue-se “Minnesota, WI” que comprova o facto de estarmos na presença de um álbum com estruturas de canções diferentes das do anterior, sem coordenadas estilísticas definidas.

No entanto, há momentos que nos recordam o barbudo Vernon de “For Emma, Forever Ago”. “Holocene” e “Towers” são os dois casos flagrantes e elevam a máxima de que nada é mais belo do que a simplicidade.

De sentimento comovedor é “Michicant”. Com o recurso a sons elementares, cria uma atmosfera de sonho prolongada em “Hinnom, TX”. Só que neste caso, e ao contrário da faixa anterior, deparamo-nos com uma ambiência própria criada pelo som de um piano e pela voz menos forçada do mentor do projecto Bon Iver.

Já em falsete – uma das marcas de Justin Vernon –, mas ainda com recurso às teclas, encontramos “Wash”, talvez o momento mais brando de todo o álbum.

Na recta final, e depois de “Calgary”, deparamo-nos com a atmosférica “Lisbon, OH”. Um interlúdio instrumental que antecede “Beth/Rest”. Aqui, são claras as influências dos anos 80 do século XX. Aliás, parece que em vez de Bon Iver temos Phil Collins ou até Lionel Richie a fechar o álbum. Bom ou não, eis a questão.

Mesmo assim, o que fica deste conjunto de dez canções é claro: Bon Iver é um dos melhores álbuns editados em 2011 e não deve ficar esquecido no baú com a etiqueta desse ano. É que não é todos os dias que nos envolvemos num projecto que cresce à medida que é escutado e que, no futuro, só pode ser melhor. Pelo menos, assim esperamos.

Bon Iver

Bon Iver, 2011

Pedro Galinha

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