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Mais do que moderna

É certo que todas as famílias têm problemas, mas nem todas conseguem ser divertidas como os Pritchetts. Mesmo quando o assunto é sério.

Prestes a chegar ao fim da terceira série nos Estados Unidos (ABC), “Modern Familiy” continua a prender no sofá milhares de telespectadores em todo o mundo. Para cativar o público, foi usada uma receita simples, mas com uns quantos ingredientes que fazem a diferença.

De facto, na comédia de Christopher Lloyd e Steven Levitan há o marido e pai infantil, a exemplar esposa e mãe, a filha adolescente com as hormonas aos saltos e ainda um casal de gays. Há tudo isto, sim, mas há muito mais.

Numa espécie de “pseudodocumentário”, os também criadores da premiada série “Frasier” abrem-nos as portas de uma família cujo patriarca, Jay Pritchett (Ed O’Neill), anda na casa dos 60 e tem dois filhos: Claire (Julie Bowen) e Mitchell (Jesse Tyler Fergunson).

Dona de casa insegura e meio nervosinha, a filha é mãe de duas crianças e de uma pré-adolescente. Três fontes de problemas? Não. É que lá em casa mora Phil (Ty Burrell). O marido que, além de ser palerma de quando em vez, quer agradar a todo o custo ao sogro.

Já Mitchell é um advogado chato com a vida amorosa resolvida ao lado do rechonchudo Cameron (Eric Stonestreet). Sim, é um parzinho homossexual que até já tem uma filha importada do Vietname.

Depois, há também a nova e bela esposa colombiana de Jay, Gloria (Sofía Vergara), mãe de Manny (Rico Rodriguez) que é bem capaz de ser uma das grandes surpresas do elenco. É que o simpático gordinho de 11 anos acha-se já um adulto. Delicioso.

Para quem vive de coisas politicamente incorrectas, o argumento de “Modern Family” também oferece boas gargalhadas, já que grande parte das personagens são estereotipadas. Além disso, recorre-se, em diversos momentos, ao preconceito e ao cliché. Alvos: pobreza de países subdesenvolvidos, imigrantes ilegais, homossexuais, rotina no casamento ou crise profissional.

Um dos focos mais marcados do argumento é também a educação. O experiente Jay não quer repetir com o enteado os erros do casamento anterior. E Julie e Mitchell não pretendem dar aos seus filhos os maus exemplos que tiveram com os pais.

É precisamente sobre isto, e outras quotidianas e banais preocupações, que as personagens vão fazendo um relatório daquilo que pensam ao estilo “The Office”. Sozinhos ou em conjunto, falam para uma câmara, interagem e, muitas vezes, é “a morte do artista”. Porque são muitas as máscaras que caem quando se confidenciam desejos íntimos, opiniões e maldizeres que não mostram nas cenas.

Dois dos grandes trunfos de “Modern Family” são o elenco e o argumento. Quase nada soa a forçado e os pequenos episódios (cerca de 30 minutos) parecem ainda mais minúsculos pela forma hábil como estão escritos. Especialmente na primeira série, a mais recomendada, que valeu inúmeros prémios de televisão.

Por agora, críticos e telespectadores aguardam pelo último capítulo da saga da família Pritchett. Mas já se vão ouvindo vozes sobre a perda de fôlego da trama, em parte, desde a segunda série. Reclama-se maior desenvolvimento das personagens, até porque há um concorrente de luxo nesta história das séries televisionadas. Sim, falamos de “Community”. Uma série inovadora que torna “Modern Family” numa comédia mais tradicional. Aguardamos pelo futuro.

Modern Family

Christopher Lloyd e Steven Levitan

 

Pedro Galinha

 

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