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Largo da saudade

É do Lilau, mas podia ser da Saudade porque, aqui, respira-se isso mesmo. Uma saudade de tempos idos que nos recordam o que fomos.

A este que foi um dos primeiros bairros residenciais portugueses de Macau, apetece chamar “casa” – e tratar por “tu” quem por ali passa. Não fosse a arquitectura tradicional chinesa da vizinha Casa do Mandarim, que contrasta com as características tipicamente mediterrânicas das habitações que circundam o Largo do Lilau, certamente que assim seria.

Se pertencemos aqui? Um pouco. Por motivos históricos e culturais, mas também devido ao imaginário que este lugar nos oferece.

Há uns anos atrás, neste mesmo local, não havia bola que escapasse a uns pontapés. E em dias de calor, a água que por ali corre, num dos cantos, serviria de antídoto revigorante.

Diziam os antigos que “Aquele que beber da água do Lilau, jamais esquecerá Macau”, expressando a ligação nostálgica dos habitantes ao Largo. Ligação essa que nos transporta até aos tempos em que os depósitos de água subterrânea desta zona eram a principal fonte de água natural de Macau.

Nem tudo sobreviveu a esses tempos. Mas o que ficou sintetiza bem a fusão de conceitos arquitectónicos e urbanos ocidentais e chineses que existem no território.

Nesta comunhão, que aqui não é mais do que natural, observamos ainda o convívio harmonioso entre as árvores-de-pagode e os candeeiros de cor verde cravados na calçada já gasta. Neles, penduram-se flores que dão mais cor a um espaço que convida a encontros, leituras, contemplações ou sonhos.

O silêncio que quase sempre reina tem uma explicação. Quase ninguém aqui vive. Quase ninguém abre e fecha as portadas das janelas ao entardecer.

O pouco movimento rotineiro que existe passa por um tradicional quiosque, bem ao estilo português, carregado de postais para turista ver. Poucos se detêm ali para comprar algo e nem mesmo os galos de Barcelos merecem um olhar mais atento. A excepção são mesmo as bebidas e refrigerantes que fazem a delícia dos mais novos, sempre acompanhados pelos pais, e que raramente arriscam uma correria desenfreada pelo largo. Os pássaros agradecem, ao mesmo tempo que bicam uma ou outra migalha amiga.

Quando o objecto de interesse acaba, é tempo de voar para outras paragens. E, no nosso caso, isso passa, por exemplo, pela Rua Padre António ou pela Calçada da Barra que desemboca em mais umas quantas paragens do Centro Histórico de Macau. P.G.

 

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