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A política em sexy

Imaginemos que Martin Sheen é Presidente dos Estados Unidos. Que a política se rege por princípios de honestidade, em prol dos mais frágeis e pela liberdade. Que a máquina do regime é transparente e tem sempre os interesses dos cidadãos em mente.

“West Wing” não é uma série para os amantes da propaganda norte-americana, mas para os que ainda acreditam nos valores do mundo ocidental e, acima de tudo, para aqueles que apreciam uma boa trama política.

Passado na ala oeste da Casa Branca, onde fica localizada a Sala Oval e onde trabalha o staff mais próximo do Presidente, incluindo a equipa de comunicação, “West Wing” incide sobre o dia-a-dia da administração Bartlet. O chefe de Estado está rodeado de fiéis conselheiros e spin doctors que o ajudam a lidar com a imprensa nacional, a dialogar com difíceis líderes internacionais e que garantem, pelo menos uma vez, a sua reeleição.

C.J. (Allison Janney) é a secretária de imprensa, Toby Ziegler (Richard Schiff) o director de comunicação, Sam Seaborn (Rob Lowe) o seu assistente, Leo McGarry (John Spencer) é o chefe de gabinete do Presidente e Josh Lyman (Bradley Whitford) o vice-chefe. É este o núcleo duro de “West Wing”, complementado pela primeira-dama Abigail (Stockard Channing), pela filha mais nova do Presidente, Zoey (Elisabeth Moss), e pelo assistente pessoal de Bartlet, Charlie Young (Dulé Hill). Com excepção da sétima e última temporada, acompanhamos o quotidiano – em nada rotineiro – destas personagens, onde a linha entre a vida profissional e pessoal não é ténue: é inexistente.

Os horários são eternos, a dedicação também. Josiah Bartlet, Jed para os amigos, é um Presidente democrata, idealizado por Aaron Sorkin, com sentido de humor e pose de estadista. Com a sua equipa mantém uma relação de amizade e confiança que, a pouco e pouco, vai sendo dada a conhecer ao público.

Os destinos da nação começam a ser debatidos, muitas vezes, em acesas discussões pelos corredores agitados da West Wing. Os telefones tocam, os faxes não param de chegar e há sempre alguém a acorrer a uma emergência. A série ficou conhecida por ser acompanhada pela verdadeira equipa da Casa Branca, que chegou a dizer que a sede do Governo é habitualmente bem mais calma do que aquela que foi retratada na televisão.

Sam é um idealista bem-intencionado que divide o tempo a defender o sistema de educação e a criar, com astúcia e inteligência, discursos daqueles que arrepiam e fazem os olhos lacrimejar – e isto tudo antes da era Obama. Josh é a personificação do stress, da frustração, um entusiasta que vibra com os altos e baixos do jogo político. Toby é um judeu deprimido e neurótico, eternamente pessimista mas nunca apagado. C.J. é a única assessora de imprensa que realmente gosta dos jornalistas que lhe colocam perguntas tramadas – e de um, em especial, acima dos outros.

Em “West Wing” acontece tudo o que é preciso para manter elevados os níveis de interesse. Há escândalos, doenças graves, conflitos internacionais com chineses e outros malfeitores, um rapto da Bartlet mais nova e um atentado com muito derramamento de sangue.

Na sétima temporada, Jed cede lugar às novas gerações. Entra em campo um candidato democrata fresco e irreverente. A personagem de Matt Santos –  jovem, latino e carismático –  foi inspirada num certo senador afro-americano do Estado de Illinois. Matt vence as eleições em 2006 e Obama entra na Sala Oval em 2009. Um caso em que a ficção antecipou a realidade.

Inês Santinhos Gonçalves

 

West Wing

Aaron Sorkin, 1999

 

 

 

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