Uncategorized

O Verão aqui tão perto

É uma música delicada aquela que é feita pelos Real Estate. Vive de melodias bem construídas e de uma simplicidade idílica, que não soa a qualquer tipo de pretensão. Foi assim em 2009, com o álbum homónimo de estreia, e foi assim em 2011, com o lançamento de “Days”.

Para a história, o segundo álbum da banda de New Jersey – agora estabelecida em Brooklyn, Nova Iorque – fica como um dos mais reconhecidos do último ano e pode facilmente assumir-se como a banda sonora ideal para os dias mais cinzentões. É que cada acorde e cada palavra parecem ser um raio de sol que nos invade e ilumina a nossa existência.

“Easy” e “Green Aisles” são os dois primeiros cartões-de-visita de “Days”. Em ambas, podemos sentir um cuidado extremo na feitura de cada uma das camadas que compõem as canções. O mesmo se passa com a orelhuda e bem mais pop “It’s Real”, em que a guitarra de Matt Mondanile – o homem por detrás do projecto Ducktails – sobressai em relação aos restantes instrumentos.

Até aqui, podemos dizer que neste disco nada parece falhar. E, por isso, a fórmula utilizada nas primeiras músicas vai sendo reinventada durante os 41 minutos que compõem um álbum marcado por uma nostalgia boa. Expoente máximo desta é a instrumental “Kinder Blumen”, à qual se segue “Out Of Tune” que, curiosamente, soa – à sua maneira – a um clássico do rock. Falamos de “Rebel Rebel” de David Bowie (“Diamond Dogs”, 1974).

A frescura continua com “Municipality” e “Wonder Years”. Uma canção que transparece genuinidade e que vive de um “doo-doo-doo” que apetece acompanhar. O mesmo se passa com “Three Blocks”, que antecipa o final que nos chega com “Younger Than Yesterday” e “All the Same”.

No conjunto, as dez canções de “Days” funcionam como um bloco que merece ser escutado de enfiada e entre momentos de reflexão (cai que nem uma luva enquanto se estuda). Tudo porque a produção do álbum foi esmerada ao máximo, graças ao trabalho de Kevin McMahon (The Walkmen, por exemplo).

Além disso, as canções hipnóticas do quinteto têm ainda uma outra particularidade: reflectem uma vida à margem da confusão dos grandes centros urbanos. Convidam, por isso, à meditação, à partilha, à viagem. E fazem-nos ainda lembrar uns tipos chamados Pavement, liderados pelo mui respeitável Stephen Malkmus, ou os Shins que, este ano, lançam novo álbum, intitulado “Port of Morrow”, e cuja faixa “Simple Song” já roda nas principais rádios de todo o mundo.

Days, 2011

Real Estate

 

Pedro Galinha

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s