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A Riviera dos Metronomy

Pedro Galinha

É um amor de Verão o último álbum dos britânicos Metronomy. No início, gosta-se muito. Depois, vicia a espaços. E, no final, deixa uma inesquecível sensação. Boa ou má, eis a questão. Mas já lá vamos.

Em Abril do ano passado, “English Riviera” apareceu como uma lufada de ar nos lançamentos musicais que até então tinham sido feitos. As dúvidas estavam, desta forma, desfeitas quanto ao possível efeito da partida de um dos co-fundadores do grupo, Gabriel Stebbing, em 2008.

É certo que os Metronomy perderam um “soldado”, mas ganharam outros dois. Isto porque Joseph Mount e Oscar Cash passaram a partilhar as responsabilidades da banda com o talentoso baixista Gbenga Adelekan e a baterista Anna Prior (ex-Lightspeed Champion). Dois reforços de peso que influenciam – e em muito – a sonoridade do álbum de 2011.

Mais pop do que marcadamente electrónico, “English Riviera” tem linhas de baixo deliciosas que aprumam composições simples, mas que não nos deixam ficar sem bater o pé. Em “We Broke Free”, canção cantada num maravilhoso falsete repleto de coros, sente-se um “feeling” especial que se repete à medida que, insistentemente, se ouve a frase “Thank God, the gold is mine”.

O prenúncio estava dado e “Everything Goes My Way” confirma as boas impressões. Além disso, tem um trunfo: a voz de Roxanne Clifford (Veronica Falls) que se junta à de Mount numa combinação quase perfeita.

“The Look”, um dos singles mais aclamados, alinha-se naquilo que ficou para trás. É orelhuda, envolve o ouvinte e, durante uns bons minutos, é capaz de ficar em “repeat”. É que as teclas soam a um órgão obsoleto, mas cool e, mais uma vez, é irrepreensível a forma como o baixo de Gbenga Adelekan ecoa.

A romântica/lamechas “Trouble” segue-se a “She Wants” e antecede outro dos sucessos do terceiro disco dos Metronomy, “The Bay”. Também aqui, à semelhança de “The Look”, o destaque vai não só para o baixista, como também para as teclas que encaixam na perfeição na forma como a canção foi construída. Isto sem esquecer um solo sacado pela guitarra de Joseph Mount.

“Loving Arm” é a senhora que segue sob a capa da recordação. Mais do que qualquer outra faixa, esta faz lembrar algum do material produzido anteriormente pelo grupo que também é conhecido pelas remisturas de artistas conhecidos, como Lady Gaga, Gorillaz ou Franz Ferdinand (neste caso, o grande culpado é Mount).

Com “Corinne”, “Some Written” e “Love Underlined” chegamos ao fim de “English Riviera”. Um disco que, da melhor forma, cumpre com o papel de entreter quem o ouve. Daí a história dos amores de Verão: marcam-nos e fazem-nos passar bons bocados. Mas será que conseguem ir além disso, envolvendo-nos a um nível físico e emocional elevado? Esta é também a pergunta que fica depois da audição do último álbum dos Metronomy que, mesmo assim, não deixa de ser indiscutivelmente sedutor.

 

English Riviera, 2011

Metronomy

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