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Teremos sempre Berlim

 

Dois realizadores portugueses e um conjunto de filmes asiáticos ganharam, este ano, o direito de estar sob as luzes da ribalta do Festival Internacional de Cinema de Berlim. Será que vão sair vencedores?

 

Pedro Galinha

 

Até domingo, Berlim exala cinema e isso sente-se. Sente-se porque em mais de 20 salas de cinema já passaram e ainda vão passar cerca de 400 filmes. Entre estes, estão duas obras de realizadores portugueses.

Tanto “Tabú”, realizado por Miguel Gomes, como a curta-metragem “Rafa”, assinada por João Salaviza, foram seleccionados para os Ursos de Ouro, prémio máximo do Berlinale. Caberá ao júri liderado pelo director britânico Mike Leigh decidir amanhã se os portugueses levam ou não a estatueta arrecada no ano passado ao iraniano Asghar Farhadi por “Uma Separação”.

No entanto, uma das grandes notas de destaque vai para o cinema asiático que, em 2012, “tomou de assalto” o Festival Internacional de Cinema de Berlim (9 a 19 de Fevereiro) com três estreias que chegam pela mão de alguns dos cineastas mais vibrantes da região. Também eles, à semelhança de Miguel Gomes, concorrem a melhor longa-metragem na 62ª edição do certame – ao todo foram seleccionadas 18 obras.

Da Indonésia surge o realizador Edwin que explora as preocupações sobre a solidão e o isolamento no filme “Postcards From The Zoo”. Já o filipino Brillante Mendoza, autor de “Captive”, e o chinês Wang Quan’an, com “White Deer Plain”, retratam momentos cruciais da história das suas nações.

Com este último, Berlim voltou a conhecer um dos lados negros do Continente: a censura. “Ainda existe e mesmo antes do início das filmagens foram levantadas questões pelas autoridades”, disse aos jornalistas o realizador que captou a mudança social e política que tomou conta da China moderna.

Apesar do reconhecimento fora de portas, um dos grandes desafios destes realizadores continua a passar por cativar público nos próprios países de onde são naturais. A inclusão de actores estrangeiros pode ser uma das jogadas possíveis. Zhang Yimou, realizador do Continente que apresentou no festival “The Flowers of War”, fez isso mesmo com o britânico Christian Bale. O filme, contudo, não faz parte da competição principal.

Já o filme de Mendoza conta com a actriz francesa Isabelle Huppert que interpreta o papel de uma voluntária nas Filipinas que é sequestrada num resort por um grupo radical islâmico. A violência e a crueldade são, por isso, ingredientes fortes do seu “Captive”.

“Como cineastas somos responsáveis pelo que está a acontecer à nossa volta”, disse aos jornalistas, em Berlim, o realizador de 51 anos. “Há uma série de coisas que estão a acontecer e que têm de ser contada”, rematou.

Outro dos filmes asiáticos que marca presença em Berlim, mas que está fora da competição, é “Flying Swords Of Dragon Gate”, de Tsui Hark. A longa-metragem, gravada em três dimensões, é protagonizada por Jet Li e oferece aos espectadores a receita do costume: acção, efeitos especiais e uma história de amor impossível.

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