Uncategorized

No corpo de Pakeong

O presente, sem esquecer o passado, agora a cores. É disto que é feita a exposição “Soul OUT!” de Pakeong Sequeira. Ontem abriu portas na AFA.

Pedro Galinha

Ao entrarmos na exposição “Soul OUT!”, de Fortes Pakeong Sequeira, temos direito de invadir a sua vida, sem que ele se importe. Porquê? Porque foi esta a forma que o multifacetado artista de Macau encontrou para comunicar e, de certa forma, exorcizar demónios passados.

“Esta exposição tem trabalhos muito diferentes dos meus anteriores. É um grande salto porque apresento algumas cores. Costumava pintar a preto e branco, mas agora – que sinto mais amor na minha vida – decidi mudar um pouco”, revela.

A infância atribulada de Pakeong marcou não só a sua personalidade, como também o trabalho artístico que desenvolve. Este aspecto é, aliás, realçado pela curadora da exposição: “A exposição situa-nos na sua vida. Ele começou a pintar muito cedo, quando estava sozinho em casa. Era um entretenimento e, tal como vêem aqui, pintava muitas mesas e outros objectos.”

Para Alice Kok, “na arte é interessante termos luzes daquilo que está na mente do artista”. E é precisamente esta a característica que torna Pakeong num “artista muito diferente dos outros”. “Ele explica bem o que é difícil fazer por palavras”, considera.

Cada risco ou cada objecto presente nas instalações de Fortes Pakeong Sequeira estão carregados de simbolismo. Perguntamos, então, o que quer transmitir com os pequenos soldados de plástico que povoam grande parte do núcleo central da exposição?

“Os soldados de brincar significam que é necessário enfrentar os problemas. Se olharmos para eles, parecem que têm sempre um ponto para atingir”, justifica o artista.

Sobre o método de trabalho, Pakeong diz focar-se “num objecto de cada vez” e só descansa quando o termina. Uma obsessão que vive do momento e, no caso das pinturas, não deixa sequer espaço para estudos, como confirma Alice Kok.

“Quando ele pinta, não precisa de fazer estudos. Tudo o que pensa sai-lhe naturalmente. É um processo especial”, comenta.

Amor e ódio

A nova etapa pessoal e artística de Pakeong, que é também vocalista de uma banda (Blademark), pode ter um lado mais colorido. No entanto, o “amor” que preenche a vida do artista tem também um lado negro intrínseco.

“No amor há ódio e dor. Isso vê-se igualmente nos meus trabalhos. E, no caso da dor, ela é interior, por isso vêem-se nos quadros estas formas que parecem entranhas”, justifica.

Apesar de estar “sempre a viajar”, Fortes Pakeong Sequeira confessa-se um apaixonado pelo território. “Adoro viver em Macau.”

Quanto a planos profissionais, os seus trabalhos continuam a ter como prioridade a Ásia. E, aos 33 anos, não parece entusiasmado com a ideia de “dar o salto” para outras paragens, como a Europa. “Não penso nisso”, garante.

 

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s