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Obrigado, Andrew!

Ainda desesperamos pelo novo álbum dos The Shins, mas nem tudo são más notícias porque Andrew Bird acaba de editar o seu mais recente álbum, “Break it Yourself”. Por lá, vemos que o rapaz está em forma e recomenda-se. Mais: consegue acrescentar novas sonoridades e conceitos à sua obra que, a cada disco apresentado, ganha a forma de uma verdadeira mina de ouro, tal é a riqueza das composições que cria.

Se dúvidas restassem sobre a sua genialidade, apontadas por alguns fãs com a edição de “Noble Beast” (2009), o novo disco do multi-instrumentista norte-americano derrete qualquer argumento e ainda tem um bónus. Annie Clark, a voz do projecto St. Vincent, partilha os seus dotes vocais na curiosa “Lusitania” que tem direito a um assobio de quem anda bem com a vida.

Talvez por isso, “Break it Yourself” é mais um grande disco onde sobressai a capacidade de Bird de captar a essência de instrumentos clássicos, tornando-os peças de uma modernidade que só ele consegue dar. “Orpheo Looks Back” é disso exemplo e os amantes do seu violino agradecem. Da América natal, parecemos viajar com o vibrar das cordas até ao norte de África. E por lá ficamos…

A denunciada “Danse Carribe” é também passaporte para outras paragens sonoras, mas no início fica-se pelos cânones da canção norte-americana. Só depois abre com um groove afro-caribenho viciante.

Para trás de tudo isto deixámos a inaugural “Desperation Breeds” que é um excelente cartão-de-visita para quem vai descobrindo a sonoridade do sétimo álbum de Andrew Bird. Ao que parece, o registo foi sendo gravado ao sabor de muita improvisação por parte de quatro músicos, nos quais se incluem o próprio Bird que com os compinchas oferece “Eyeoneye”. Primeiro single de um disco que não se deve julgar por esta canção.

Já “Lazy Projector” – que no imediato faz lembrar “Funeral” dos Band of Horses – tresanda àquilo que o norte-americano melhor faz. Com tudo a que temos direito.

Nas catorze canções de “Break it Yourself”, voltamos a confirmar que as letras – nem sempre unânimes – voltam a tocar pontos tão comuns e tão complexos como a existência humana, cujo sentido pode ser questionado. Mas será que valerá a pena?

Questões à parte, neste romance feito de sons há ainda a refrescante “Give it Away”, que cai bem por estes dias em que o bafo é sufocante. E, antes que tudo tenha um fim, a alma descansa sobre “Hole in the Ocean Floor”. Aqui, Bird esquece o arco e é ao dedo que faz do violino maestro de uma canção enorme, não só em tamanho, como também em beleza, onde a melodia é rainha.

 

Break it Yourself, 2012

Andrew Bird

 

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