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“Não podemos estar de costas viradas para o país”

Vicente Alves do Ó dirigiu “Florbela”, inspirado na vida de Florbela Espanca, e uma série de coincidências levou o filme a estrear no Dia da Mulher. O realizador quer contribuir para um cinema português mais próximo do público, sem preconceitos.

 

Hélder Beja

 

É um rapaz do contra. É alentejano. E é também realizador e argumentista. Vicente Alves do Ó não põe travões entre o pensamento e aquilo que diz – e diz muitas coisas nesta entrevista. Sobre o filme “Florbela”, que acaba de estrear, sobre Florbela Espanca, sobre o cinema português, sobre os prémios dados a filmes que considera herméticos e difíceis, sobre o divórcio do público de Portugal das fitas que por lá se fazem, sobre os “cus e mamas” que parecem levar mais gente às salas. Podemos concordar ou não, mas fica-lhe um mérito: o de responder sem estar preocupado em agradar a toda a gente.

– Quando vemos as primeiras imagens de “Florbela”, ficamos logo com a sensação de que se trata de uma grande produção, que envolve muita gente e um orçamento substancial. É assim?

Vicente Alves do Ó – Envolve muita gente, a produção é grande e os meios foram todos aqueles que conseguimos arranjar, muitos deles por carolice e muitos deles com apoios. Mas o dinheiro que tínhamos era exactamente o mesmo dinheiro que têm todos os realizadores [financiados pelo Insituto do Cinema e Audiovisual de Portugal (ICA)] quando fazem uma primeira e segunda obras, que são cerca de 500 mil euros mais 100 mil. Eu e a minha produtora, Pandora da Cunha Teles, temos a filosofia de que o dinheiro deve estar à frente da câmara e não atrás. Isto implica uma gestão muito grande em pré-produção, para depois podermos ter tudo aquilo que está à frente da câmara, ao ponto de as pessoas perguntarem ‘mas quanto dinheiro é que você teve?’.

– Sim, é isso. Fica-se a pensar como foi possível viabilizar uma produção que parece muito maior do que é habitual em Portugal.

V.A.O – Já na minha primeira longa [“Quinze Pontos na Alma”] a reacção foi idêntica, porque o filme tinha um ar muito caro. Acho que tem que ver com o facto de eu fazer muito trabalho de casa. Venço muitas etapas no processo de pré-produção, hoje em dia tempo é dinheiro. Quando sei que tenho apoio para o filme começo logo a trabalhar, ainda sem equipa à volta. Depois, quando entra a produção, já há um tempo que foi ganho, que é o tempo da maturação das ideias. Quando consigo dar indicações precisas sobre o que quero, tudo é muito mais fácil. Assim a gente consegue que o filme tenha uma plasticidade e um look apelativo, que não nos desmerece em nenhuma parte do mundo.

– Começou a carreira com dois telefilmes da SIC, “Monsanto” e “Facas e Anjos”. Há em “Florbela” alguma dessa linguagem de televisão?

V.A.O. – Não. Aliás, mesmo quando escrevi os dois telefilmes não o fiz com o intuito de serem telefilmes, mas de serem cinema. Tive a sorte de serem telefilmes realizados por cineastas e feitos por uma produção de cinema. Mesmo a sua linguagem era diferente da linguagem televisiva. O cinema é uma arte livre, não tem regras. A televisão tem regras que têm muitas vezes que ver com a comunicação directa com o público que está em casa. O cinema possibilita-nos uma liberdade que a televisão não dá.

– A protagonista do filme, Dalila Carmo, é muito conhecida do público por ter feito televisão. De alguma forma pesou isso ou teve desde o começo a certeza de que era ela a actriz certa?

V.A.O. – Tive sempre a certeza que era a Dalila. Ela é uma das melhores actrizes da sua geração, que curiosamente começou por fazer cinema. A primeira coisa que fez foi o “Vale Abraão” do Manoel de Oliveira. É uma mulher com um talento e uma energia tais que rapidamente percebeu que o cinema – isto nos anos 1990 – era tão espaçado que ela não aguentava estar sem fazer coisas. Ela gosta de trabalhar, de fazer cinema, teatro, televisão, e não tem uma visão redutora daquilo que um actor pode fazer. Nós em Portugal – e isso agora está melhor – vivemos um bocadinho com esse preconceito: quem fazia televisão não fazia cinema e quem fazia cinema não fazia televisão. Isso é uma coisa portuguesa, não acontece em mais parte nenhuma. Um actor é um actor, em qualquer lado. Felizmente isso está a mudar e as pessoas estão a abrir a cabeça. Se o material for bom, o actor é bom. Quando avancei para este projecto disse logo à Dalila: ‘Vou escrever um filme para ti, porque tu precisas que te dêem dificuldades’. E dei-lhe um problema terrível, quando começámos a rodar ela andava aflita com o peso e a responsabilidade de fazer a Florbela Espanca.

– Quando diz que achou desde o começo que era ela, refere-se também ao perfil dela enquanto actriz?

V.A.O. – Primeiro, fisicamente ela tem muitas coisas da Florbela. E depois porque é uma actriz muito generosa. Quando estava a escrever o argumento eu sabia que tinha ali cenas difíceis, mas que para uma mulher como a Dalila eram autênticos bombons. Acho que há algumas actrizes que seriam capazes de as fazer, não todas. Para mim foi muito bom estar a pensar num rosto enquanto estava a escrever, pude construir melhor a personagem.

– Falava das cenas difíceis que o filme tem. Há algumas passagens mais oníricas. Era esse o terreno mais perigoso?

V.A.O. – As cenas oníricas eram perigosas do ponto de vista técnico. Aquilo podia correr muito mal, ficar muito fraquinho e as pessoas começarem a rir no cinema. Construí o argumento de modo a que pudesse arriscar fazê-las mas se corressem mal podia retirá-las sem que o filme sofresse com isso. Essas cenas existem porque foco um período muito específico da vida dela, que é dramaticamente interessante, em que ela não escreve. Mas uma pessoa que escreve… Eu escrevo desde os 16 anos e sei que mesmo que esteja seis meses sem escrever a minha cabeça vive em dois mundos. É este e o outro plano, o da escrita. Todas as pessoas que conheço e que escrevem são assim. A Florbela seria certamente assim. Como sabia de antemão que não queria usar poemas, porque corria o risco de tornar o filme apenas ilustrativo, foquei-me na ideia de não fazer um filme sobre poesia, mas um filme poético. Ela não escreve mas eu entro na cabeça dela e vou visitá-la a esse tal mundo mágico que todos os escritores têm. Todos os momentos oníricos do filme têm uma relação com a escrita dela.

– Quando é que percebeu que queria fazer um filme sobre Florbela Espanca?

V.A.O. – Sou um moço do contra. Primeiro sou alentejano como ela e depois sou do contra. O meu cinema, o cinema português, anda muito arredado do seu público. Hoje em dia, mesmo assim, está melhor. Acredito que o cinema deve comunicar. A escolha da Florbela Espanca prende-se com várias questões. Por ser uma personagem completamente esquecida e negligenciada da mitologia portuguesa, relegada para segundo plano mesmo a nível literário. Depois, porque as pessoas têm uma imagem muito preconceituosa dela, que resulta sempre em folclore. Que é: ou ela era uma devassa, ou tinha um caso amoroso com o irmão. E reduz-se uma mulher daquelas a isto. Senti esse riso jocoso. Isto passou-se num jantar de amigos, em que se falava de figuras históricas que nunca tinham sido levadas ao cinema ou à TV. Quando falei na Florbela Espanca toda a gente começou a rir e eu automaticamente pus-me do lado dela e disse ‘filhos da mãe, pois é exactamente isso que vou fazer agora’. Toda a gente dizia ‘tu és maluco, isso não interessa a ninguém’. Mas eu gosto muito de ser do contra. Quando comecei a investigar, a ler cartas, biografias, a reler a obra toda, descobri que existia uma mulher fascinante atrás desse clichés que tento destruir no filme. Não destruir no sentido de dizer ‘ela não é isto’. O que tento é desviar-me do folclore e aproximar-me da essência dela enquanto pessoa, isso é que me interessava. Fazendo isto posso recuperá-la. Se dez por cento das pessoas que forem ver o filme a seguir voltarem a ler poemas dela, garanto que para mim é a maior vitória que este filme pode dar-me.

– Florbela Espanca foi uma mulher à frente do seu tempo em vários aspectos. O facto de o filme ter estreado no Dia da Mulher não é uma coincidência, ou é?

V.A.O. – É uma coincidência. Tentámos tudo para estrear o filme a 8 de Dezembro, que é o dia do aniversário da morte dela. O filme não estava acabado e tínhamos de escolher uma nova data. Sempre disse à produtora que tinha de ser num dia 8, desse por onde desse. Como os filmes em Portugal estreiam à quinta-feira, decidimos que podia ser a 8 de Março. Dois dias depois, a minha produtora telefona-me e diz-me ‘olha, isto parece de propósito mas não: dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher’. Sem dúvida alguma que a Florbela foi uma mulher à frente do tempo dela, mas também foi muito castigada por isso. Portugal é uma sociedade muito machista e uma mulher que ande de calças, que olhe para o marido e diga ‘já não gosto de ti, vou-me embora, quero o divórcio’, uma mulher que faz isto –  e ela fez isto, num Portugal do Alentejo profundo do princípio do século XX – acaba por sofrer.

– Há pouco dizia que a ideia de levar a vida de Florbela Espanca ao cinema surgiu durante um jantar de amigos. Existem outras figuras da História de Portugal sobre as quais gostasse de trabalhar?

V.A.O. – Há uma série delas. Acho que há um grande filme por fazer sobre a Snu Abecassis e o Francisco Sá Carneiro. E depois há um filme de terror para fazer sobre o Marquês de Pombal, que devia ser um homem assustador. A nossa História é muito rica e andamos muito de costas viradas para ela. Talvez possam não ser obras-primas da cinematografia mundial, mas em última análise ‘who cares’? Interessa-me o meu país, o meu povo, as pessoas que merecem ir ao cinema e identificar-se, sentir que aquilo é delas. Se calhar é por isso que têm andado tão divorciadas do cinema português. As pessoas não sentem que aquilo é para elas.

– Acredita então que há público em Portugal para o cinema português?

V.A.O. – Completamente. Há 15 anos ver ficção portuguesa na televisão era uma coisa estranha. Lembro-me perfeitamente que as pessoas não viam as primeiras novelas, achavam aquilo muito mau. A ficção portuguesa em televisão deu de tal forma a volta que hoje a única coisa que as pessoas querem ver é isso, com as máximas audiências. Um milhão ou um milhão e meio de pessoas estão em frente ao ecrã a ver uma telenovela. Ou seja, há um público. O que acho é que é preciso trabalhar muito para conquistar ou reconquistar esse público. Não é como uns amigos meus que dizem ‘pois, tu é que vais salvar o cinema português com estes filmes para atrair as pessoas’. Estou sempre a dizer-lhes que uma andorinha não faz a Primavera, que isto tem de ser um trabalho concertado de uma geração que também precisa de espaço, que é a minha e de malta mais nova que quer, por exemplo, fazer coisas de género. Não basta um filme, são dez, 20, 30 filmes. Em Portugal não há filmes de género. Por exemplo, não há filmes para crianças, para adolescentes. O cinema é feito sempre num sítio exclusivo, para um público mais fechado, supostamente mais ‘culto’ – do que mesmo assim às vezes tenho muitas dúvidas – e é uma coisa sempre de alto nível. Tão alto, tão alto que ninguém chega lá. Depois os filmes fazem os espectadores que fazem: 500 espectadores, mil espectadores. De vez em quando há um filme melhor que faz um bocadinho mais. E depois há aqueles blockbusters [portugueses] que fazem 300 mil espectadores e toda a gente diz que aquilo é comercial porque tem cus e mamas e é por isso que as pessoas vão. Acho que as pessoas vão porque percebem o que estão a ver. É só por isso. As pessoas percebem o que estão a ver, enquanto que há filmes a que vão e não percebem nada do que estão a ver. É uma coisa tão hermética que não sai nada cá para fora. Na minha perspectiva um filme que não sabe comunicar é um mau filme. O cinema é um veículo, não é um quadro, não é uma estátua. Esteja o que estiver no ecrã, tem de comunicar com as pessoas. Se não comunica, não é cinema, é outra coisa qualquer, é vídeoarte, instalação. Como é que posso exigir a uma pessoa que pague seis euros por um bilhete de cinema se ela vai sentar-se na sala e não vai sentir absolutamente nada, não vai perceber absolutamente nada? Não posso.

– Há talvez aqui um paradoxo, porque muitos desses filmes portugueses que considera mais herméticos têm presença em festivais internacionais importantes. Estou a pensar em realizadores como Pedro Costa e outros. A projecção internacional destes realizadores que têm um cinema mais ‘fechado’ acaba por confundir o público sobre o que é e não é o cinema português?

V.A.O.  – É uma tragédia. É uma tragédia neste sentido: acho que a imprensa e a televisão deviam ter um papel pedagógico em relação ao cinema, porque esses filmes também acabam por sofrer. Ou seja, os filmes do Costa – e eu admiro a obra do Costa – são colocados num sítio que não é verdadeiro. A imprensa quando fala deles como obras que são reconhecidas no mundo inteiro, o público pensa ‘ok, vou ver’. Mas aquilo de facto é fechado e difícil, não é para toda a gente e o público sente-se enganado. E quando o público se sente enganado com estes, não vai ver mais nenhuns. Ainda bem que a gente ganha prémios lá fora, somos vistos e reconhecidos lá fora. Fantástico. Agora, se isso fosse determinante para o cinema português nós não tínhamos chegado ao sítio onde estamos, que é este ano não haver dinheiro. Houve corte em todo o lado mas no cinema o corte foi de 100 por cento. Não deixaram dinheiro para o Costa nem para ninguém, e isso quer dizer alguma coisa. Estamos muito contentes com o reconhecimento que temos lá fora, sim. Mas que proveito é que isso traz para o país? Nenhum. Porque em última análise os políticos também não respeitam esses prémios e essa visibilidade. Porque se respeitasse diziam ‘vamos fazer cortes, vamos refazer a lei do cinema, mas vamos continuar a dar apoio, porque o cinema tem provas dadas lá fora onde ganha imensos prémios, cá dentro junto do público tem uma relação difícil mas que também pode ser melhorada, aprovando mais projectos que vão ao encontro do público’. Isto é tudo uma questão de gestão. O ICA aprova 20 longas-metragens por ano. Se fosse eu, sei bem o que fazia: dava dez filmes aos Pedros Costas da vida e outros dez aos Leoneis Vieiras, aos Antónios Pedros Vasconcelos e a gajos como eu, que são pessoas que claramente dizem o que querem fazer – querem fazer filmes para as pessoas.

– Acha portanto que pode haver espaço para tudo?

V.A.O. – Acho que há espaço para tudo, o problema é que como há pouco dinheiro depois esgatanham-se uns aos outros. É verdade, temos uma classe muito pouco unida. Por exemplo, o Miguel Gomes e o João Salaviza ganham prémios lá fora, o Pedro Costa está no MoMA, e a classe devia unir-se a aplaudir, porque no fundo nós estamos todos a ganhar. Mas não, aqui quando um consegue alguma coisa os outros vão logo deitar abaixo. Quando um sobe a gente agarra-lhe as calças para ele vir para baixo. Gostava que nas antestreias dos filmes estivessem os realizadores todos a apoiar os colegas, e quando não gostassem diziam que não gostavam, mas estavam lá a apoiar, que é uma coisa que os americanos fazem tão bem. Em última análise, as pessoas pensam muito nelas e no seu sucesso, e esquecem-se de um bem maior, que é a continuidade e a existência de cinema em Portugal. Aqui também me incluo no grupo, a responsabilidade também é minha, é nossa. Não aponto o dedo ao bicho papão que é o político, porque as pessoas do cinema também se colocaram neste sítio, não se protegeram. Por exemplo, nunca mais hei-de esquecer os comentários que li online quando saíram as notícias dos cortes no cinema: há ódio, verdadeiro ódio ao cinema português. E isso diz muita coisa. As pessoas movimentam-se aqui entre o Príncipe Real e o Chiado e esquecem-se que há um país lá fora, onde estão milhões de pessoas que são completamente negligenciadas. E não me venham com histórias que o dinheiro do cinema não vem do Estado, que é uma percentagem da publicidade da televisão. Não, o dinheiro é do Estado, só que em vez de ir para um lado vai para outro. E a prova é que o Estado tira e põe noutro sítio, pelos vistos não é ilegal e pode fazê-lo. Não podemos estar de costas viradas para o nosso país. A opinião pública não se levantou para defender o cinema. Se fizerem um vox populi na rua, as pessoas acham muito bem o corte. E não admito que tratem mal as pessoas do meu país, que digam que elas não percebem nada, que são umas incultas e burras. Não aceito isso. Cresci na província, não cresci no meio da Cinemateca. Se não fosse a programação de cinema da RTP não teria tido acesso a nada. Mas vi muito cinema. E as pessoas vêem o cinema que vêem, crescem a ver cinema, reconhecem códigos. As pessoas sabem o que estão a ver, não estão é habituadas a ver coisas diferentes e para isso têm de ser educadas. Não posso pegar numa pessoa que toda a vida viu Indiana Jones, sentá-la e dizer-lhe assim ‘olha, isto é um filme do Pedro Costa e é uma obra-prima do cinema mundial. Vê’. A pessoa ao fim de dez minutos sai da sala, porque não foi preparada para aquilo. As pessoas têm de ser educadas e isso também faz parte do nosso trabalho, do trabalho do Estado, da imprensa, das televisões, dos professores. Acima de tudo há um bem muito importante e que é o maior de todos: o cinema. É por isto que a gente tem de lutar para que não morra. Se não, morre. Não tenho dúvida que morre.

– Em relação ao seu filme, conta levá-lo em itinerância por Portugal, como fez o João Botelho antes, certo?

V.A.O. – Exactamente. Já fizemos a antestreia no Porto e em Vila Viçosa e durante os próximos três meses vou andar a correr o país com o filme. Não consigo aceitar que um filme ao qual dediquei dois anos e meio da minha vida, a que tanta gente dedicou trabalho e talento, chegue a uma sala de cinema e desapareça ao fim de duas semanas porque está a competir com os blockbusters americanos. E de facto o que conta são os números. Tenho a noção de que isto em última análise é um negócio. Enquanto for assim, o filme precisa de salas e de público, e a competição é feroz. Os filmes têm de viajar, têm de ser vistos. Nas grandes cidades vamos insistir no circuito comercial, mas no resto do país vamos andar com o filme às costas. Vou no meu carro, faço de motorista, de projeccionista, vamos todos. Vale a pena e acho que podemos pensar numa estratégia diferente de distribuição para o resto do país, que não é só Lisboa e Porto e onde vivem mais oito milhões de pessoas.

– E onde há imensos cineteatros.

V.A.O. – Sim, há uma rede de cineteatros, de bibliotecas e cineclubes que podem ser parceiros e criar uma rede alternativa pelo menos para os filmes portugueses. Isto temos de ser nós a fazer, não podemos ficar à espera do Estado. Acho que lançar filmes em Portugal é quixotesco. Por isso temos de salvaguardar a existência do cinema em termos da sua difusão, porque um filme é feito para ser visto, não é feito para estar guardado. Um filme só vive se for visto, se não for visto está morto.

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