Uncategorized

A tradição ainda é o que era

Wu Tai regressa a Macau com mais de 80 pinturas inspiradas na tradição chinesa. A exposição está patente no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau até 15 de Abril.

 

Pedro Galinha

 

A essência da pintura chinesa aliada à precisão de quem dedicou uma vida ao seu estudo. É assim que podem ser descritos os mais de 80 trabalhos que Wu Tai expõe na Galeria de Exposições Especiais do Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau.

Nascido no ano de 1962, em Foshan, na província de Guangdong, e residente há muitos anos em Cantão, o pintor assina este ano “Da Fonte: Pintura e Caligrafia por Wu Tai”. Uma mostra não só marcada pela presença de elementos naturais, como montanhas, quedas de água ou flores, como também por trabalhos de emulação, isto é, a reprodução de obras clássicas que bem conhece.

Um dos seus antepassados, Wu Rongguang, ficou para a história como um ilustre letrado da dinastia Qing, conhecedor de arte e proprietário de uma extensa colecção. Já o seu pai, Wu Hao, notabilizou-se como calígrafo e pintor.

Sobre ele, Wu Tai aponta “grande influência” no trabalho que hoje apresenta. Mas não foi o único. Isto para um artista que viveu, enquanto criança, a Revolução Cultural.

“Naquela altura, o Governo não prestava muita atenção à educação. Muitas crianças ficavam em casa. O meu pai conhecia outros artistas, entre os quais um académico que tinha mais de 100 mil pinturas conservadas. Quando era pequeno ficava, muitas vezes, na sua casa e comecei a interessar-me por pintura. Depois decidi estudá-la”, explica o pintor.

Wu Tai teria 15 anos. Dez anos depois já se dedicava à emulação de trabalhos originais das dinastias Tang e Song, facto que faz dele um conhecedor de uma considerável paleta de artistas da antiguidade e da pintura “Shan shui”.

É precisamente este tipo de arte que o público de Macau procura. Pelo menos na opinião do director do Museu de Arte de Macau.

“As pessoas preferem ver pintura chinesa e isso atrai também ocidentais”, afirma Chan Hou Seng, acrescentando ainda que Wu tem uma “visão muito especial”, principalmente por ter estudado as obras antigas da dinastia Tang e Song.

“Da Fonte: Pintura e Caligrafia por Wu Tai” estará patente em Macau até ao próximo dia 15 de Abril. Com entrada livre, a exposição divide-se em duas grandes secções. A primeira, “Refinamento”, apresenta emulações dos antigos mestres e inclui trabalhos como “Primavera Precoce”, de Guo Xi, ou “Margens do Rio”, de Dong Yuan, um pintor das Cinco Dinastias. A segunda, intitulada “Renovação”, mostra trabalhos criativos do artista em que estão presentes influências e técnicas da pintura antiga, assim como as suas observações e reflexões sobre a época actual. “Flores de Ameixeira no Inverno” e “Êxtase Musical”, por exemplo, são dois retratos da contemporaneidade.

 

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s