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Indies de intervenção

Os filmes que este ano participam no Macau Indies estão mais atentos, mais sociais e mais políticos. O crescimento da cidade, a dificuldade na procura de casa e a homossexualidade são alguns dos temas das produções locais.

 

Inês Santinhos Gonçalves

 

Dez filmes e nove documentários vão participar no Macau Indies, a secção de produções locais do Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Macau. Todos os filmes reflectem uma faceta do território e este ano, garante a organização, há temas novos e ousados. Os realizadores estão quase todos na casa dos 20.

“Não são só documentários, temos longas-metragens, filmes de animação, experimentais”, explica Rita Wong, do Centro Cultural de Macau, responsável pela organização do Macau Indies.

“Se me perguntar qual é o meu preferido, não consigo dizer, adoro-os a todos”, diz Wong. Ainda assim, organizadora acaba por salientar quatro produções locais que considera especialmente interessantes.

“Há uma grande variedade de pontos de vista. Por exemplo, este ano temos um filme sobre o desenvolvimento do sector de animação em Macau – ainda não se pode dizer que há uma indústria mas há já muitas pessoas interessadas e podemos ver a paixão que têm por este tipo de arte”, conta.

“Depois há um sobre Ka Ho, que tem muito que ver com o que é Macau”, diz Wong. “Era uma vez em Ka Ho” debruça-se “sobre a preocupação de que alguns sítios da cidade estão a desaparecer nesta Macau em mudança”, revela.

Nem todas as produções são, no entanto, sobre a cidade e o seu crescimento. Alguns são sobre a vida e as preocupações diárias da população. “Um jovem realizador [Cheong Kin Meng] fez um documentário sobre a dificuldade de encontrar casa em Macau. Chama-se “Temos casa” e é sobre jovens que crescem, entram numa fase nova da sua vida e querem constituir família”, explica Wong. “Macau é hoje um sítio muito diferente do que era, para casar é preciso pesar várias coisas, como a casa. A pressão é maior”, acrescenta. Para a organizadora, “é positivo que os jovens estejam preocupados com este tipo de questões, com as mudanças sociais em Macau”.

O quarto filme que Rita Wong destaca aborda um tema novo nos Indies: a homossexualidade. “É em particular sobre lésbicas em Macau. A realizadora queria que se falasse deste tema. O documentário começa por centrar-se na história de uma amiga dela e desenvolve-se de modo a tornar-se, também, a história da própria autora”, explica a organizadora.

As 19 produções vão ser exibidas em cinco sessões diferentes, uma por dia, entre 9 e 13 de Maio. Entre estes filmes estão sete documentários apoiados pelo Centro Cultural de Macau, que fazem parte do programa “local docupower”.

O filme vencedor será exibido na sessão de encerramento do Macau Indies, no dia 13, dia em que também serão repostas as duas produções da Associação Cut, o “Macau Stories I” e o “Macau Stories II – Love in the City”.

O vencedor do Macau Indies vai receber um prémio de 25 mil patacas. Três outros filmes serão também distinguidos com recomendações do júri.

 

Cinco dias para filmes locais

 

No dia 9 de Maio, dia da primeira exibição, vão ser mostrados cinco filmes: “Desejos dos Animadores de Macau” (Kuok Lei Cheng), “Sonho de Infância” (Wong Meng U), “Caleidoscópio” (Lei Pui Weng), “Guerra & Paz – Lenda Intocável” (Chau Chong In) e “O Homem Que Não Se Deixa Mover” (Chan Nga Lei).

No segundo dia do Macau Indies vão ser três as produções exibidas: “Sabor‧Macau” (Jeffrey Sou), “A Assimilação” (Lei Cheok Wai e Cheong Sin Mei) e “A Senhora Cogumelo” (Io Lou Ian). No dia 11 de Maio, terceiro dia de exibições, quatro produções vão ser mostradas ao público: “Nos Bastidores” (Vivaldi Ho e Kidonis Ng), “Tradição Longa” (Lei Ka Hon e Keo Lou), “Os Incidentes” (Ng Sio In) e “Os Sonhadores” (Ma Hei Man). Dia 12 do mesmo mês exibem-se “Um Outro Lar” (Fei Ho, Emily Chan), “Margaret” (Ng Ngai Lon) e “Temos Casa” (Cheong Kin Meng).

Também no dia 12, último dia de exibições, podem ser vistos no Centro Cutural os filmes “Era Uma Vez em Ka Ho” (Hélder Beja), “Proposta” (Maxim Bessmertny), “Pensar Doente” (Ao Ieong Weng Fong) e “Aqui Estou” (Choi Ian Sin).

O Macau Indies está integrado no Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Macau, que começa dia 30 deste mês e se prolonga até 13 de Maio. Para o festival foram seleccionados 13 filmes de diferentes partes do mundo, incluindo alguns que constaram da 36ª edição do Festival de Cinema de Hong Kong e do Festival Internacional de Cinema de Berlim 2011.

 

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