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Prédios baixos, mercados e imigrantes

Há dois anos, ainda conseguia cortar o cabelo todos os meses ou de dois em dois, num apartamento de um cabeleireiro de Fujian, que cobrava 50 patacas por corte, num daqueles típicos prédios residenciais baixos, de cinco ou seis andares, que é possível encontrar no bairro Iao Hon. O cabeleireiro é um ‘novo imigrante’, obteve o bilhete de identidade no início dos anos 1990 e mudou-se depois para Taiwan em trabalho. Vive agora de novo nesta cidade Las Vegas – vive como cabeleireiro, à semelhança de alguns vietnamitas e de outros ‘novos imigrantes’.

No Iao Hon, a zona entalada entre o Toi San e a Areia Preta, a imagem de marca são estes prédios antigos de poucos andares, onde o pé-direito à entrada pode fazer com que uma pessoa de um metro e oitenta de altura se curve e a decoração é feita com caixas de correio de lata, pequenos anúncios a clínicas privadas, salões de beleza, cabeleireiros ou números de telefone de desentupidores de canos escritos à mão nas paredes que acompanham um lance de degraus cinzentos. O lado de fora do edifício, tudo o que mostra, são janelas engaioladas, cabos entrelaçados e tubos ferrugentos.

Este é o tão afamado bairro antigo de Macau, com uma alta densidade populacional e, dizem alguns, à espera de uma restruturação (até agora, sem data à vista para ser feita). Quase no esquecemos que esta zona costumava ser palco de corridas de cavalos nos anos de 1930.

Quão densos e enjaulados podem ser estes prédios residenciais? Vá dar uma volta na viela que fica nas traseiras da Rua Dois do Bairro Iao Hon. É janela com janela. Certamente que conseguirá apanhar uma maçã atirada pelo vizinho da frente.

E, nem a propósito, existem também cordas atreladas nas grades das janelas e que são usadas para pendurar roupa. Por uma questão de conveniência ou talvez outros motivos que não consigo deduzir (uma saída de emergência em caso de incêndio, talvez?) há até uma ou duas passagens aéreas para peões a unirem dois prédios residenciais nesta viela. Sim, passagens aéreas para peões.

Durante o dia, as pessoas que por aqui passam são sobretudo idosos, donas-de-casa, ‘novos imigrantes’ e miúdos acabados de sair da escola. A zona residencial, tirando as vielas nas traseiras, parece bastante ordenada, com o seu mercado Iao Hon, o parque e asseadas bancas que vendem fruta, ovos, papéis votivos e roupa para velhos e crianças.

Em comparação com a vizinha próxima, a Areia Preta, o Iao Hon pode não parecer um caso tão urgente, com todos estes edifícios industriais e cinzentos. Ainda assim, continua a ficar na Zona Norte – um lugar que tem a sua face e um estilo de vida pouco típico para o resto da cidade, ainda que mais próximo ao do Continente. Vejam até que o preço de uma refeição é metade do cobrado no centro.

Stephanie Lai

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