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Porquê, James?

– Estás a ouvir o quê?

– The Shins. Conheces?

– Não.

– Tens de ouvir esta. Vai a mudar a tua vida, aposto!

E apostava bem, a menina Sam interpretada por Natalie Portman em “Garden State”. “New Slang”, a canção do meio de “Oh, Inverted World” (2001), era e é uma das grandes dos The Shins que, há uma semana, editaram “Port of Morrow”.

Desde o último disco, “Wincing the Night Away” (2007), muita coisa mudou. No mundo, em nós e, claro, em James Mercer, frontman da banda de Albuquerque, que embarcou no projecto Broken Bells com Brian “Danger Mouse” Burton. Desta incursão, ficou alguma coisa – como uma produção bastante cuidada – neste novo disco que, infelizmente, vamos querer esquecer. Mas, antes, as coisas boas.

James Mercer continua a ter uma belíssima voz, capaz de transparecer toda a emotividade que o percorre quando compõe. O homem, aparentemente, sabe o que faz e isso ficou expresso no primeiro single de “Port of Morrow”, a rodar nas rádios há já alguns meses. Ao ouvirmos “Simple Song” pensámos: Eles estão de volta!

A expectativa continua a ser criada com a inaugural “The Rifle’s Spiral”. Soa bem, à semelhança da robusta e completa “Bait and Switch”, talvez a melhor canção do álbum. Aí, Mercer diz-nos, a plenos pulmões, que é um homem simples de coração honesto, mas amaldiçoado. Preserva, ainda assim, a esperança e nós acreditamos nele. Até porque, para trás, fica a desastrosa balada “It’s Only Life” – próximo single do novo álbum que é, aos ouvidos de muitos, uma das piores dos The Shins.

Até meio de “Port of Morrow”, ainda temos “September”, lembrança de outros tempos, que nos faz acreditar que o disco não envergonha um legado musical com mais de uma década. E, pois bem, a tal “Simple Song”.

Sobre o resto, o melhor seria nada contar. Mas cá vai: “No Way Down” é mal menor, quando comparada às choninhas “For a Fool”, “Fall of ’82” e “40 Mark Strasse”. Que desconforto.

No final, sobra-nos a faixa homónima do álbum que, apesar de ter muito de Broken Bells, não deixa de ser um exercício pop interessante por parte de James Mercer e seus compinchas. Assim é também “Pariah King”, uma faixa bónus. E que belo bónus!

De “Port of Morrow” pode, portanto, dizer-se que é um meio disco. Tem bons momentos, mas nada que roce a perfeição de “Oh, Inverted World” e “Chutes Too Narrow” (2003). Ou seja, a aposta numa maior produção só deixou cair por terra aquele universo que nos habituámos a admirar e a ele voltar sempre que assim entendíamos.

Talvez por isso, a desilusão é grande. Mas, James, descansa. Eu confio em ti. Quanto aos erros, podem ser sempre reparados e eu estarei, aqui, a aguardar por ti.

 

Port of Morrow, 2012

The Shins

 

Pedro Galinha

 

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