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Bienvenue au Mali

É um país distante, o Mali, encravado na África Ocidental e em eternas disputas. A mais recente, soubemos na última semana, depôs o Presidente Amadou Toumani Touré. Um tipo de físico robusto, mas que lá caiu, como tantos outros.

A História vai encarregar-se de dizer, um dia, se foi ou não um homem bom, virtuoso, de quem os seus concidadãos se poderão honrar. Um homem como foi Ali Farka Touré, talvez um dos rostos malianos mais conhecidos. Mas não o único.

Daquela terra argilosa, também celebramos Salif Keita ou os tuaregues Tinariwen. E, claro está, o duo Amadou & Mariam, unido pelo amor e pela música, há muitos, muitos anos. Talvez uns 30, se não me falham as contas.

Se no início andavam pela capital Bamako, a trote do afro-blues, agora são conhecidos em todo o mundo, somam sucessos e colaborações a cada disco que lançam. O último, “Folila” (significa “música” em Bambara), foi editado na terça-feira e já lhe conhecemos o gosto.

Antes de qualquer audição, era certo que qualquer coisa que aparecesse seria difícil de igualar “Dimanche à Bamako” (2005) e “Welcome to Mali” (2008). Dois grandes álbuns que contaram com nomes de luxo na produção. Manu Chao, no primeiro, e Damon Albarn, por um momento, no segundo.

Mesmo assim, “Folila” continua vestir-se de uma sonoridade de bafo quente, que nos invade e preenche. O que dizer do primeiro cartão-de-visita do álbum, “Dougou badia”? Bom, só junta a voz de Santigold à de Mariam e a guitarra de Nick Zinner, dos Yeah Yeah Yeahs, à de Amadou.

As surpresas não ficam por aqui. Kyp Malone e Tunde Adebimpe, directamente dos TV on the Radio, juntam-se a este encontro sem fronteiras, que nos transporta para uma África pop por descobrir. É em “Wily Kataso”, mais em modo coro, mas não menos engenhoso. Tanto que nos faz sonhar com uma colaboração mais alargada no futuro entre os dois projectos.

“Oh Amadou” já soa a material mais tradicional e, em parte, mais denso. Totalmente cantada em francês, com Bertrand Cantat que empresta também a sua harmónica, damos connosco a sonhar com jornadas de viagem a partir da belíssima estação de Bamako, parte do mítico “chemins de fer de Dakar au Niger”.

Cantat, que será sempre lembrado como o frontman dos Noir Désir condenado pela morte da namorada, a actriz francesa Marie Trintignant, ainda se junta a Amadou & Mariam por mais três vezes, em “Africa Mon Afrique”, “Mogo” e “Another Way”. Das três, é no meio que se encontra a maior virtude.

Em “Folila” também cabem outros mediáticos, como Jake Shears, dos Scissor Sisters, na pouco excitante “Metemya”. Em sentido inverso, quase numa onda à The Go! Team, temos Ebony Bones que faz de “C’est Pas Facile Pour Les Aigles” uma enorme festa.

A estes, acrescentam-se ainda o guitarrista tuaregue Abdallah Oumbadougou (a explorar), o rapper Theophilus London e o homem funk Amp Fiddler. Motivos de sobra que, confirmamos, não se comparam a “Sabali”, fantástica canção do já mencionado e aclamado “Welcome to Mali”. Mas, ainda assim, redigem um novo capítulo, bem interessante, na sólida carreira de Amadou & Mariam.

 

Pedro Galinha

 

 

Folila

Amadou & Mariam, 2012

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