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O início da vida

Dispensam-se legendas; têm a palavra os bebés. Ou melhor, teriam caso falassem, o que não é o caso porque o documentário “Babies” tem como protagonistas quatro recém-nascidos.

Cada um deles é proveniente de locais díspares. Ponijao chega-nos de uma tribo de Opuwo, na Namíbia, e Bayar vive numa tenda em Bayanchandmani, na Mongólia. Da capital japonesa, Tóquio, sorri-nos Mari e Hattie nasceu em São Francisco, no seio de uma família moderna dos Estados Unidos da América. Ou seja, neste filme de Thomas Balmès cabem três continentes, onde descobrimos diferentes formas de crescer, aprender e tentar comunicar. Tudo isto desde o primeiro dia das suas vidas.

Nesta autêntica experiência antropológica de 80 minutos, ficamos com uma ideia clara. Existem diferenças culturais evidentes, mas a chegada dos bebés é encarada com enorme alegria pelas quatro famílias que apresentam níveis de vida semelhantes, de acordo com os padrões locais – sim, ter gado e terras ainda significa riqueza em algumas paragens do globo.

Por isso mesmo, o trabalho de Balmès reveste-se de uma importância que vai além da estética, do entretenimento e do simples acto de registar momentos. No fundo, são dois mundos – um moderno e outro mais tradicional – que surgem representados por aqueles quatro bebés.

Ponijao prova o sabor da terra e convive com moscas, ao mesmo tempo que Bayar anda entre vacas e é surpreendido no banho por uma cabra. Já a infância de Mari e Hattie trata por tu telemóveis e junta pequenos amigos, em sessões de grupo para papás babados.

Em todos estes momentos há um sentimento de descoberta. Seja em África, na Ásia ou na América do Norte. E esse tal sentimento de descoberta parece ser captado de forma única, sem que atrás da câmara estivesse alguém. Só assim, pensamos nós, terá sido possível registar momentos em que aparentemente nada acontece, mas que possuem a força e beleza deste documentário.

Com os pais, Balmès deve ter tido pano para mangas. Ao que parece, entrevistou cerca de 20 famílias. Um enorme esforço de produção recompensado quando vemos o à vontade destes outros protagonistas em momentos cruciais e íntimos, como o parto.

É por isto que “Babies” pode ser considerado um filme interessante. Mas ainda há outros pontos que jogam a seu favor: bons planos, fotografia aprimorada e uma escassa banda sonora que aparece quando deve e não puxa a sentimentalismos da treta. Depois, a forma como o tema é tratado. De forma simples, directa, com o espectador a servir de observador de um momento único da vida destas crianças que vão aprendendo a viver a cada minuto que passa.

Tudo muito fofinho? Sim, mas atenção. Não prometemos que quem detesta crianças passará a derreter-se com elas ou terá paciência para suportar quase hora e meia de trambolhões, choros e sorrisos desdentados.

Babies, 2010

Thomas Balmès

Pedro Galinha

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