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Um Padre Teixeira reciclado

Há retratos mais clássicos e versões actualizadas. Manuel Teixeira é lembrado e reinventado por oito artistas do território que usaram as suas memórias do padre para o trazerem de volta à vida. O resultado está, até 4 de Maio, na Casa de Portugal.

Inês Santinhos Gonçalves

Nunca o Padre Manuel Teixeira se imaginou, com certeza, envolto em rosa-choque. No entanto, foi assim que Victor Marreiros o retratou, bebendo chá com um monge de trajes laranja, em frente à Sé.

Ontem inaugurou, na Casa de Portugal, uma exposição que reúne obras de nove artistas de Macau, algumas inéditas, outras já conhecidas, que prestam homenagem ao padre das barbas brancas. Além de Marreiros, a mostra conta  com outros nomes já conhecidos do território como João Jorge Magalhães e Paulo Valentim.

Para Amélia António, presidente da Casa de Portugal, é importante lembrar Manuel Teixeira, mesmo não sendo este “uma figura muito consensual”. “O espólio dele é qualquer coisa de incontornável na história de Macau. Embora fosse uma figura polémica, às vezes até na maneira como se expressava porque escrevia coisas um bocado desabridas, sem o sentido das conveniências sociais”, referiu.

A possibilidade de se dar o nome do Monsenhor a uma rua da cidade agrada a Amélia António: “Quer se esteja de acordo ou se entenda que a obra não é tão científica como isso, o que é certo é que hoje ninguém pode estudar a história de Macau sem também consultar o trabalho do Padre Teixeira”.

Satisfeita com o resultado da exposição, a presidente da Casa de Portugal salientou o trabalho de Elisa Vilaça, autora de um Monsenhor a três dimensões, feito em papel reciclado, rodeado de típicas placas com os nomes de ruas da cidade e de uma imagem da Ponte Nobre de Carvalho.

“A instalação da Elisa é muito curiosa porque ela deu um workshop de encadernação e de decoupage na Casa de Portugal. Neste trabalho, para fazer a obra que disponibilizou para esta exposição, usou as técnicas que ensinou anteriormente. Temos ali o nosso Padre Teixeira todo reciclado”, gracejou.

Vilaça falou do seu trabalho sem grandes rodeios: “O que fiz foi utilizar aqueles materiais que a gente não valoriza, lixo. Reaproveitei imagens antigas da ponte e um pouco das pequenas tabuletas que ainda existem”.

Do Padre Manuel Teixeira guarda as melhores memórias. “Tive o privilégio de o conhecer, de conviver com ele e de ter algumas conversas agradáveis. Era uma pessoa de uma bondade enorme, tudo o que tinha dava. Os bens materiais para ele quase que não existiam”, lembrou.

João Jorge Magalhães recorda o Monsenhor como uma personagem da sua infância. “Ainda me lembro dele a fazer a ponte”, contou. No seu quadro, incorporou vários elementos simbólicos: o cinzento representa a ponte e o livro que o Padre segura, verde e com a flor de lótus, simboliza a RAEM, “a que ele nunca chegou a estar ligado”. As espirais que lhe saem das mãos representam os rebuçados que sempre lhe enchiam os bolsos e que distribuía pelas crianças. Ao cimo, as nuvens vermelhas, verdes e amarelas “são a bandeira portuguesa”.

Teixeira é retratado de acordo com a memória do autor: “Sempre com a batina branca, com a barba branca e os óculos de massa grossos, a imagem de marca dele durante muitos anos. Do que me lembro quando era pequeno, era sempre assim que andava vestido”.

 

 

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