Uncategorized

Um lugar onde o tempo parou

A Rua dos Ervanários é uma zona de outro mundo, um retiro sossegado que não nos aparece inundado de turistas, ao contrário da rua que conduz às Ruínas de São Paulo. É um caminho que pertence aos idosos.

Pelo som da rua distinguimos de imediato que estamos num mundo que é da terceira idade: ouve-se o matraquear do mahjong, um cantonês falado ao estilo da década de 1960 entre vizinhos que se cumprimentam, o som aborrecido das televisões que, ligadas, acompanham os seus donos enquanto estes dormem uma sesta na modorra da tarde.

A identidade do bairro é confirmada no nome de um centro comunitário que avistamos, a Associação Geral dos Idosos Respeitosos de Macau. A Rua dos Ervanários é um pouco parecida com a Travessa do Armazém Velho, onde lojas de aspecto antigo vendem artigos de palhinha, jade, selos, velhas notas de banco e antiguidades, gaiolas e figuras de louça, com a parta aberta aos habituais compradores, curiosos e turistas.

A Rua dos Ervanários, outrora um enclave de bordéis, mesas de jogo e da força de tríades como a 14K, está hoje reduzida a uma zona dormente cujo compasso não alinha com as áreas dos turistas, que não estão muito longe.

Porém, resiste aqui a velha tradição dos vendilhões. A determinada altura da tarde, surge um vendedor de ocasião junto ao Beco da Rosa e estende curiosos artigos – velha porcelana, rádios, pratos e tigelas, óculos ao estilo Pu-yi – que invariavelmente atraem homens de meia-idade e domésticos.

Tal como muitos outros locais em Macau, a Rua dos Ervanários é um sítio típico que condensa o curioso contraste entre sagrado e profano num espaço apertado. Outrora bastante activa no comércio de antiguidades, vendas de rua (eram uma fonte importante de dinheiro para os refugiados da Segunda Guerra Mundial) e jogo, está também a poucos passos de igrejas e templos.

A face da rua está, no entanto, condenada a transformar-se, com as portas das lojas a exibirem sinais de “aluga-se” e os moradores a envelhecerem. As questões que ficam são as de saber quão depressa o bairro mudará e se será completamente tomado pelos turistas.

Stephanie Lai

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s