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Companhia de Jesus prepara aniversário

 

Já começaram os preparativos para as comemorações dos 300 anos da restauração da Companhia de Jesus. A efeméride é só em 2014, mas Luís Sequeira quer fazer mais do que lembrar a história.

 

O Instituto Ricci de Macau vai assinalar o terceiro centenário da restauração da Companhia de Jesus em 2014, data que pretende afirmar como um “grande momento de reflexão”, disse à agência Lusa o vice-director daquele centro de investigação.

“Estamos já a programar e a trabalhar com professores nos Estados Unidos e Polónia, e com uma certa relação com o Centro Histórico em Roma (…) Espero que seja um grande momento de reflexão, não é só relembrar uma história que nem sempre é conhecida”, disse o padre Luís Sequeira.

Estabelecida em Macau em 1562, a Companhia de Jesus viria a ser extinta oficialmente pelo Papa Clemente XIV em 1773 – sob a influência do Marquês de Pombal e da família real Bourbon, presente em Espanha, França e Itália –, sendo restaurada, quase 50 anos depois, em 1814.

“A Companhia [de Jesus] precisava de uma certa purificação e transformação”, admitiu o actual vice-director do Instituto Ricci de Macau.

Delegado do superior provincial da Companhia de Jesus em Macau entre 1986 e 2006, o padre Luís Sequeira referia-se ao “poder” dos jesuítas.

“Eram conselheiros dos reis e príncipes e, pode perguntar-se, até que ponto tudo isso entrou numa certa vaidade ou numa certa diluição de princípios. (…) É preciso aceitar a realidade enquanto momento crítico para a transformação”, afirmou.

O religioso invocou, por outro lado, o legado deixado pelos jesuítas no território, desde a obra social ao ensino. “Em Macau temos duas dimensões (…), uma que é a dimensão social, quando o Melchior Carneiro, o primeiro bispo jesuíta no território, funda a Santa Casa da Misericórdia e tem também o hospital para os lázaros, que são os leprosos. Por outro lado, a fundação do colégio de São Paulo, a primeira universidade do tipo ocidental estabelecida no Oriente”, destacou.

Actualmente, a única residência dos jesuítas em Macau está instalada junto à Igreja de Santo Agostinho – Património Mundial da Humanidade da UNESCO –, reunindo os religiosos estrangeiros e do interior da China que até 1987 estavam divididos entre a Vila Flor e a Casa Ricci.

A celebração do terceiro centenário da restauração da Companhia de Jesus segue-se a uma exposição invocativa da obra do missionário Matteo Ricci em Macau, realizada em 2010, no âmbito dos 400 anos do aniversário da sua morte.

“Matteo Ricci foi sem dúvida a maior figura da Companhia de Jesus” durante os 450 da presença jesuíta em Macau, salientou o vice-director do Instituto Ricci de Macau, fundado a 10 de Dezembro de 1999, dez dias antes da transferência do exercício de soberania de Portugal para a China.

 

Resquícios do marxismo-leninismo

 

Quatrocentos e cinquenta anos após o estabelecimento da primeira residência de jesuítas em Macau, a Companhia de Jesus pretende contribuir para “o grande desenvolvimento da China” numa dimensão espiritual, disse ontem o director do colégio Matteo Ricci.

“O grande desafio é como ser capaz de acompanhar e ter alguma influência neste país que está a abrir à grande geopolítica no mundo”, afirmou, o padre Luís Sequeira.

O padre reflectiu sobre a forma como Macau pode contribuir para o diálogo no “despertar profundo da dimensão espiritual da sociedade da China”. “De uma maneira mais imediata, sabendo que há igreja na China, mas que está ferida (…), isto ainda são resquícios de uma certa realidade que não esconde a ideologia marxista-leninista anterior, que agora se abre a um socialismo mais liberal e em que se mostra essa liberalização em muitos níveis económicos e culturais, mas em que ainda é preciso trabalhar na dimensão política”, disse.

Para Luís Sequeira, que chegou a Macau em 1976 ainda escolástico e foi, durante 20 anos, o Superior da Companhia de Jesus até 2006, é preciso encarar “os sinais” da mudança.

“Esse sinais existem. Podemos nós [Macau], na nossa pequenez e nos nossos limites, ter a criatividade suficiente de dialogar com este grande país que se está a formar, onde a igreja na sua dimensão universal apresenta a China como a grande prioridade”, afirmou.

Embora observando o “pragmatismo económico” da China, nomeadamente na utilização de Macau como plataforma para os países de língua portuguesa, o director do colégio Matteo Ricci considerou que há espaço para a “dimensão espiritual”.

“Cabe a outras pessoas com responsabilidades, senão influenciar os governantes, que eles mesmos possam contribuir com os valores da dimensão espiritual e porque não até religiosa para esse diálogo”, disse.

Ao sublinhar o encontro de povos, culturas e religiões promovido pela Companhia de Jesus, onde destacou a figura de Matteo Ricci, o religioso não deixou, porém, de apontar o “eurocentrismo” e relação de superioridade exercida pela “visão ocidental” sobre o Oriente ao longo dos séculos.

“Por aí há todo um trabalho a ser feito (…), o de perceber o valor profundo civilizacional da China, Índia (…) e de como o Oriente possa contribuir de uma maneira real para uma melhor humanidade”, salientou.

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