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Os espíritos moram aqui

A julgar pelas palavras de Luís Ortet, Macau é terra de crenças, superstições e espíritos. Sobre estes últimos, que servem de mote à peça dos Dóci Papiáçam di Macau, o jornalista e editor, que chegou ao território em 1983, arrisca dizer que são seres com os quais os humanos esforçam-se por “evitar que haja uma má relação”. Por isso, vão sendo “mimados”.

“Em muitas festividades chinesas, há variadas coisas relacionadas com os espíritos das pessoas que já morreram. O banco do inferno, as oferendas que se fazem”, enumera o autor de “As Mil Faces da Lua” (1988), livro que o obrigou a estudar aspectos da tradição de Macau.

As crenças da comunidade chinesa, explica Ortet, são parte das crenças da comunidade macaense que, “por via familiar”, partilham convicções comuns. Os espíritos, defende, são um desses casos. “Reza a tradição que o melhor é manter a distância, até por uma questão de respeito”, brinca Miguel Senna Fernandes.

Na peça “Aqui tem Diabo! – Crónicas dos Bons Espíritos”, Vera Amorim interpreta um destes seres estranhos, que se movem qual vento. “Não é bom, nem mau”, dita a jovem de 19 anos sobre a personagem que encarna.

Além dos espíritos, a vivências tradicionais de macaenses e chineses abarca um leque alargado de superstições. Um desses casos é o auspicioso número oito. Mas há outros, aponta Luís Ortet.

“Acreditam que há uma certa maneira de energia circular e temos de tomar medidas para que essa circulação seja feita de forma satisfatória. Aplicam os mesmos princípios a diversos conhecimentos, como a medicina tradicional chinesa, o Yin e Yang, os cinco elementos, feng shui. Utilizam isto em todas as ciências tradicionais”, conclui.

Apesar de estar enraizado na cultura oriental, Ortet indica que estas temáticas “do outro mundo” são universais: “De uma maneira geral, toda a humanidade é sensível a este outro lado. O que é que acontece às pessoas que já morreram? Será que existem espíritos que nos vêm visitar, à noite, a casa?”.

Portugal não escapa, por isso, a estas crenças. Com devidas diferenças,  próprias da cultura ocidental. P.G.

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