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A mais recente peça dos Dóci Papiáçam di Macau conta com a participação de quatro jovens que, durante dois meses, participaram nos ensaios do grupo. O Riquexó foi o local escolhido e, por lá, espreitámos os preparativos para a estreia que hoje anima a cidade.

 

Pedro Galinha

 

Vera Amorim e Jacqueline Sio são duas estreantes no teatro em patuá. Tal como todo o elenco de “Aqui tem Diabo! – Crónicas dos Bons Espíritos”, despediram-se no início da semana do Riquexó, local que serviu de quartel-general aos Dóci Papiáçam di Macau durante dois meses.

Antes do último ensaio que teve lugar no espaço, as duas jovens não escondiam algum nervosismo quando lembrámos que o Centro Cultural tem casa cheia nas duas datas em que a peça sobe a palco. No entanto, quando foram chamadas a responder sobre a importância da preservação do patuá, as certezas tomaram o lugar das hesitações.

“É a nossa cultura. Se isto acabar, Macau acaba”, vaticinava Vera Amorim, de 19 anos.

Dois anos mais nova, Jacqueline Sio preferiu realçar que na geração a que pertence “já ninguém fala” patuá. Contudo, isso pode mudar caso os jovens procurem os Dóci Papiáçam di Macau, uma vez que a aluna da Escola Portuguesa adiantou que foram dadas aulas de patuá aos jovens. Poucas, mas suficientes para abordar dois temas basilares: gramática e pronúncia.

Além de Vera Amorim e Jacqueline Sio, outros dois jovens participam em “Aqui tem Diabo! – Crónicas dos Bons Espíritos”. Motivo que deixa orgulhoso o encenador e dramaturgo Miguel Senna Fernandes.

“Têm-se portado lindamente. Nenhum deles tem preparação técnica em teatro, mas quem os vê em palco, mesmo que sejam amadores, sabe que não estão à rasca. Vão certamente cumprir o seu papel”, confia.

A incorporação de juventude no projecto de teatro em patuá “vem corresponder a um anseio do grupo”. “Tudo isto precisa de continuidade e sem jovens é complicado”, antevê Senna Fernandes, antes de acrescentar: “É bom que participem no espectáculo para sentirem a língua. Lá está, quando querem reproduzir o diálogo têm de perceber tudo. E no processo de comunicação têm de falar o patuá. Este é um processo evolutivo que os garotos experimentam. Há quatro meses atrás não falavam nada. Agora, se dissermos uma coisa muito simples, já compreendem”.

 

Quebrar barreiras

 

Para o principal rosto dos Dóci Papiáçam, o patuá não é só um crioulo velho. “Pode ser utilizado por uma camada jovem e em situações actualizadíssimas”, dita Miguel Senna Fernandes.

A julgar pelo que vemos e ouvimos nos ensaios de “Aqui tem Diabo! – Crónicas dos Bons Espíritos”, o que diz é verdade. E a justificar tal afirmação apresentamos uma palavra na ordem do dia: “retroactivos”.

A dita surge durante um diálogo entre os veteranos Luís Machado e Alfredo Ritchie. Também eles voltam ao palco este ano para encarnar o “espírito de carnaval” que o teatro em patuá representa.

A festa, ao que parece, está garantida. Mas Jacqueline Sio lembra que na génese do género está a “exposição dos problemas de Macau”. Ou seja, a brincar vão-se dizendo verdades.

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