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A reincarnação dos clássicos

Inspirados pelos mestres, artistas contemporâneos de Taiwan reinterpretam obras tradicionais para explorar o sentido da vida e a essência da arte.

 

Kelvin Costa

 

Sem grandes floreados, a arte contemporânea pode ser descrita como uma forma de criação que abarca três aspectos: reflexão histórica, crítica social e projecção do futuro.

A dar razão a esta tese está “Time Games”, uma exposição temática do Museu de Belas Artes de Taipei dedicada à arte contemporânea taiwanesa, composta por trabalhos inovadores e com uma boa pitada de provocação de uma nova geração de artistas que reinventam estilos, temas e símbolos clássicos da China dinástica.

Para reinterpretar as obras dos grandes mestres, estes autores utilizam uma paleta vasta de técnicas modernas que incluem pintura, impressão, escultura, animação e multimédia.

Ao todo, a exposição inclui 150 trabalhos de 23 artistas de Taiwan que, desde a década de 1990, têm embarcado em autênticas expedições criativas. Em foco, colocam os contextos histórico-culturais que lhes pertencem, à semelhança das experiências pessoais.

Em termos de organização, a mostra está dividida em sete categorias distintas ligadas à tradição da antiga China. Ou seja, paisagens, elementos ligados ao taoísmo e budismo, figuras humanas, caligrafia, flores e pássaros, por exemplo, podem ser vistas em Taipei. Agora, com um toque contemporâneo.

De acordo com o curador da exposição, Tsu-Ling Liao, o crescimento da democracia e a abertura social de Taiwan são responsáveis por esta nova visão artística que permite maior diversificação das formas de expressão de arte – onde está sempre presente uma conotação cultural, política e emocional.

“Partindo da história, dos valores culturais e da identidade, os artistas reexaminaram e recriaram obras clássicas do passado que, segundo eles, provocam um grande mistério”, explica Liao, que acrescenta: “Entretanto, envolvem-se num diálogo com a sua própria história e cultura através de montagem, remontagem, recriação e alteração dos estilos e temas dos clássicos, produzindo produzem uma riqueza de significados e possibilidades sem limites de expressão na era contemporânea.”

Howard Chen é um dos artistas mais singular presente na exposição de Taipei. Com uma pistola de pregos, cria peças “incríveis” de arte que recriam pinturas tradicionais chinesas de paisagens. Um a um, os pregos de Chen parecem ser autênticos borrões de tinta.

“Ao contrário de réplicas que se encontram no mercado, este estilo de trabalho manual requer observação, compreensão e pensamento por parte do artista”, diz o artista. “Para desenvolver uma técnica pessoal, temos de incluir as nossas próprias experiências, investigação objectiva e uma abordagem experimental”, conclui.

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