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Gastronomia para português ver

Graça Pacheco Jorge preparou três pratos macaenses para Francisco Manso registar no documentário “Macau, uma Paixão Oriental”. A estreia está marcada para a segunda metade do ano via RTP2.

 

Pedro Galinha

 

A gastronomia macaense foi o prato forte das filmagens que o realizador português Francisco Manso gravou ontem para o documentário “Macau, uma Paixão Priental”. Da ementa, preparada por Graça Pacheco Jorge no Instituto de Formação Turística, constavam três pratos: galinha à portuguesa, peixe em molho de soja e brócolos.

“Todas as receitas são detentoras da minha família”, explicou a especialista em cozinha macaense, de regresso à terra natal para colaborar no filme que será exibido na segunda metade do ano na RTP2.

Durante mais de uma hora, Graça Pacheco Jorge esteve a cozinhar iguarias locais. “A tarefa não é difícil e é algo que gosto muito porque se trata da divulgação da minha cultura, da minha gastronomia, da minha terra que é Macau”, disse.

Nos últimos anos, a confreira de mérito da Confraria da Gastronomia Macaense tem-se dedicado à divulgação das receitas que herdou da família em escolas de hotelaria e pousadas. O célebre livro que lançou em 1992, “A Cozinha de Macau de Casa do Meu Avô”, será também reeditado este ano pelo Instituto Cultural com novos pratos.

“Todas as famílias macaenses têm uma maneira de [os] fazer. Por exemplo, o minchi. Eu faço-o de uma maneira, o Miguel Senna Fernandes é capaz de o fazer de forma diferente e o Carlos Marreiros de outra. Todos nós temos uma maneira de o fazer, mas a base é a mesma”, esclareceu.

A participação de Graça Pacheco Jorge no documentário de Francisco Manso não se restringe à culinária macaense. “Aparece num contexto que tem que ver com o facto de ser casada com o Pedro Barreiros e os dois serem netos do José Vicente Jorge”, justificou o realizador português, antes de acrescentar: “Era um homem de cultura macaense e tinha grande importância em Macau na sua época. O documentário é baseado fundamentalmente na sua figura e na figura do pai de Pedro Barreiros, Danilo Barreiros, que também viveu aqui”.

Nesta “história familiar”, que parte do início da década de 1930, Francisco Manso espera “dar uma ideia do que é e do que foi Macau”, uma vez que o território “não é assim tão conhecido em Portugal, sobretudo nas gentes mais novas”.

Além das colaborações de Graça Pacheco Jorge e Pedro Barreiros (autor dos livros “Danilo no teatro da vida” e “José Vicente Jorge, Macaense Ilustre” que servem também de mote à realização do documentário), Francisco Manso – pela segunda vez no território, depois de ter realizado em 2004 um trabalho sobre os 150 anos do nascimento de Wenceslau de Moraes – tem recolhido pequenas conversas com gentes que vivem hoje em Macau. Estas, ao que tudo indica, vão também poder assistir à exibição do filme de 52 minutos.

“Em conversa com o presidente do Instituto Cultural de Macau, ficou a possibilidade de se fazer a legendagem do documentário para chinês para as pessoas daqui perceberem e de apresentarmos publicamente o trabalho”, informou o cineasta que completou recentemente 30 anos de carreira.

Recorde-se que o primeiro documentário com a assinatura de Manso foi rodado na Terra Nova e Gronelândia, em pleno início da década de 1980. Entretanto, o realizador português que também foi também responsável por cinco longas-metragens focadas em personagens e acontecimentos históricos de Portugal. Entre estas, destacam-se “O Cônsul de Bordéus”, sobre Aristides de Sousa Mendes, “Assalto ao Santa Maria” e “O Último Condenado à Morte”.

“Quando recebemos dinheiros públicos, acho que temos de fazer algo pela nossa cultura”, afirmou Francisco Manso que para rodar “Macau, uma Paixão Oriental” contou com os apoios da RTP2, Turismo da RAEM, Instituto Cultural e Instituto Camões – que se fundiu, recentemente, com o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), adoptando a designação Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

 

Regresso anunciado

 

Graça Pacheco Jorge vive em Portugal, mas não esquece a terra que a viu nascer. “Desde o século XVII que a família Jorge existe em Macau”, começa por dizer a neta de José Vicente Jorge. “Espero voltar um dia a Macau, às minhas origens, e morrer cá”, conclui.

Com a cidade “sempre no coração”, a especialista em gastronomia macaense esteve ontem no Instituto de Formação Turística para mostrar, mais uma vez, uma “faceta importante da cultura macaense”: a culinária.

Apesar de não esconder o contentamento por ter regressado ao território, ainda que por um curto espaço de tempo (regressa na segunda-feira), Graça Pacheco Jorge confessa que Macau não pára de mudar. Mas nem todas as novidades parecem ser do seu agrado: “O desgosto deste ano foi o fecho do Long Kei [restaurante]. Era uma referência.”

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