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Dia de mostrar Portugal

Manuel Cansado de Carvalho, Amélia António e Rui Rocha uniram esforços para preparar uma quinzena cultural que, além de assinalar o 10 de Junho, quer apresentar a várias faces do país. A en-Cantos arranca hoje, com o documentário “500 anos de relações entre o Sião e Portugal”.

 

Hélder Beja

 

Teatro, música, exposições, gastronomia, lançamento de livros, sessões de cinema – a quinzena cultural en-Cantos é a maior actividade concertada dos últimos anos para celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. O programa (ver nestas páginas) começa hoje com um documentário na Torre Macau e vai até 25 deste mês, data em que Diogo Infante sobe ao palco do Centro Cultural com “Preocupo-me, Logo Existo”.

“Espero que esta quinzena seja mobilizadora, é esse o desafio. Não apenas para o núcleo organizador mais estreito mas para todas as entidades ligadas a Portugal”, refere o cônsul-geral de Portugal em Macau, Manuel Cansado de Carvalho. Para o representante de Portugal no território, o 10 de Junho “é um dia que nos lembra de um país presente no mundo inteiro e com uma história tão antiga que não sabemos ao certo a data da nossa independência e por isso celebramos um poeta”.

Esta “especificidade” camoniana do Dia de Portugal apontada por Cansado de Carvalho cai bem com a toada da quinzena en-Cantos, que tem, além do Consulado de Portugal, a Casa de Portugal e o Instituto Português do Oriente (IPOR) com principais organizadores. “Passámos um período em Macau em que as datas relacionadas com Portugal quase que caíam no esquecimento, porque as entidades que tinham essa responsabilidade se abstinham de fazer o que fosse. A Casa Portugal já tinha vindo a assinalar esta data e felizmente houve agora a possibilidade de fazer um evento mais notório”, aponta a presidente da Casa de Portugal, Amélia António.

 

“Esta data evidencia a presença dos portugueses por todo o mundo, o seu trabalho e determinação. Não é com saudosismo que olho para os Descobrimentos. A aventura de 500 é antes a prova da determinação e da capacidade de um povo”, acrescenta a dirigente, que destaca a gesta de “um país pequeno mas que sempre teve gente determinada, preparada, capaz e com uma maneira especial de estar no mundo”.

O presidente do IPOR, Rui Rocha, considera que “os eventos e as celebrações são sempre um repositório de memórias em relação ao nosso passado histórico”. Da programação, Rocha destaca o documentário de hoje sobre os 500 anos das relações entre o Sião e Portugal, a palestra sobre o padre jesuíta Tomás Pereira e a mostra de pintura “A Geração de 500”, de Isabel Nunes. “Esta exposição é a celebração de uma geração que fez a abertura de Portugal ao mundo” e que teve um forte impacto no pensamento europeu de então.

Rui Rocha considera que “o espírito do 10 de Junho deve ser esse, o da abertura de Portugal ao mundo”. Apesar de referir que a aventura dos Descobrimentos teve aspectos negativos – “porque há sempre aspectos negativos quando se descobre e se coloniza” – o responsável do IPOR vinca que este dia serve “para celebrar o que os portugueses deram ao mundo”, e não apenas em termos comerciais.

 

Divulgar é preciso

 

Amélia António quer continuar a mostrar que “a cultura e presença portuguesas em Macau são indiscutíveis” e parte integrante da cultura e identidade local. “Mostrar isso nos tempos que correm é extremamente importante, porque uma boa parte da população que aqui vive desconhece a História de Macau, desconhece o que significa a presença portuguesa.”

Apostada em que a quinzena en-Cantos seja “uma afirmação muito positiva” da comunidade portuguesa de Macau, Amélia António espera que o público corresponda à chamada e que isso seja transversal às várias nacionalidades que habitam o território. “A maior parte dos eventos podem ter um público mais geral”, lembra, garantindo que a barreira linguística não existe na maioria dos espectáculos.

Rui Rocha realça que houve um esforço da organização para comunicar em português, chinês e inglês sempre que possível, para alcançar toda a população local. “Se não nos abrirmos às outras comunidades, não faz sentido. Houve essa preocupação.” Rocha vê como “fundamental” que as instituições lusófonas do território dêem a conhecer a sua cultura e destaca o papel de outras entidades, como a Fundação Oriente, o Instituto Internacional de Macau e a Confraria da Gastronomia Macaense, que se associaram a esta quinzena.

Já Manuel Cansado de Carvalho está expectante para perceber a resposta do público. “Em princípio digo que sim, que faz falta mostrar mais a nossa cultura. Agora vamos ver em função da adesão do público, a resposta virá desse lado.” O cônsul-geral de Portugal em Macau reforçou também que “a maior parte dos eventos da quinzena são por natureza multiculturais”.

 

Novas edições a caminho

 

Os livros também entram na quinzena en-Cantos – e logo com uma tradução de Eugénio de Andrade. A obra “Branco no Branco”, assinada pelo poeta português, foi vertida para chinês por Yao Feng e será apresentada na sede da Casa de Portugal, às 18h de dia 13, próxima quarta-feira. Dois dias depois, no Albergue SCM (18h30), o arquitecto Gustavo da Roza apresenta o livro “Cidades e Lugares”. Finalmente, a 18 de Junho, também pelas 18h30, a Livraria Portuguesa recebe o lançamento de três obras editadas pelo Instituto Internacional de Macau: “Macau 1937-45 – os anos da guerra”, de João Botas; “Filhos da Terra – A Comunidade Macaense, Ontem e Hoje”, de Alexandra Sofia Rangel; e “The Portuguese Community in Shanghai”, de António Pacheco Jorge da Silva.

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