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“A língua chinesa sofreu uma deterioração drástica”

É tido como o principal tradutor da ficção moderna chinesa para o mundo anglófono. Howard Godlblatt, com mais de trinta títulos vertidos dos dois lados do Estreito, esteve em Macau a participar num debate sobre o futuro da literatura da China na passada semana. “Tem um longo caminho a percorrer”, defende, após sete décadas de introversão e de simplificação da linguagem imposta pelo poder político. O texto do Continente está a ficar cada vez mais pobre e formatado, entende o tradutor, um confesso orwelliano.

Maria Caetano

– Esteve a participar na palestra “Quatro Lugares dos Dois Lados – Prospectiva da Literatura em Língua Chinesa no Mundo”, co-organizada pela Fundação Macau. O que conclui do debate com os escritores da região?

Howard Goldblatt – Tivemos duas sessões de três a quatro horas, com muita conversa. Foi uma oportunidade para transmitir algumas impressões genéricas sobre a situação actual da literatura chinesa nestes diferentes locais: Taiwan, China Continental, Hong Kong e Macau. Não houve muitas perguntas e tivemos seis pessoas a falar. Foi sobretudo uma oportunidade para abrir um debate sobre onde a ficção chinesa, e também a poesia, se encontra e para onde se deve dirigir. Para alguns, há um cenário muito positivo que indica que a literatura chinesa está em grande forma. Para outros, a literatura chinesa tem um longo caminho a percorrer até estar no palco mundial.

– É esta a sua opinião?

H.G. – É a minha perspectiva. Há problemas que envolvem sobretudo a ficção do Continente: problemas de ideologia; problemas de uso da língua; e problemas de produção literária. A minha perspectiva, enquanto tradutor, é a de que a literatura olha demasiado para dentro, não é suficientemente global, está demasiado preocupada com a China. Tem pouco que ver com ‘ren’, as pessoas, o ser humano. Fala apenas dos chineses e acho que é preciso os autores libertarem-se disso. Uma das razões é porque os autores chineses da China não dominam qualquer língua estrangeira e, por isso, não conseguem ler nada além da sua própria literatura ou literatura estrangeira traduzida. E, para ser honesto, as traduções para chinês são péssimas. Não costumo levantar estas questões com uma crítica negativa, mas antes construtiva, já que estes autores não têm qualquer obrigação de me dar ouvidos. Podem ignorar-me por completo e talvez o façam.

– Por outro lado, da parte dos leitores, há também uma expectativa de uma literatura chinesa que fala da China. Trata-se da resposta a uma procura pelo assunto China?

H.G. – Certamente. A maioria das pessoas no Ocidente – na verdade, no mundo anglófono – lê a ficção chinesa como sendo uma janela para a China, por oposição a literatura. José Saramago e autores como ele não escrevem sobre Portugal. García Marquez não escreve sobre a Colômbia, mas sim sobre pessoas que por acaso vivem na Colômbia, e lida com as questões através de uma perspectiva colombiana. Mas os autores chineses tendem a ver a China como o ponto de partida em vez de cenário e ambiente. Acho que os chineses ainda estão a fazer a Guerra do Ópio, ainda estão zangados com o Ocidente e a procurar retratação. Tornaram-se muito insulares, muito nacionalistas. Digo isto abertamente e sempre que posso: ‘Não sejam tão nacionalistas, diabo! É óptimo ser chinês, mas sejam cidadãos do mundo.’ Respondem-me: ‘É fácil falar. És um americano, que sempre foi imperialista’. É verdade, temos sido. Mas entendo que os melhores autores dos Estados Unidos, do Ocidente, do Japão são mais internacionalistas, globais. Estão mais interessados na mente e no coração humanos. Os chineses ainda não chegaram a esse ponto. Ficam bastante infelizes com o facto de Gao Xinjiang ter ganhado o Prémio Nobel da Literatura, ele que nem sequer é chinês por ter adquirido a nacionalidade francesa. E ele é provavelmente a melhor fonte possível, porque é um internacionalista, vê o mundo através dos olhos dos seres humanos, dos problemas que enfrentam, dos desejos que têm, do que é viver no século XXI – e não em termos do que é ser chinês.

– Refere a questão ideológica, que tem que ver com esta introspecção literária chinesa. E, do ponto de vista do uso da língua, quais são os problemas?

H.G. – Em 1942, Mao realizou uma série de palestras em Hunan, palestras de índole proletária. Estamos no 70º aniversário dessas palestras. Um grupo de escritores está agora a copiar excertos delas para publicação em livro. É a coisa mais estúpida que já ouvi na vida! Essas palestras encurralaram a literatura chinesa a um canto, para que apenas servisse as massas. Em vez de os escritores tentarem promover o amor e nível de apreciação das pessoas, foi-lhes pedido que baixassem a fasquia ao mínimo possível, que escrevessem para os camponeses. Isto não apenas dificultou imenso a vida dos autores como teve um enorme impacto na linguagem. A beleza da língua chinesa foi perdida de forma significativa porque esta teve de ser nivelada por baixo. Em inglês, dizemos ‘dumbing down’. Desde a mudança de poder, em 1949, a filosofia chinesa tem sido a diminuir a qualidade e o fôlego da linguagem, fazendo com que se percam as nuances das imagens tradicionais chinesas – onde uma palavra podia significar meia dúzia de coisas diferentes. Agora as palavras referem-se apenas àquilo que o Governo quer que se refiram. E o que sucede é que, quando não se pode dizer uma coisa, não se consegue pensá-la. Se já não conseguimos descrever um objecto, não conseguimos mais pensar sobre ele. Desaparece das nossas vidas. Foi o que sucedeu com a literatura chinesa. Quase toda a gente concorda com isto: a qualidade da língua chinesa escrita e falada sofreu uma deterioração drástica nas últimas décadas. Sou muito orwelliano e tendo a acreditar que é uma questão de controlo, que isto acontece porque assim é mais fácil controlar uma grande população que é também diversa. Em vez de se procurar enriquecer a língua há um propósito de a diminuir, e os escritores são incapazes de ser tão criativos e ter tantas nuances como poderiam ser e ter. Tudo é dito em termos de clichés padronizados em vez dos escritores criarem algo novo e fresco. Estou a generalizar um pouco, mas entendo que isto acontece sobretudo na China Continental e não se vê noutras regiões, como Taiwan, Macau e Hong Kong.

– Onde a escrita tradicional prevalece…

H.G. – Sim e, por exemplo, as crianças têm hoje muita dificuldade em ler a tradição chinesa. E não tem que ver apenas com a utilização dos caracteres simplificados, mas com o facto de toda a estrutura linguística já não ser tão natural como antigamente. É bastante perigoso. Quando se corta o passado de alguém, corta-se-lhe também o futuro. Assumo que sou bastante orwelliano, mas em Taiwan, onde vivi muitos anos e traduzi imenso, a literatura é muito mais rica. Traduzo com a minha mulher [Sylvia Lin] e, recentemente, traduzimos um policial do Continente – que é até bastante divertido – e estamos também a traduzir uma história de detectives de Taiwan. O policial do Continente é divertido, bom e interessante, mas o de Taiwan é muito mais rico – em vez de lidar com as variações de uma receita passa o que está na cabeça do autor, move-se conforme sente. Já no caso do autor do Continente é como se conseguíssemos nós próprios escrever o raio do livro! Até gostamos dele, mas o outro é muito mais rico. Algo mudou e não acho que seja para melhor. Há escritores que traduzi várias vezes, de um deles traduzi nove romances – adoro o trabalho dele, mas começo a ver que as inovações dele esgotaram-se, já não sabe o que fazer.

– Traduz tanto a escrita simplificada como a tradicional?

H.G. – Sim, são essencialmente as mesmas. Os caracteres podem ser diferentes, mas representam as mesmas ideias. Mas não falo tanto dos caracteres, tem antes que ver com os locais. Taiwan e o Continente vivem separados há mais de 60 anos, até como inimigos durante boa parte desse tempo, e desenvolveram-se em sentidos completamente diferentes. Já não são a mesma coisa. No Continente há várias províncias que, apesar de diferentes, são a mesma coisa. Taiwan e a China Continental são muito diferentes em termos de educação e outros aspectos. Por outro lado, Taiwan é uma ilha – um pouco como Macau – e as pessoas que vivem em ilhas pensam de forma diferente daquelas quer vivem no continente. Quem está rodeado de água sente-se provavelmente mais vulnerável. E, actualmente, o Continente é tão rico e poderoso que é difícil não se estar orgulhoso de ser chinês. Vemos muito isso nos estudantes chineses que estão nos Estados Unidos: são extremamente susceptíveis e nacionalistas que, se um branco como eu – que adora a China, traduz chinês e é casado com uma chinesa – disser uma palavra de mal, perguntam-me imediatamente quem sou eu para falar mal da China. Compreendo isso um pouco, mas é uma pena que sintam que têm de representar o seu país 24 horas por dia, sete dias por semana. A China é um dos principais actores a nível global, deve juntar-se à comunidade mundial. Tenho de ter cuidado com o que digo, claro, porque sou americano. Mas não sou um super-patriota. Vivi na China, no Japão, passei imenso tempo na Europa e em muitos países asiáticos, aprendi duas ou três línguas. Considero-me um internacionalista e falo como alguém que acredita que faz parte de uma comunidade mais alargada do que um país.

– Voltando à questão da estrutura linguística, recordar-se-á dos protestos ocorridos em Guangdong e Hong Kong contra o uso oficial do mandarim. O sul da China teve uma reacção forte, excepto talvez em Macau, que terá que ver com questões de identidade. Isto também é importante para a literatura?

H.G. – Vi isto acontecer em Taiwan quando foi proibido o uso do dialecto taiwanês [pelo Kuomintang]. Sei de miúdos que foram castigados por falar em taiwanês na escola e obrigados a usar t-shirts onde se lia ‘Falo um dialecto. Não falo chinês’. O taiwanês recuperou completamente, hoje falar taiwanês é mesmo, mesmo fixe. A força da identidade é enorme, não há qualquer dúvida. É também uma questão de mero orgulho na língua e nas tradições. E há que admiti-lo: o taiwanês e o cantonês são muito mais interessantes do que o mandarim – que não é interessante de todo apesar de ser o único que falo bem. Agora vejo isto acontecer aqui e, falando com pessoas de Hong Kong, vemos que estão realmente preocupadas com o facto de o mandarim ser ensinado nas escolas quase de forma exclusiva, com a possibilidade de num dado momento o cantonês se transformar numa língua da minoria que é falada apenas em casa, acabando por perder-se. Talvez não aconteça em dez anos, mas vai acontecer em 50 anos talvez. As pessoas não se importam com o mandarim, aprendem as duas línguas desde miúdos, mas perder o cantonês será como perder a identidade pessoal. Não sei se estão zangados, mas sobretudo têm medo. Já viram o que a China pode fazer. Vivi durante um ano na Manchúria, 70 anos depois da queda da Dinastia Manchu, e não havia um único falante de manchu. A cultura han é uma cultura poderosa com uma ideologia poderosa. As minorias da China vestem uns fatos engraçados duas vezes por ano, mas o estatuto que tinham foi-lhes largamente retirado. Como é que podem estar felizes com isso? Não podem. Mas é inevitável, acho que já não há nada a fazer. Depois, há outra coisa: o cantonês foi sempre um estrangeiro à margem da governação chinesa, é um tipo que arranja sarilhos, os governos odeiam-no, porque o cantonês protesta e quer levar a sua avante. Os líderes chineses sabem disto, têm de manter o cantonês debaixo de olho não vá ele armar sarilho. Eu cá gosto que as pessoas armem sarilho. Mas estas preocupações são reais.

– A literatura tem sido capaz de lidar com estas diferenças internas?

H.G. – Não directamente. Há uma terrível auto-censura. Os intelectuais que pisam o risco não se dão bem na China. Basta ler os jornais. Os escritores são extremamente cuidadosos de forma a não abordarem estas questões directamente, a menos que saiam do país, que escrevam no exílio. Mas, aí, ninguém os lê na China. As obras de Gao Xinjiang continuam a não ser oficialmente lidas na China Continental, e passam uns 12 anos desde que ele ganhou o Prémio Nobel. Há acesso a cópias pirata, claro, mas ele não pode ser lido de forma legal na China. E ele nem sequer lida com estas questões na escrita, de forma algumas. As obras deles chegaram a ser publicadas na China. Só no exílio, quando começou a intervir de forma dissidente do Governo e abandonou a cidadania, a sua presença legal foi suspensa. Portanto, os escritores não lidam com estas questões sensíveis – e não me importa que o façam, desde que escrevam sobre a humanidade. Não é preciso haver um romance que trate directamente do desaparecimento do cantonês nas escolas. Há formas de contornar a questão. Mas tenho de dizer uma coisa: não leio tanto quanto trabalho actualmente. Estou mais velho, imensas coisas para traduzir, e tenho de limitar o tempo que posso dedicar-me a ler obras chinesas. Além disso, ando a adorar ler policiais da Noruega e da Suécia.

– Já lhe foram pedidas traduções de obras de autores de Hong Kong e Macau?

H.G. – Traduzi uma duas histórias de autores de Hong Kong. Para ser honesto, não sei quem é que escreve em Macau. Aprendi um pouco durante a palestra. Mas o facto é que Macau não tem escritores profissionais – só há amadores, que têm outros trabalhos. Não os conhecemos no Ocidente. É pena, provavelmente vale a pena lê-los. Em Hong Kong há dois ou três escritores bastante conhecidos, que nunca traduzi, não sei bem porquê. Adoro Hong Kong. Não era capaz de voltar a viver lá. Cheguei a Hong Kong em 1962, há muitos, muitos anos. Mas a minha ligação mais forte é com Taiwan, onde vivi durante muito tempo em período de Guerra Fria, quando a China era um inimigo. Também passei muito tempo na China Continental. Mas sinto uma grande proximidade com Taiwan e há imensos bons escritores em Taiwan com os quais quero trabalhar. De forma que não me vou provavelmente pôr a traduzir grandes textos de escritores de outros locais, como Hong Kong ou Macau.

– Recorde-me como se deparou primeiro com a língua chinesa.

H.G. – Fui mobilizado pelo Exército dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietname. Tinha acabado de sair da Universidade, não tinha trabalho. Pediram-me para ir com eles e eu fui. Mandaram-me para Taiwan não sei porquê. Enquanto lá estava soube de coisas que me interessavam mas não fiz grande coisa. Depois estive no Japão e no Vietname. Quando me reenviaram para Taiwan, interessei-me por aprender a língua. Tive um professor particular. Quando finalmente me deixaram sair do Exército fiquei lá. Fui estudar durante algum tempo e dei-me conta de que, já que era a única coisa que sabia fazer bem – era uma folha em branco em tudo mais –, inscrevi-me numa licenciatura de Estudos Chineses nos Estados Unidos. Foi assim. Não tinha qualquer interesse ou informação sobre a Ásia antes de ir para Taiwan – zero. Se me tivessem enviado para a Alemanha, tinha ficado contente na mesma. Ainda bem que não o fizeram, resultou bastante bem. No meu país, e em muitos outros, as pessoas que actualmente se interessam pela China, começaram a interessar-se muito cedo, nos anos do ensino secundário. Vão para universidade e frequentam cursos de chinês ou japonês. Isso não aconteceu comigo. Na minha altura, as únicas pessoas que estudavam chinês estavam no serviço militar com auscultadores a interceptar comunicações. Era um mundo diferente. Actualmente, os jovens em geral interessam-se muito mais pelo mundo desde pequenos. Estão ligados a ele através dos seus iPhone constantemente. No meu tempo não tínhamos sequer fotocopiadoras.

– Sei que não refere qual o autor que mais gostou de traduzir. Mas pergunto-lhe qual foi a tradução em que sentiu mais dificuldade.

H.G. – A maioria dos autores que gostaria de traduzir conhece-me e entendo também que a maioria ficará contente por ser eu a traduzir. Mas se houver alguma crítica negativa vão culpar-me. Tenho de ter muito cuidado. Tive problemas com alguns autores. Mas traduzo textos e não pessoas. Mas, na maior parte das vezes, tenho sido bem-sucedido. Também há muitos autores que traduzo e não chego a conhecer, nem me interessa fazê-lo. Conheço-os pela escrita. E muitos ajudam-me bastante quando tenho dúvidas. Há uns dois autores muito difíceis de traduzir, inventam muitas palavras. É algo que o chinês tem: é muito fácil inventar palavras nesta língua, basta juntar dois caracteres. Por exemplo, se juntarmos ‘roxo’ e ‘vermelho’ criamos uma nova cor. Mas como ponho isto em inglês? É um desafio e quase sempre não fico satisfeito com o que fiz. Às tantas admito que é uma perda e pronto, perde-se sempre alguma coisa e não há nada a fazer. Simplesmente, há coisas que não dão para traduzir.

– A língua chinesa é mais difícil de traduzir do que outras línguas de caracteres?

H.G. – Não há na verdade outras línguas de caracteres para além do japonês – que se está a perder – e o sul-coreano, onde os caracteres já são apenas usados nos nomes. O chinês é absolutamente único na tradução. Quando tento explicar a um editor como a língua chinesa é diferente do inglês, não importa o que diga porque nunca me faço entender completamente. É preciso passar dias, semanas, meses, anos a brincar com esta língua até perceber quão diferente ela é. Outra diferença é que é preciso ser mais criativo – perdoem-me os meus colegas tradutores de outras línguas. É preciso ler o chinês, pensar no que a pessoa está a tentar dizer e criar algo completamente novo. Se tentarmos reverter o texto traduzido ao original sai algo totalmente diferente. De uma cenoura sai-nos um nabo. São da mesma família, mas são diferentes. Isto acontece porque a língua o exige. Não sei como é com o árabe, mas acho que o chinês é a língua mais difícil de traduzir. E essa é uma das razões porque a adoro. Dá-me a oportunidade de perceber se sou um escritor capaz, não um tradutor. Às vezes sou, outras vezes não.

– O tradutor enquanto escritor é mais visível na tradução do chinês.

H.G. – Sim, na tradução do chinês para línguas ocidentais. Para japonês, por exemplo, já não acontece tanto. É por isso que estou na casa dos 70 anos e ainda ando a tentar perceber como isto funciona. À medida que vou andando, as palavras já custam mais a sair do que quando era jovem, mas a compreensão do processo é cada vez mais clara para mim. Talvez quando tiver 100 anos diga ‘eureka, percebi’ e caia para o lado (risos).

 

 

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