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“Estamos mais perto das raízes do jazz”

Jean-Jacques Verdun antecipa a terceira edição do Festival Internacional de Jazz de Beishan, que conta este ano com a participação de um nome norte-americano. A honra cabe à jovem Butterscotch, conhecida pela participação no programa “America’s Got Talent”. “Gosto realmente do seu som groovy”, aponta o vice-director do festival.

 

Pedro Galinha

 

– O Festival Internacional de Jazz de Beishan segue este fim-de-semana para a terceira edição. O cartaz apresentado é o melhor de sempre?

Jean-Jacques Verdun – Diria que o cartaz deste ano está na linha do temos feito até aqui: é diverso e tem qualidade. O nosso festival ainda é muito recente, o que temos definido é um plano a longo prazo e ainda estamos numa fase de consolidação da base do projecto. Portanto, para aqueles que possam estar desapontados por não termos dado o salto para outro nível, só posso dizer uma coisa. Se gostaram no ano passado, agora vão gostar outra vez. E acrescento ainda uma expressão que se usa em chinês: “Man man lai”, que significa fazer as coisas passo a passo.

– Destaca algum dos oito nomes presentes?

J.J.V. – Existem três ou quatro bandas que vão certamente chamar a atenção do público, mas, para mim, há um nome em destaque: Butterscotch. Gosto realmente do seu som groovy e convém dizer que é a primeira vez que Beishan recebe alguém dos Estados Unidos. Estamos a ficar mais perto das raízes do jazz!

– Li Gao Yang estará de volta. Porquê esta nova aposta?

J.J.V. – Desenvolvemos uma grande amizade com o Li Gao Yang e ele aceitou voltar a Beishan para o espectáculo de abertura, na sexta-feira [hoje]. O primeiro concerto de um festival nunca é fácil e aqui não é excepção. Ele não terá toda a atenção do público, mas acho que ter músicos de jazz locais é uma mais-valia para o festival.

– No ano passado, o festival teve a duração de três dias. Este ano passa novamente a dois. Alguma razão particular motivou esta decisão?

J.J.V. – Na verdade, já no ano passado, o festival teve apenas dois dias. No entanto, tínhamos feito um acordo com o nosso patrocinador, Mangrove Bay, para ter um dia extra. Descobrimos que esta não era a melhor opção para o festival, a longo prazo. As pessoas ficaram um pouco confusas devido à existência de dois locais. Além disto, não estávamos totalmente no controlo de toda a logística, no local onde o patrocinador se fixou, e alguns detalhes não nos satisfizeram. Temos como objectivo fazer um festival muito profissional, daí que, por enquanto, decidimos que a melhor opção é organizar duas datas no mesmo local.

– Foi fácil conseguir apoio financeiro este ano?

J.J.V. – O festival vai para a terceira edição e, por isso, é cada vez mais fácil encontrar patrocinadores para este evento, como seria de esperar. Há muitas “estrelas cadentes” no mundo do entretenimento, mas nós provámos que estamos aqui para ficar. Isso ajuda a estabelecer a confiança dos patrocinadores no potencial do nosso Festival Internacional de Jazz de Beishan. Também queremos que algumas empresas de Macau se envolvam na promoção do evento. Veremos se conseguimos isso no próximo ano.

– O Governo Municipal de Zhuhai tem apoiado o projecto?

J.J.V. – Esse é um dos aspectos que mudou este ano. Nas duas primeiras edições, não recebemos muito apoio por parte das autoridades locais. Lembro-me que o meu parceiro Simone Xue chegou a afirmar, a dada altura, num vídeo da Macau Closer que com ou sem o apoio do Governo, nós iríamos levar o projecto em frente, por muito tempo e com sucesso. Há uns meses atrás, o recém-nomeado secretário-geral do Partido Comunista de Zhuhai, Li Jia, ouvi algumas coisas boas sobre o Festival de Beishan, numa viagem a Cantão. Acho que as autoridades perceberam o grande potencial do evento para a cidade de Zhuhai porque há factos: este evento é o único que poderá atrair pessoas de outras cidades. Li Jia afirmou mesmo que quer que o Festival Internacional de Jazz de Beishan se torne o “cartão-de-visita” da cidade. Para nós, é muito bom ter este apoio do Governo e de uma personalidade da liderança. Li Jia virá inaugurar o festival.

– Quantas pessoas esperam atrair este ano?

J.J.V. – Esperamos ter entre duas mil a três mil pessoas, por dia. Com o apoio de Li Jia, estamos a planear a construção de um palco ao ar livre, do lado de fora do Teatro de Beishan. Em princípio, isto deverá estar pronto no próximo ano e será assim que seremos capazes de acolher mais pessoas.

– Haverá público para este alargamento?

J.J.V. – AChina vive um clima de abertura desde 1979 e os chineses são muito sedentos de novas experiências. O jazz é uma experiência para o nosso público local e vemos o entusiasmo que têm para este género de música. É realmente tocante e não sou só eu a sentir isso. Os músicos que se apresentaram até hoje em Beishan também foram tocados por este público. Depois, há também muita gente de Macau que é amante de jazz e acho que é por isso que vemos muitos residentes no festival.

– Há planos para promover concertos em Macau e trabalhar com as associações de jazz locais?

J.J.V. – Ficaríamos felizes em cooperar com o Clube de Jazz de Macau e com a Associação de Promoção de Jazz de Macau (澳門爵士樂推廣協會). Queremos levar mais jazz ao território, mas ainda estamos numa fase importante de consolidação do projecto de Beishan, antes de nos expandirmos. Acho que o apoio que estamos a ter de Li Jia é o clique que estávamos à espera para podermos avançar para novas direcções. Veremos como tudo vai correr nos próximos meses.

– Já estão em condições de dizer que o Festival Internacional de Jazz de Beishan é o melhor festival de jazz no sul da China?

J.J.V. – Definitivamente, temos uma atmosfera melhor. Não só devido ao público entusiasta, mas também à utilização do exclusivo Teatro de Beishan. Isso faz com que o nosso festival seja realmente especial. No entanto, creio que ainda não somos o melhor porque existe o Festival de Jazz de Hong Kong, que goza de mais recursos e, portanto, tem um cartaz melhor. O Festival de Shenzhen também é muito bom. Ainda assim, as duas organizações não têm o Teatro Beishan. Nós temos!

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