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Sonho e futuro chegam ao Sky

 

Onze trabalhos de dois artistas de Macau estão, desde ontem, expostos no Sky 21. Os traços dramáticos Pakeong Sequeira e as imagens sonhadoras de José Drummond podem ser apreciados até ao final do ano.

 

Inês Santinhos Gonçalves

 

O futuro e o sonho estão representados, desde ontem, no bar-restaurante Sky 21. Num salto para fora dos habituais locais para exposições, a Art for All Society (AFA) organizou, pela segunda vez, uma mostra neste espaço. Desta vez, são os artistas José Drummond e Fortes Pakeong Sequeira que levam trabalhos seus às paredes do bar. São cinco fotografias do primeiro e cinco vasos pintados do segundo, além de um enorme painel vidro desenhado.

O “quadro vivo” que ontem Pakeong Sequeira terminou consiste numa parede de vidro, com quatro metros de largura e 1,5 metros de altura, localizada em frente ao bar, no primeiro andar. O marcador preto é o material de eleição. A simbologia, tanto neste painel de grandes dimensões como nos cinco vasos de formato tradicional que pintou – com o traço pouco convencional que já lhe é conhecido –, está ligada ao futuro. “Espero que depois de 2012 as pessoas possam ter um futuro melhor”, afirmou.

Os cinco vasos, dois grandes e três pequenos, pertencem a uma série chamada “Nova Era Dourada”. A habitual estética negra de Pakeong Sequeira continua a estar presente mas desta vez o artista garante que está suavizada. “Escuro mas calmo”, descreve.

 

Entre a realidade e ficção

 

Para José Drummond, “a fotografia reflecte um momento próprio do seu criador, da sua capacidade de interpretar a realidade e de, por isso, criar um espaço de ficção”. A série “The Winker”, que apresenta no Sky 21, é exactamente fruto de uma experiencia particular e da transformação criativa que esta gerou.

Algo particular liga as cinco fotografias: estão desfocadas. “Em 2010, tive uns problemas de vista e tive de me sujeitar a um tratamento com umas gotas que me obrigava a passar cerca de duas horas com a visão totalmente desfocada”, conta. A experiência serviu também de mote para o nome da série, que significa algo como “aquele que pisca os olhos”.

O nome teve também em conta outra dimensão: “O conceito de ‘wink’ está hoje vulgarmente associado às redes sociais e aos sites de dating, onde o gesto de ‘wink’ sugere uma interferência com um cunho de interesse pessoal”.

Tendo estas duas facetas em conta – o conceito social e a desfocagem – Drummond consegue “sugerir todo um campo ilusório” que muito o interessa. Explorando os diversos aspectos da imagem e esticando “os limites do material”, o artista consegue obter essa mistura entre a realidade e ficção.

“Não vejo a fotografia como uma representação da realidade. Para mim, a fotografia é o fantasma de um momento que eventualmente passou”. Por esse motivo, o criador – que não se diz fotógrafo, videasta ou pintor, mas sim uma pessoa que usa o que está ao seu dispor “para explorar ideias dentro da arte contemporânea” – não foca o seu interesse no valor da fotografia como documento. E isso constata-se nestes trabalhos: “O que existe é essencialmente a tentativa de escape para o limbo, para a concentração de fantasia no cérebro de cada um, para um mundo de sonho onde nada é muito definido e onde existe espaço para nos deixarmos levar e soltar a imaginação”.

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