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A mulher na raiz de Vítor

Pedras, ferro e arame. A força bruta da natureza e a delicadeza da mulher, numa exposição de Vítor Sá Machado. Uma experiência diferente na Livraria Portuguesa.

Paulo Rego

Adora mulheres, tinha “os filhos criados” e “o divórcio tratado”, quando se fartou de Lisboa e resolveu “trocar a cidade pelo campo”. Foi para Escalhão, terra do pai, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Lá encontrou um armazém cheio de ferro e arame, pensando que “um dia tinha de lhe dar destino”. Acabou por juntar as pedras que encontrou no caminho para esculpir a nova vida que escolheu. “Faço o que gosto, quando quero”. Por isso sente-se “satisfeito e realizado”. Se houvesse felicidade, seria a esculpir as pedras e o ferro que a encontraria. Mas essa “não existe”. Vítor Sá Machado diz que “há momentos de felicidade” e, esses, consegue capá-los na arte de esculpir.

Vítor fazia esculturas “a fingir”. Trabalhava no teatro, a fazer cenários e adereços. Mas era tudo virtual. “Era leve, mas fingia-se que era pesado; era de esferovite, a fingir que era de pedra…” Não era real, tinha pouco de natural. Mas não deixava de ter piada, “porque era um trabalho colectivo, que só tinha valor integrado no todo”.  O que agora faz é “mais solitário”. Mas é o que vai continuara  fazer. Quando for velho, Vítor vê-se ainda a esculpir. Nessa altura obras mais pequenas, porque não se vê a “carregar pedras grandes”.

Trabalha agora – e se puder, para sempre – a natureza em bruto. Nem sequer altera as formas às pedras. Quando as encontra, olha para elas e percebe que podem ser “uma cara, um nariz, uma boca ou um corpo”. Leva-as para o atelier, junta umas às outras e acaba as formas com ferro e arame. Há uma relação bruta, poética, com a natureza, mas também com a “a delicadeza da  mulher” e a “imagem da sua força”.

A exposição que ontem inaugurou na Livraria Portuguesa resulta dos contactos pessoais. É amigo de Rui Rocha desde os tempos da juventude, “quando na Amadora, então bairro dormitório, encontravam-se nos cafés porque não havia mais nada para fazer”. Veio até Macau porque “os amigos o convenceram”. Está curioso, porque o que faz “é tão diferente do que se vê por aqui que quero ver como o meu trabalho será recebido. A sala estava ontem cheia, meia hora depois havia vendas feitas e gente a pedir a lista de preços. Parece que foi bem recebido.

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