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Renovar contra o cinzentismo

Ivo e Margarida Ferreira trazem para Macau um dos maiores sucessos de marketing em Portugal, a Renova Colors, que ao inventar papel higiénico a cores e perfumado deu um passo decisivo para a internacionalização da marca e transformou um produto de higiene pessoal e de casa de banho numa ideia de moda e de design. O lançamento que ontem teve lugar na loja da Mo-Design, na Avenida Mário Soares, serviu simultaneamente para anunciarem a representação exclusiva da marca no território e para comemorarem um ano de vida da Mercearia Portuguesa, loja que abriram no Albergue como negócio complementar das suas vidas de realizador e de actriz.

O papel higiénico preto tornou-se um ícone do design e “transformou um produto estigmatizado numa verdadeira estrela mediática”, tendo a seguir a Renova expandido a produção para uma panóplia de cores fortes e outras categorias de produtos. “A experiência mostra que estes produtos exclusivos trazem uma dimensão totalmente nova e surpreendente para um produto inesperado, criando um wow factor e gerando muita curiosidade e buzz”, diz o comunicado que convidava amigos e curiosos para o lançamento do “mais sexy papel do mundo”.

A Mercearia Portuguesa segue uma estratégia de dimensão controlada e “escolhe cuidadosamente os produtos” em que aposta, explica Ivo Ferreira. Mas desta vez foi ao contrário. “A Renova enviou-nos uma mensagem provocatória no facebook, dizendo-nos que era incrível não termos o seu produto. Já tínhamos pensado nisso, mas como apostamos sobretudo em produtos tradicionais portugueses, associados ao design com uma dimensão quase familiar, achamos que não faria associarmo-nos à Renova.

Mas a ideia era sedutora, e sugeria também uma atitude “contra o cinzentismo político e empresarial português”. Por isso decidiram experimentar uma estratégia complementar à Mercearia Portuguesa, envolvendo a empresa que está por trás numa parceria com a Mo-Design”, que em Macau tem pergaminhos suficientes, por exemplo, para estar ligada à concepção da imagem da bienal de Tóquio”. Esta nova aposta,  aproxima Ivo e Margarida Ferreira “dos criadores locais”, com quem querem “fazer coisas conjuntas”. Ivo Ferreira diz que a Renova é também uma “experiência” nessa lógica. Quanto à dimensão que o negócio pode ter, vai “ver para crer”.

Ivo Ferreira centra o discurso nessa “experiência conjunta entre designers locais e as fábricas portuguesas com uma patine especial. “Achamos que podemos fazer um bocadinho esse papel, pelo facto de termos uma relação especial com designers portugueses, chineses e de Macau, por um lado; e com as pessoas dessas empresas, por outro”.

Além das expectativas

Um ano depois, a Mercearia Portuguesa é “um caso de sucesso evidente”, que “excedeu mesmo as expectativas”. Hoje com 46 fornecedores, com quem tentam manter uma relação de proximidade, Ivo e Margarida Ferreira querem sempre crescer, mas “não desmesuradamente”. A ideia é continuar a pôr no território “produtos especiais, mantendo a estratégia de exclusividade”, até porque a dimensão está sempre associado à capacidade de investimento. “Desde o início percebemos que a  nossa loja era a nossa imagem e, por isso, é um presente tão especial neste primeiro aniversário ser considerado pela revista do New York Times como uma das primeiras três lojas que vale a pena visitar em Macau”.

O futuro, garante, será conquistado com os pés no chão. “Muitas vezes falam-nos em negócios fantásticos, mas as grandes ideias para nós não são grandes ideias; trabalhamos com produtos artesanais e com fábricas de dimensão específica. Latas de sardinhas, sabonetes e bonecas restauradas não são negócio para hotéis com dez mil ou portas para o mercado chinês. Não é esse o nosso mundo. Por ignorância, ou por medo, olhamos para essas ideias megalómanas com muito cuidado; o que não quer dizer que para o ano não haja novas surpresas, surgidas nesta forma orgânica e controlada, com a patine que queremos e divulgando a portugalidade. Para todos os portugueses, chineses, macaenses e turistas, sejam empresários, clientes ou simples cidadãos, mostramos um lado positivo da portugalidade que pode contribuir para o sentido de uma  verdadeira identidade”. P.R.

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